COLUNA DOMINICAL



(Espero que os problemas técnicos  tenham sido solucionados. Infelizmente, não posso fazer nada além de pedir desculpas. Aí está a coluna publicada ontem, no Lance!)

PARA ONDE?

Quando o São Paulo demitiu Muricy Ramalho, em junho de 2009, o principal argumento para dispensar um técnico que ganhou três campeonatos brasileiros seguidos foi o insucesso na Copa Libertadores.

A conexão entre os dois eventos, como é freqüente quando um treinador perde o emprego, foi evidente. O Cruzeiro venceu no Morumbi numa quinta-feira, Juvenal Juvêncio teve a última conversa com Muricy na noite seguinte.

Mas nenhum trabalho (especialmente um trabalho de cerca de três anos) é interrompido por um só motivo. Sobre MR e o São Paulo, muito se falou que “não dava mais”, de ambas partes. E uma reclamação soou um pouco mais alto, vinda de cima: Muricy não dava chance aos jogadores da base do clube.

Ricardo Gomes foi contratado quase imediatamente. Pegou o time logo depois de uma eliminação na Libertadores e durou até a eliminação seguinte, para o Internacional. Entre uma coisa e outra, esteve perto de ser campeão brasileiro. Seu time perdeu o título nas últimas três rodadas.

Gomes também não caiu apenas porque outra Libertadores terminou em frustração, apesar da demissão acontecer no dia seguinte. Como no caso de Muricy, foi “uma série de fatores”. Entre eles, não dar chance aos jogadores da base. Seu substituto, não por coincidência, foi Sérgio Baresi, técnico do time júnior do São Paulo.

Baresi assumiu como interino, com ordem de renovar. Enfrentou os problemas que inevitavelmente surgem quando um técnico sem nome ou currículo se vê no comando do vestiário de um clube grande. Resistência aos métodos, uma ou outra insubordinação, digamos que nem todos remavam na mesma direção.

Em campo, o time sofreu. Ficou longe das primeiras colocações do Campeonato Brasileiro, levou 3 x 0 do Corinthians, outro 3 x 0 (em casa) do Goiás. Baresi trabalhava sem saber se chegaria ao final da temporada, o que não contribuía para o fortalecimento de sua posição diante dos jogadores. Após uma derrota para o Grêmio que deixou o São Paulo em décimo lugar, Juvenal Juvêncio escancarou (“estou feliz com meu técnico? Não.”) que a manutenção de Baresi era produto da falta de nomes.

Carpegiani foi anunciado poucos dias depois e recebeu um time em que os jovens Lucas e Casemiro estavam praticamente estabelecidos. Um time em que, levando em conta os onze que iniciaram o jogo contra o Avaí, só Rogério Ceni tem mais de 30 anos. Se há duas temporadas o plano era renovar, está cumprido. E a explicação para a eliminação na Copa do Brasil não passa pela juventude. O São Paulo abriu o placar na Ressacada e ficou em ótima situação para se classificar.

O São Paulo precisa decidir o que quer, em termos de elenco. Precisa rever sua política de contratações e determinar como funciona a hierarquia dentro do vestiário, para evitar embates como Rivaldo x Carpegiani. A propósito: também não entendo por que o veterano apareceu tão pouco no time. Mas tenho mais dificuldade ainda para entender por que os chefes de Carpegiani deixaram a coisa chegar a esse ponto.



  • Anna

    Descreveu muito bem a situação tricolor. Não se desculpe, nós entendemos perfeitamente. 😉

  • Marcel Souza

    Como sempre como quando time vai mal, as coisas não andam bem nos bastidores. O foco do nosso ditador JJ está desviado por muitos outros interesses, e o time sofre. Eu acho inadmissível por exemplo o time não term um lateral direito por, sei lá, uns 5 anos. Mais uma eliminação rídicula pra colocar na história do time. Definitivamente voltamos uns 10 ou 15 anos no tempo…

  • Marcos Vinícius

    André,Carpegiani fez boa campanha com o mediano time do Atlético-PR no último Brasileiro,pegando o time na zona de rebaixamento e por pouco não o levou a Libertadores.

    Mas gostaria de lhe perguntar uma coisa que,possivelmente,alguns torcedores do São Paulo estão fazendo:

    Vc acha que a contratação de Carpegiani,não pelo treinador que é,mas pelo “perfil administrativo”do homem,foi um erro do São Paulo?

    Antes de vc responder,minha opinião é que Carpegiani tem certa dificuldades em lidar com medalhões (não incluindo Rogério Ceni,pois o acho a personificação do São Paulo em campo).

    Abraço.

  • Luciano SJC

    André, o que voce pensa em relação a matéria do ex jogador muller, falando que esta em crise financeira morando de favor na casa de amigo.Fiquei surpreso, pois não faz tanto tempo que ele parou e na época dele os salários provavalmente já eram elevados.Fiquei surpreso e voce ?

  • Marcelo Morais

    Na ultima quinta-feira, o SPFC ganhou mais um titulo: campeao brasileiro de morre-morre. Desde 2005 o SPFC nao vence uma competicao em formato mata-mata. Defitivamente, acredito que o maior problema estah dentro de campo e nao no banco de reservas. Despreparo psicologico e imaturidade? Talvez. Falta de vontade, puramente? Nao sei a resposta correta, mas me parece que os jogadores nao se importam em contar fracassos em competicoes eliminatorias.

    Ha tempos o SPFC eh um time sem garra, gana e brio. Um time incapaz de se impor e encurralar os adversarios, um time que abdica de jogar com o placar de 1 x 0 a seu favor. As partidas contra o Avai foram (tristes) retratos dessa realidade. No Morumbi, um simples golzinho (contra!) apesar da necessidade de vencer por um placar mais largo. Em Floripa, o SPFC marcou um gol num momento em que era melhor na partida. Em tese, teria o jogo nas maos. Poderia se aproveitar do placar favoravel, mas ruiu no minuto seguinte (semelhante a eliminacao para o Fluminense na LA2008). E passou o restante do jogo atonito, somente observando as acoes do adversario. Foi massacrado dentro de campo e mostrou total incapacidade de reacao.

    Discordo de algumas ideias e de muitas das modificacoes que Carpegiani faz durante os jogos. Mas acredito que nem Alex Guardiola nem Pep Ferguson – ou qualquer outra combinacao dos tecnicos que mais admiro – seriam capazes de mudar o desfecho dessas situacoes. Somente quando os jogadores assumirem mentalidade e postura vencedoras.

  • Caio

    A impressão que fica é que ainda impera um amadorismo gigantesco no futebol brasileiro. Em vez de nossos dirigentes traçarem metas e, obviamente, procurar cumpri-las, ainda ficam trabalhando com aquele “feeling” , aquelas atutudes de quem “entende das coisas”.

    E olha que é o São Paulo hein, exemplo de administração no futebol nacional!

  • Luís

    Vou resumir. 1- Um técnico que tem Rivaldo(experiência, conta) no banco, com seu nome gritado pela torcida em todos os jogos e não o coloca para jogar, eu considero BURRO!!! 2- Qual jogador do Avaí serviria para, ao menos, ser reserva no S.Paulo? Para meu gosto, nenhum. Então, qual foi a diferença? Foi a vontade de jogar, coisa que poucos jogadores do tricolor tiveram (não se sabe porque). 3- Para meu gosto, também no S.Paulo, tem alguns jogadores que são titulares absolutos e não servem nem para o banco. Ex.: JEAN – como lateral é lastimável, não ataca, não defende e quando tem oportunidade de gol, perde de maneira ridícula. Como volante “quebra o galho”. Outros que não servem para o tricolor (infelizmente): Xandão, Juan, Rodrigo Souto (aliás, que chapéu o Santos deu no S.Paulo. Tem comparação Rodrigo Souto com Arouca?), Casemiro (tem as pernas muito curtas; sempre chega atrasado), Henrique, Wilian José (este merece, ainda, uma chance). 4- ROGÉRIO CENI. É muito preocupante ouvir declarações dele, de que ainda pretende jogar mais dois anos. Eu, como torcedor do S.Paulo, sou muito grato por tudo o que ele já fez (principalmente pelo CENTÉSIMO gol, que fez com que o curíntia ficasse conhecido no exterior (mas de maneira vexatória). Entretanto, a hora de parar chega para todos os jogadores. Faz tempo que ele está parado, somente olhando a bola entrar. O primeiro gol do Avaí chegou a dar nojo. Rogério, se você, realmente, é Saopaulino, dê a vez para um goleiro mais jovem, que tenha mais elasticidade, mais reflexo, por favor!!! Tenha certeza de que você ficará, eternamente, em nossos corações. DIRETORIA DO SÃO PAULO, o Cuca será mais um a nos deixar desesperados. Por favor, façam um esforço para trazer o DORIVAL JÚNIOR.

  • Lucas

    Apesar de tudo isso, o São Paulo FC tem gestão diferenciada. Não vive de negócios da China que envolvem a repatriação de ex-jogadores de futebol sem mercado na Europa, a peso de ouro, o que praticamente cheira a estelionato. Como são os clubes de massa, com grandes torcidas, “times do povo”, que fazem isso, encaramos com normalidade. Nestes tempos de futebol-empresa, tão alardeado, mas lamentavelmente apenas fachada, cenário do tipo “set falso”(fake), da verdadeira realidade que acontece por trás das câmeras e dos olhos dos torcedores do estilo Zé Povinho, os resultados tem que vir de qualquer jeito, senão endividamentos que são inevitáveis (caso do Palmeiras com Belluzzo que apostou quase tudo para ser campeão) arrasam com possibilidades futuras. Por isso, o aproveitamento das promessas das categorias de base do Tricolor, tem que ser lento, gradual e de acordo com a vontade do Juvenal. No Palmeiras, este aproveitamento só pode ser realizado de acordo com a vontade do Pituca (Presidente Tirone) e no Corinthians do petista Andres Sanchez, de acordo com a vontade de algum comitê metido a “democrático”, que pensa sempre na maioria dos torcedores do Time do Povo, o tal de Coringão.

  • Edouard Dardenne

    Acho que a sua análise, desconsiderados os fatos específicos, aplica-se a quase – se não todos – os times brasileiros. Mas há um problema quase nunca debatido que é a empáfia dos grandes times dos maiores centros (com maior folha salarial e, quase sempre, maior dívida…) em relação aos ‘menores’ ou desconhecidos.
    Já não se faz mais a lição de casa. Isso se aplica ao Mazembe, ao Tolima, ao Ceará, ao Coritiba, ao Avaí, ao Once Caldas, ao Libertad etc.. Pode ser que a eliminação de times de maior expressão nacional para estes que citei represente uma surpresa se considerado o vulto dos investimentos feitos por uns e outros. Mas isso não justifica que se continue a tratar tais eliminações como uma exceção, uma situação extraordinária, um tropeço. Contraria a lógica. Se algo passa a ocorrer com frequência, não pode mais ser tratado como excepcional.
    Isso envolve as necessidades de coordenação entre planejamentos de curto, médio e longo prazos, justamente o ‘busilis’ do seu texto. O que é urgente não pode deixar de lado o que é importante. O que é ‘para ontem’ não pode comprometer o pensamento no mês que vem. E a projeção sobre o que acontecerá em dezembro não pode dexar de lado o jogo de quarta que vem.
    Alguém com (in)formação apropriada poderia fazer um estudo ou uma investigação sobre o impacto das conturbações de bastidores no desempenho dos times em campo. Tenho certeza que as conclusões seriam bastante ilustrativas.
    Quando falamos na importância de que os clubes sejam administrados como empresas, esta certeza não se limita à melhor gestão do dinheiro, mas na melhoria do planejamento.
    Boa coluna, AK, gosto de pensar o futebol assim.
    Um abraço.

  • Alex

    Lucas, você escreveu, escreveu, escreveu e não disse nada !!!!!!!!!

    E você acreditou!!! “gestão diferenciada”!?!?!?

    faz o seguinte: poe e vai pra casa, vai……

  • Luiz

    Cara, o São Paulo precisa do Vagner Mancini e de um elenco decente. Falta lateral-direito, falta um zagueiro caso o Alex Silva saia (Coates supre essa ausência), falta o Júnior César ser titular, falta um volante de marcação e falta o meia de criação. Hoje o São Paulo precisa acima de tudo de alguém para a lateral direita. Com os nomes que temos (sem o Miranda) o São Paulo pode ir de Xandão na lateral (fazer oq…) com o Jean de primeiro volante, Carlinhos junto dele, Ilsinho na meia direita, Lucas solto em campo, Dagoberto na esquerda, com os 3 se mexendo em campo. Eu colocaria o Willian José de referência na frente enquanto o Luís não se recupera… E assim vai… Se fosse possível, o São Paulo deveria tentar contratar o Guiñazú. Esse jogador mudaria a cara do time! Arrumava a marcação, com ele dava pra colocar o Casemiro pra jogar, dava pra colocar o Jean de vez na lateral direita e mandar ele só fazer jogada de linha de fundo, sem tentar se infiltrar… Enfim… Guiñazú já!

  • Marcos Vinícius

    Prezado Luis:

    Acho que vc exagerou.O time do Avaí não é lá essa maravilha,mas não é ruim.O Marquinho é um excelente jogador,eles têm um goleiro que,apesar de jovem,é muito bom,o time é bem armado,enfim,o São Paulo perder pra eles não foi nenhum demérito.Achei que foi o São Paulo quem perdeu,e não o Avaí quem ganhou,pois com a postura adotada pelo tricolor (sentar numa boa vantagem de dois gols) permitiu ao bom time catarinense partir pra cima e virar o jogo.Normalmente daria São Paulo,mas vc dizer que nenhum jogador daquele bom time do Avaí seria sequer reserva do São Paulo é um baita exagero seu.Meu Vasco que se cuide,senão terá o mesmo fim do seu São Paulo.

    O que acho estranho é todos dizerem que o SPFC tinha a obrigação de ganhar do Avaí.

  • Willian Ifanger

    Eu ia escrever um monte de coisas, mas agora que vi que a diretoria des-demitiu o Carpegiane, nem tenho mais o que falar.

    Só espero que lavem a roupa suja e o time tome um rumo no Brasileiro e na Sulamericana.

    No placar já está “Libertadores: Strike 1”

  • Marcel Souza

    Desculpe comentar num post antigo, mas essa não posso deixar passar… “des-demitir” um técnico é a primeira vez que eu vejo. É quase uma piada. Reforça o que eu disse no primeiro comentário, essa diretoria tá fazendo o que???

  • Rodrigo

    É, Marcel Souza… o Lucas, ali em cima, disse que a diretoria tricolor é diferenciada… tenho que concordar com ele… hehehehehe

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