CAMISA 12



(problemas técnicos vitimaram o blog ontem, durante todo o dia. Por isso, só consegui postar agora a coluna publicada na quinta-feira, no Lance!)

LORDE JUVENIL

Engraçado como notícias sobre corrupção na Fifa, sejam quais foram os nomes envolvidos, são recebidas com o nível de indignação de um monge budista.

Ok, engraçado não é o melhor termo, mas você entendeu. Porque o máximo que essas denúncias geram fica no meio do caminho entre o “que novidade…” e o “e daí?”. E o último caso, protagonizado por um lorde inglês, também será encaminhado para a enorme gaveta dos escândalos de 15 minutos.

Importa pouco que a Fifa tenha enviado ofícios à Federação Inglesa e ao The Sunday Times (jornal que diz ter a informação de que dois membros africanos do Comitê Executivo da Fifa receberam US$ 1,5 milhão para votar na candidatura do Catar à Copa de 2022), pedindo relatórios sobre as alegações de falcatruas na escolha de sedes dos futuros Mundiais de futebol. De fato, não importa nada, pois não há provas. O tal Lorde Triesman perdeu uma oportunidade mais importante, creio, do que fazer uma Copa em seu país.

Por mais bizarro que seja, e é, não duvido por um segundo que Nicolás Leoz tenha pedido um título de Cavaleiro Britânico para votar na Inglaterra 2018. O presidente da Conmebol parece ser esse tipo de sujeito. Também é fato que Triesman não é a primeira pessoa a associar Ricardo Teixeira a práticas pouco honradas no exercício da presidência da CBF. O mesmo, e até pior, pode-se dizer de Jack Warner, manda-chuva da Concacaf. E o tailandês Worawi Makudi, de currículo mais tímido, poderia tranquilamente estar de olho grande nos direitos de televisão de um amistoso (cancelado depois que a Tailândia não votou nos ingleses) entre seu país e a Inglaterra.

Quero dizer o seguinte: não acho que o Lorde inventou tudo isso. Mas essa é só a minha opinião. Talvez seja a sua, talvez não. E se for, podemos estar enganados. O fato é que opiniões, em casos como esse, não bastam. Fatos são necessários.

Lorde Treisman fez tudo errado. Disse o que disse na Câmara dos Comuns, com imunidade garantida. Não pode ser processado na Inglaterra pelas acusações que rodaram o mundo. Quando podia agir, na época em que tentava convencer dirigentes internacionais a levar a Copa para a Inglaterra, fingiu que nada ouviu.

O argumento de que botar a boca no trombone poderia detonar as chances inglesas é amador. Se as conversas que o Lorde relatou são verídicas, certamente não aconteceram só com ele. O que significa que a Inglaterra, ao não jogar o jogo, já era mesmo.

No ano passado, um repórter do The Sunday Times se fez passar por um representante de candidatura à Copa e dois membros do Comitê de Ética (!) da Fifa foram pegos com as mãos na mala. Acabaram suspensos.

Lorde Triesman não deve ter lido a reportagem.

 



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