CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

REALIDADE VIRTUAL

E chegou ao final o “rally de clásicos” entre Barcelona e Real Madrid. Com um empate que classificou o melhor time para a decisão da Liga dos Campeões. Com um jogador que há um mês e meio não sabia se estaria vivo, em campo. E com o mesmo discurso conspiratório de quem perdeu.

Não foi a primeira vez. A História diz que os dois rivais tiveram quatro encontros em vinte dias, em 1916. Os jogos valeram pela competição que deu origem à Copa do Rei, quando não havia critério de desempate nos confrontos. Sem vencedor da maioria de pontos em dois jogos, repetia-se a disputa. No último jogo, quando o Real Madrid vencia, o Barcelona se retirou de campo em protesto contra a arbitragem.

Naquela época não havia entrevistas coletivas. Um técnico que achasse que o mundo existia para prejudicá-lo não tinha como expor tal patologia. Mas o hábito de procurar outros culpados para erros próprios certamente estava disseminado. Há quase um século, o apito já era condenado.

Anteontem, no Camp Nou, o Real Madrid mostrou que encarar o Barcelona de peito aberto não é necessariamente um suicídio. Pressionou, quis a bola, jogou nos primeiros quinze, vinte minutos. Mas não deu nenhum – repetindo: nenhum – chute na direção do gol.

O Barcelona chutou sete vezes, quatro no alvo. Cinco chances foram criadas num intervalo de dez minutos, que fizeram uma semifinal de Liga dos Campeões parecer um treino. Casillas sofreu.

Mas veio o segundo tempo e a “prova” de que o propósito do futebol mundial era impedir que o Real Madrid chegasse à decisão. Num lance difícil para o árbitro, Piqué deu um tranco em Cristiano Ronaldo, que caiu em cima de Mascherano. A bola sobrou para Higuaín marcar, mas a jogada foi parada por falta no zagueiro argentino do Barcelona. Um crime hediondo, porque foi o ÚNICO chute ao gol de Victor Valdés até aquele momento.

Estranho que não se tenha visto mais evidências da conspiração no gol de Pedro, pouco depois. Um cara (mesmo que se chame Andrés Iniesta) só consegue dar um passe daqueles se estiver mancomunado com alguém…

Ao final, o Real Madrid teve 36% de posse de bola, fez 30 faltas (11 só em Messi, uma a mais do que o total de faltas cometidas pelo Barcelona) e, não se esqueça, deu um chute ao gol (na estatística oficial da Uefa, o chute de Higuaín não existiu porque a jogada foi paralisada. O chute que conta, obviamente, é o de Marcelo). Quando Mourinho disse que a classificação do Real Madrid seria impossível, talvez estivesse se referindo a esses números.

Se o último dos quatro clássicos deixou uma imagem bonita, foi a da entrada de Eric Abidal, no finalzinho. Quarenta e cinco dias atrás, quando foi operado para retirar um tumor do fígado, o francês certamente não pensava em futebol. Abidal disse que terça-feira foi o dia mais importante da vida dele.

Mas maníacos juram que ele não estava doente.



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