EL CLÁSICO 4.0



Não foi uma surpresa ver a escalação do Real Madrid com Kaká e Higuaín, ainda que eu ache complicado mandar ao campo dois jogadores que estão se recuperando de lesões, com a missão de tirar o time do buraco, num jogo como esse.

Ambos jogaram e foram os destaques do passeio contra o Valencia, dias atrás. Mas não há como comparar as duas situações e muito menos os adversários.

A prova foi a atuação deles (foram substituídos no segundo tempo) no Camp Nou.

Mas foi bom ver que o Real Madrid percebeu que jogar de igual para igual com o Barcelona, no sentido de querer a bola e ter uma postura mais ofensiva, não é um convite ao desastre.

O jogo foi equilibrado por algo como 20 minutos, até o Barcelona se lembrar de quem era e de onde de estava. Quando resolveu ficar com a bola, dominou a partida como era esperado.

A sequência de chances (Messi colocado, Messi cruzado, Villa, Pedro e Messi de pé direito) a partir dos 30 minutos foi um ataque ao gol merengue, que mostrou como Casillas é importante.

A jogada do gol de Higuaín, no começo do segundo tempo, merece ser discutida. Sem, é claro, entrar na conversa conspiratória que só pretende desviar a atenção. Tática tão antiga quanto ineficaz.

Eu disse, ao vivo, na transmissão do jogo, que marcaria a falta de Cristiano Ronaldo em Mascherano. Não percebi com clareza como Cristiano caiu.

Vendo o replay, se houve falta no lance, foi de Piqué no português. Reformo minha opinião (já o fiz pelo twitter, logo depois do jogo) e entendo que o árbitro errou.

Agora, usar o erro como prova de um esquema global para impedir que o Real Madrid chegasse à decisão da UCL é coisa para psicólogos estudarem.

O Real Madrid não deu nenhum chute na direção do gol (não falo de chutes no alvo, e sim de qualquer chute) no primeiro tempo.

Terminou o jogo com apenas uma finalização certa, a de Higuaín. Teve 36% de posse de bola e cometeu 30 faltas.

Só em Messi foram 11, uma a mais do que o total de faltas cometidas pelo Barcelona.

Como já se disse muitas vezes: em 2 jogos, quase sempre o melhor time prevalece. Não tenho dúvida de que foi o caso.

E no lugar das teses conspiratórias, prefiro falar do esplêndido passe de Iniesta para Pedro, na jogada do gol do Barcelona.

Da finta e do recurso de Di Maria, na jogada do gol de Marcelo.

E da homenagem a Abidal, que há um mês e meio não tinha o luxo de pensar em futebol.

O momento da entrada do francês em campo ficará para sempre na memória de quem esteve no Camp Nou na noite de ontem.

O “rally de clásicos” acabou, com o que penso ter sido o melhor jogo dos quatro. Dois empates e uma vitória para cada lado. O Real Madrid ficou com o único título que estava em jogo, mas o Barcelona ficou com o que havia de mais valioso em disputa.

Gostaria de ter visto mais futebol e menos manipulação. Gostaria de ter falado mais do que é verdadeiramente importante.

Volto a citar o segundo gol de Messi no Bernabéu. Um lance magistral, engolido pelo blá-blá-blá.

Mas foram 3 ótimas semanas.

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Teremos um programa de uma hora sobre os clássicos, na ESPN Brasil.

Ainda não há data confirmada, mas evidentemente será antes da final da Liga dos Campeões.

Avisarei quando souber das informações.

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Desde 13 de abril, este blog foi um diário dos clássicos entre Real Madrid e Barcelona. Resultado de minha presença na Espanha, pela ESPN, para cobri-los.

Quero agradecer a quem, mesmo sem se interessar muito pelo assunto, entendeu minhas obrigações e os motivos que me fizeram adotar um tema único.

E, principalmente, a quem acompanhou a viagem.

Não me canso de dizer que a comunidade que se formou aqui é algo de que me orgulho. É um prazer fazer o blog junto com vocês.

Obrigado.

Estarei por aqui em algum momento desta quinta-feira. Na verdade, sexta-feira é uma previsão mais realista.

Até.



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