CAMISA 12



Quando eu lembrar do jogo de anteontem, duas imagens me voltarão à mente: uma é o segundo gol de Messi. Tive a sorte de estar atrás da placa de publicidade, do lado esquerdo do gol, o que me propiciou um ângulo privilegiado da jogada. Quando Messi caiu ao bater na bola de pé direito, ele estava a poucos metros da linha de fundo, na minha frente.

Acredito que se não houvesse tanta coisa em torno do jogo, tanta reclamação e tanta bobagem, o gol magnífico de Messi seria mais comentado.

A outra imagem é a expressão de Casillas no momento da expulsão de Pepe. Rendeu a coluna abaixo:

(publicada ontem, no Lance!)

O INEVITÁVEL

Iker Casillas sabia.

Ali, aos 16 minutos do segundo tempo, o goleiro e capitão do Real Madrid sabia.

Sabia que o cartão vermelho que o árbitro alemão Wolfgang Stark tinha acabado de mostrar a Pepe significava mais do que uma expulsão. Mais do que outro jogo contra o Barcelona com um homem a menos. Muito mais.

Enquanto seus companheiros corriam para reclamar, enquanto seu técnico também era expulso, Casillas apenas abria os braços, olhava para o chão, balançava a cabeça. Não havia irritação ou revolta em seu rosto. Porque ele sabia.

Sabia que seria o principal prejudicado com a ruína do sistema de marcação que, assim como aconteceu na decisão da Copa do Rei, travava o Barcelona. Porque também sabia quem seria o principal beneficiado.

Quinze minutos se passaram entre um fato e outro. Período no qual Casillas impediu um gol de David Villa com uma defesa espetacular. O jovem holandês Affelay recebeu a bola do lado direito e ganhou de presente um escorregão de Marcelo. Foi o suficiente para superar o brasileiro e cruzar. Gol de Messi.

Décimo do artilheiro da Liga dos Campeões da Uefa. Quinquagésimo-primeiro do maior artilheiro de um time espanhol na mesma temporada. Primeiro gol de Messi em uma semifinal de Champions.

Três coisas precisavam acontecer, na mesma noite, para que a temporada do Barcelona não terminasse em frustração. A primeira era conseguir executar sua filosofia de jogo, mesmo com um time remendado e sem Andres Iniesta – um dos processadores (o outro é Xavi) que fazem o sistema operacional catalão rodar em sua plenitude. A posse de bola final de 72%, em pleno Santiago Bernabéu, é um bom indicador.

A segunda era que a arbitragem atuasse com rigor no aspecto disciplinar. O alemão Stark não teve uma boa noite, mas é muito difícil contestar o cartão vermelho de Pepe. O luso-brasileiro é um jogador que vive no limite, e o limite não é o mesmo para todos os árbitros. Na disputa com Daniel Alves, Pepe quis correr o risco de ser expulso. E foi, corretamente.

A terceira coisa que precisava acontecer era Messi. Livre do guarda-costas que não consegue pará-lo, mas contê-lo, o pequeno grande argentino decidiu. Seu segundo gol teve a habilidade, a crueldade e a assinatura do melhor jogador do mundo.

O lance começou com ele, na intermediária. Tocou para Busquets e correu para receber. O companheiro só parou a bola, como se dissesse: “vai”. E ele foi. Foi fintando na diagonal, entrou na área e concluiu com um toque ridículo de pé direito.

A velocidade, a forma como a bola gruda em seus pés, a noção de espaço… Messi é superior em tudo. Fez mais um gol de playstation.

Casillas sabia.



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