COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MÉS QUE UN EQUIP?*

A temporada do Barcelona chegará a seu ponto crítico na próxima quarta-feira, no local mais hostil a uma camisa azul-grená em todo o Universo. O Real Madrid e o estádio Santiago Bernabéu, com a confiança em nível além do máximo, esperam o “melhor time do mundo” para um jogo que não tem tamanho.

Talvez a melhor definição para o Barcelona, hoje, seja compará-lo a um super herói ferido. Ainda é capaz de tudo, mas alguns de seus poderes foram afetados. Seu adversário é menos potente, mas está com o tanque cheio e o pé no acelerador.

A questão passa pelo elenco catalão, que não mantém o nível de talento do time titular. Time que, na fase mais quente da temporada, sofre com o alastramento de lesões e as substituições que lhe roubam brilho.

O lateral brasileiro Adriano (lesão muscular, 4 semanas) é o mais novo nome da lista de jogadores machucados, que já tinha Bojan, Abidal e Puyol. Mascherano tem jogado bem como zagueiro, o que pelo menos permite que Pep Guardiola se concentre no ataque esvaziado pela abdução de Pedro e David Villa. É fato que Messi faz e/ou cria mais da metade dos gols do Barcelona. Mas seus parceiros vinham contribuindo com frações importantes. Há 11 jogos, Pedro e Villa estão silenciosos.

A final da Copa do Rei mostrou o que acontece quando a defesa do Real Madrid se encaixa em seu campo e o cérebro Xavi/Iniesta precisa de opções além do argentino. É exatamente neste momento que a assombrosa posse de bola do Barcelona deixa de ser uma música que cresce a caminho de um final emocionante. E se transforma num CD (coisa antiga, eu sei) com defeito, em eterna repetição.

A boa notícia é que a Liga Espanhola está virtualmente decidida. Com 8 pontos de vantagem, Guardiola pode administrar as últimas 6 rodadas e dar descanso a quem precisa. Mas o elenco magro não lhe oferece tantas possibilidades de escalação, em quantidade ou qualidade. Comparando, enquanto uma alternativa de Pep é usar o meia holandês Afellay como atacante, o time alternativo que José Mourinho traz a Valência hoje terá Kaká, um jogador de 65 milhões de euros.

O maior tesouro do que é chamado aqui na Espanha de “rally de clásicos” entre Barcelona e Real Madrid é a Liga dos Campeões da Uefa. O clube que prosseguir no torneio continental será considerado o vencedor desses encontros históricos.

E não é mais o choque de estilos entre estética e força que está em discussão. A decisão da Copa do Rei mudou a conversa. O Real Madrid venceu e se instalou na mente catalã como um novo problema a ser resolvido. Como a fase seguinte de um videogame. Mais exigente, mais desafiadora, mais perigosa.

O que veremos nas próximas duas semanas é se o time que tem o monopólio do jogo bonito e competitivo será capaz de se adaptar. Se encontrará uma nova maneira de vencer um adversário que se redescobriu. E se conseguirá fazê-lo apesar de todos os problemas que tem.

Em poucas palavras, veremos se o Barcelona é esse time todo que pensamos que é.

* Mais que um time?, em catalão



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