COLUNA DOMINICAL (em plena segunda)



Esqueci completamente de publicar a coluna do jornal. Está aí embaixo, com um dia de atraso.

A propósito: está confirmada uma entrevista coletiva de José Mourinho para amanhã à noite, aqui em Valência.

Tomara que ele fale.

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(publicada no domingo, no Lance!)

TODA MUDEZ SERÁ PLANEJADA

Mesmo se não quisesse, José Mourinho seria personagem central da série de confrontos entre Real Madrid e Barcelona. O treinador português, que se intitula o melhor em sua profissão e (fora os troféus) mostra um prêmio da Fifa como argumento para provar a tese, não tem vocação para papéis periféricos.

Em Madri, seu palco ficou maior. Chamado para reconduzir o gigante espanhol ao topo do futebol da Europa, Mourinho trouxe ainda mais holofotes para um clube que contrata estrelas como se fossem laranjas na feira. Posição que ele adora e cultiva, com seu trabalho e suas declarações. E também com seu silêncio.

Na véspera do jogo deste sábado contra o Barcelona, a sala de imprensa que é o palanque de Mourinho ficou lotada. Era o momento para o técnico continuar falando, continuar jogando um clássico que já começou nos jornais. Os cartões amarelos que só são mostrados ao time dele, os cartões vermelhos que insistem em deixar o rival com um jogador a mais, “estranhas forças” que beneficiam o Barcelona… há dois dias, Mourinho fez a pauta do debate. Na hora de usar a palavra novamente, passou.

Mandou Aitor Karanka, ex-jogador merengue e um de seus assistentes, encarar a legião de perguntadores. E obviamente, tornou-se o assunto. Não apenas por obrigar outra pessoa a falar por e sobre ele, mas porque sentou-se ao lado do assistente e não abriu a boca. Quando o assessor de imprensa avisou que Mourinho não aceitaria perguntas, todos os jornalistas espanhóis deixaram a sala. Mourinho criou a era da entrevista muda.

Pode ter sido mais um passo calculado de alguém que considera que já disse o que deveria dizer. Pode ter sido a única maneira de não dizer o que não quer. Pode ter sido porque Pep Guardiola mudou o horário de sua própria coletiva para falar depois dele. O relacionamento ruim com a imprensa de Madri certamente influiu. Mas Mourinho acredita que palavras, e suas possíveis interpretações, entram em campo.

Por exemplo: ele declarou anteontem ao jornal El País (neutro no jogo midiático em que os diários esportivos de cada cidade vestem a camisa sem constrangimentos) que não haverá nenhuma relação de uma partida com outra, nessa quadra de clássicos que veremos. Mas disse exatamente o contrário a seus jogadores. Para quem vê estratégia em jogadas verbais, 360 minutos seguidos contra o maior rival exigem precisão linguística.

Mourinho diz que o Camp Nou o odeia, mas é ele quem nutre sentimentos misturados pelo clube catalão. A história foi bem contada por Louis Van Gaal, na véspera da final da última Champions League. Então assistente-técnico do Barcelona, Mourinho estava na reunião que selou a contratação do holandês. Deu um murro na mesa, achava que era sua vez. Para ele, o Barça não é mais que um clube. É um clube a menos.

O cenário não poderia ser melhor. Num momento crucial para seu futuro como técnico do Real Madrid (não em termos de segurança de emprego, mas de objetivos), Mourinho tem como adversário o clube com o qual construiu uma história mal resolvida.

Ele não precisa falar para ser o centro das atenções.



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