MOU APERTOU MUTE



Talvez você tenha ouvido falar da “entrevista muda” de José Mourinho, nesta sexta.

Colegas espanhóis revelaram os bastidores do episódio.

Como se sabe, o relacionamento de Mourinho com a maior parte dos jornalistas que cobrem o Real Madrid não é bom.

Ele já reclamou “da imprensa” várias vezes. Na última, falando sobre seus planos de um dia voltar a trabalhar na Inglaterra, disse que o retorno pode acontecer mais cedo do que se imagina, “se a imprensa me expulsar daqui”.

O técnico não gostou da repercussão do que disse – e disse, com todas as letras – sobre os cartões amarelos que só o time dele recebe e sobre as expulsões de jogadores do Real Madrid em quatro das últimas cinco derrotas para o Barcelona.

Logo depois da vitória sobre o Tottenham, pela Liga dos Campeões, Mourinho fez a pauta do debate sobre os quatro jogos entre os rivais. Os jornais, lógico, repercutiram.

Nesta sexta, ele obviamente seria perguntado sobre esses assuntos.

Mandou avisar que não iria falar, na véspera de um clássico. Sabe o valor que tem uma entrevista coletiva do técnico do Real Madrid numa semana em que jogadores não estiveram disponíveis. Entende que suas palavras são sempre distorcidas e resolveu deixar “a imprensa” de Madri sem nada para preencher o enorme espaço dedicado ao jogo.

Quando souberam da decisão de Mourinho, os jornalistas espanhóis pressionaram a assessoria de imprensa do Real Madrid, que levou a reclamação ao técnico.

A decisão de abandonar a sala era o último recurso, usado se Mourinho insistisse em se calar.

Para mim, foi uma surpresa. Já vi esse tipo de protesto ser planejado muitas vezes no Brasil, mas nunca passou disso.

Vale dizer que não foram apenas os espanhóis que se levantaram. Os correspondentes de meios de comunicação de outros países, que vivem e trabalham na capital espanhola, também saíram.

Aitor Karanka teve de responder por seu chefe, que ficou ao seu lado, mudo. Claro que a maioria das perguntas foi sobre o que estava acontecendo ali. O auxiliar técnico respondeu com algum constrangimento.

Mourinho chegou a olhar para o assessor, com jeito de quem queria dizer algo, mas não abriu a boca.

Talvez tenha ido à sala para não deixar Karanka desamparado.

Talvez tenha ido só para desafiar “a imprensa”.

Mas tudo soou planejado. E tenho cá minhas dúvidas se foi planejado para transferir para si a atenção do jogo e aliviar a pressão sobre seu time.

Mourinho é um treinador brilhante, mas me parece o tipo de sujeito que pensa primeiro nele.



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