COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

UMA NOVA ESPÉCIE – II

Na coluna de sábado passado, tratamos do surgimento inevitável de um novo tipo de dirigente. Aquele que fica mais perto do campo, chamado de diretor, gerente ou vice de futebol, se transformará em especialista na contratação de jogadores. Essa, e a supervisão do trabalho do treinador, serão suas principais funções.

Hoje continuaremos no tema, mas agora falando de alguém que está um degrau acima na escada de poder. O Internacional criou em janeiro a posição de executivo-chefe. Para o cargo, contratou um profissional que jamais imaginou trabalhar no futebol.

Aod Cunha de Moraes Junior é doutor (UFRS) e pós-doutor (Columbia University) em economia. No final da década de 90, foi assessor econômico do governo de Antonio Britto. Em 2007, foi secretário estadual da Fazenda de Yeda Crusius. Estava trabalhando no Banco Mundial quando recebeu o convite do Inter, no final do ano passado. Entre uma função executiva numa empresa do setor financeiro em São Paulo, e o cargo de primeiro CEO (Chief Executive Officer) do futebol brasileiro, escolheu o desafio de aproximar a gestão de um clube das práticas mais modernas de administração. Calcule sua carga de trabalho.

“É um mundo novo e uma cultura diferente de tomada de decisões”, revela Cunha em entrevista por e-mail à coluna. “Especialmente pela forma como o futebol sempre foi gerido no Brasil e pelas pressões para que continue sendo gerido da mesma maneira”, completa, acrescentando que tem ouvido com muita freqüência a expressão “mas no futebol é diferente”. Deixará de ser, por obra de uma seleção natural que outros mercados já experimentaram.

Não pense que o futuro está na imagem de um economista que escolhe jogadores ou opina sobre sistemas táticos. Multifunção também tem limites. O que um CEO faz num clube é o mesmo que faria em qualquer outra empresa. No Inter, Cunha coordena os diretores de marketing, finanças, administração, patrimônio e comunicação. Nesse ambiente, o presidente é uma figura essencialmente institucional e política. A gestão é atribuição de um profissional da área.

Cunha acredita que, nos próximos anos, o desenvolvimento do negócio do futebol levará a uma concentração econômica em poucos grandes clubes no Brasil. “Quem correr na frente, em termos de profissionalização da gestão, estará melhor preparado para enfrentar esse fenômeno”, afirma.

É difícil encontrar um clube brasileiro superior ao Internacional em termos de estrutura. Tente achar um que fature mais, com estádio e programa de sócio-torcedor, do que o atual campeão da América. Mesmo assim, o Inter se junta a todos os outros na hora de equilibrar seu orçamento: depende da venda de direitos econômicos de jogadores. Uma das missões de Aod Cunha é diminuir essa dependência.

Colorado de berço, Cunha diz que a gestão de um clube de futebol deve ter consciência de que lida com a paixão de milhões de torcedores todos os dias. A questão é transformar sentimento e marca em receita. Tarefa na qual, desde sempre, dirigentes amadores falharam.



  • Mauricio Branzani

    André, acho que o Inter tem inovado desde o início da era Fernando Carvalho, que é um dirigente diferenciado dos demais, apesar de alguns erros que todos estão sujeitos a cometer.
    Confesso que me dá até uma certa inveja, pois gostaria de ver coisas deste tipo no meu clube de coração. Já imaginou o Santos Futebol Clube, com toda sua história e com Pelé a seu lado, sendo administrado com esse tipo de gestão? Parabéns ao Inter.

  • André, excelente notícia. Concordo inteiramente com você. O mercado faz a seleção natural. Podemos ver pela nossa profissão de jornalista. O jornalismo passou e continua passando por uma transformação rumo ao profissionalismo.

    Abraços!

  • Desde janeiro? Como eu não fiquei sabendo disso?! Teorias conspiratórias à parte, parece que há notícias que não são divulgadas como deveriam – ou será que eu estava de férias, mesmo.. 🙂 ? Obrigado, novamente, por nos colocar à par das coisas.

    De qualquer forma, o Inter está de parabéns (de novo!) num assunto que já está muito atrasado na pauta de discussões do futebol brasileiro. E pensar que em 2005/2006 o São Paulo andava no mesmo ¨trilho da inovação¨…
    Um abraço.

  • Luiz Oliveira

    Sou Colorado e Sócio, apesar de morar há 15 anos no estado de SP. Na última eleição votei na chapa do Luigi, atual presidente do Inter e estou satisfeito com os resultados administrativos e de campo. Porém uma dúvida me assalta. Como estamos falando de clube de futebol, os resultados de campo, poderão influenciar na eleição de uma nova diretoria, apesar das amarrações que tem, como planejamento de 10 anos e outros filtros que inibiriam aventureiros como os das décadas de 80 e 90. Mas enfim, acho que estamos no caminho certo, só o tempo irá confirmar esta espectativa. Meritos ao Fernando Carvalho, Vitório Piffero e Giovani Luigi.

  • Daniel Lobo

    Mais uma vez o Internacional é digno de aplausos. Inovações benéficas são sempre bem vindas no futebol brasileiro e principalmente quando ocorrem fora do eixo Rio – São Paulo. Os colorados provaram que existem outras possibilidades além da total dependência em cotas de televisão e venda de jogadores.

  • Clayton

    O São Paulo fatura cerca de R$45milhões (lucro de R$32 milhões em 2010) com o Morumbi, por ano. Não sei se o Internacional fatura mais…

  • mauro

    Em relação ao post acima, me sinto no dever de meter minha colher, para tentar aclarar algumas coisas:
    1) Sei do que falarei porque morei 5 anos em Porto Alegre.
    2)Não sou torcedor do Gremio
    3)O INTER É BEM ADMINISTRADO MESMO, mas………..
    Porto Alegre é uma cidade bem pobre em termos de lazer e opçoes culturais, ou seja ou vc fica sócio de um clube ou vai ficar trancado em casa;
    4)É muito fácil ter torcida grande onde sómente há duas opçoes, ou seja ou vc é Gremio ou vc é Inter
    5) O regionalismo sulista ajuda a gaucho ter um comportamento argentino, ou seja do mesmo jeito que são fanáticos, escondem os podres e só mostram as coisas boas.

    Me perdoe mas é estupidez fazer comparaçoes e mais ainda incensar como se fosse um Barcelona, um clube que cresceu e floresceu as custas de presidentes ditadores, ou as pessoas
    esquecem que o Sr “Garrafazu”, foi um grande benemérito do Inter……….

    Menos e muito menos mesmo………..
    Em nome da razão.Em nome da memória e em nome da democracia………….

    AK:

    1) Não é garantia. Eu não nunca morei em Porto Alegre e sei do que escrevi.
    2) Indiferente.
    3) Ser sócio de um clube não significa ser sócio-torcedor de um clube.
    4) Ter torcida não significa ter muitos sócios-torcedores.
    5) O que isso tem a ver com o assunto?

    Desculpe-me, mas onde você viu comparações ou exageros?

    Um abraço.

  • Ricardo Medeiros

    Opa André, eu estava acompanhando o noticiário sobre a chegada do Falcão ao Inter, e vi várias menções a ele, como sendo o maior ídolo da história do Inter. O que eu queria propor a vc, é que vc fizesse ai a lista dos maiores ídolos da história dos 12 grandes do país. Só vale 1 por clube. Abaixo, mando a minha lista: (Não consegui lembrar de nenhum grande ídolo do Fluminense)
    Flamengo – Zico
    Santos – Pelé
    Botafogo – Garrincha
    Palmeiras – Ademir da Guia
    São Paulo – Raí
    Corinthians – Rivelino
    Vasco – Roberto Dinamite
    Fluminense – não sei
    Grêmio – Renato Gaúcho
    Inter – Falcão
    Cruzeiro – Tostão
    Atlético MG – Reinaldo

  • Marcelo dos Santos Silva

    Olá André, boa tarde, eu me chamo Marcelo, sou estudante de Jornalismo pela Universidade Veiga de Almeida-RJ, Campus Tijuca, gostaria de saber sobre um clube do passado, ou melhor, uma passagem de um grande clube de nosso país, o meu querido Vasco da Gama, durante os quase dez anos onde foi soberano no futebol jogado por aquí e que sá no mundo nos anos de 1948 a 1957, ví histórias deliciosas no Livro os 10 mais do Vasco, nessa época.
    Queria saber alguma coisa, se houvessem a Libertadores e o Mundial de Clubes naquela época, o Vasco poderia ter sido tão grande, porém em épocas diferentes ao Santos de Pelé??
    Se esse Vasco merecia ser mais lembrado, fez feitos incriveis, como o Sulamericano de 1948 e o Super campeonato Carioca de 1957, Ademir com 9 gols em Copas, jogando somente a Copa de 50, os feitos positivos de Barbosa, o exemplo de superação de Danilo Alvim que teve as duas pernas quebradas quando ainda tinha 20 anos…e os imortais Orlando e Belini na Zaga…enfim…tantas histórias que eu como Vascaíno não sabia…me sinto envergonhado de não ter tomado conhecimento a mais tempo da época aurea do meu Vasco, a ESPN Brasil tem algum material sobre esse time que eu possa resgatar na Internet?
    Você axa ue poderia ter sido como o Santos, se tivesse tido as mesmas oportunidades em termos de competições, pq em 40 e 50 não haviam disputas nacionais, sulamericanas e mundiais para clubes.

  • Alexandre

    “Cunha acredita que, nos próximos anos, o desenvolvimento do negócio do futebol levará a uma concentração econômica em poucos grandes clubes no Brasil. ‘Quem correr na frente, em termos de profissionalização da gestão, estará melhor preparado para enfrentar esse fenômeno’, afirma”.

    Concordo com a primeira afirmação, mas creio que a segunda, em tratando-se de futebol brasileiro, não é totalmente correta.
    Por aqui, vale muito mais ser politicamente influente do que ter boa administração.
    Vejam como se deu a escolha dos estádio para a Copa-2014. Vejam como se dá a discussão da transmissão televisiva do Campeonato Brasileiro.

  • Ado Marcelo

    Errado Alexandre.
    Influência politica beneficia apenas alguns poucos dirigentes enquanto um modelo profissional e competente de gestão beneficia o Clube.

    Aqui no Brasil o Inter sai sim na frente, e não é de hoje, veja o que cresceu o Inter no cenário nacional e internacional na última década.

    E veja o Corinthians que mesmo arrecadando muito mais que os times do Sul não consegue montar times tão competentes e ainda por cima vÊ sua dívida aumentar, mesmo com uma torcida muito maior não consegue arrecadar tanto com sócio-torcedor e o Andrés é um dirigente influente.

    Por outro lado ele (Andrés) está comprando um apartamento de 3 milhões de reais.

    Percebe?

  • M. Silva

    Prezado Ricardo Medeiros,

    na minha opinião, o jogador que mais encarna o Fluminense é o Castilho. Deveria ser lembrado muito mais do que é.

    Um abraço,

    M. Silva

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