CAIXA-POSTAL



Reali Júnior morreu hoje de manhã, em São Paulo.

Sinto-me privilegiado por tê-lo conhecido.

No começo da minha carreira, na rádio Jovem Pan, Reali era correspondente em Paris. Um desses caras que a gente ouvia, lia, e tinha certeza de que a profissão de jornalista é mesmo formidável.

Como muitos colegas que passaram pela Pan, uma de minhas funções era ligar para ele para pedir coisas. Um comentário, um telefone, uma informação.

Eu era apenas um intermediário cumprindo ordens. Mas a sensação de estar incomodando um jornalista consagrado era terrível.

Todas as vezes, não importava o horário, só recebi gentileza do outro lado.

Em 1997, já na ESPN, durante o “Torneio da França” (evento teste para a Copa do Mundo), pude apertar sua mão e dizer que tinha sido um dos responsáveis por incontáveis telefonemas inconvenientes. Ele sorriu.

A carreira e o exemplo de Reali ficam. Para sempre.

Aos assuntos da semana:

André escreve: Por que, em geral, a mídia quando noticia a compra de um jogador que está jogando fora do país por um clube brasileiro fala dos valores em euros ou dólares (“Sao Paulo vai pagar 7 milhoes de Euros por Luis Fabiano”) e quando fala da venda de um jogador daqui para um clube de fora fala em reias (“Juventus oferece 68 milhoes de reais por Neymar”)? É mais chique? Soa como se fosse mais dinheiro? Ou será só impressao minha?

Resposta: Uma parte é impressão sua, porque nem sempre é assim. O correto seria informar sempre os dois valores, na moeda estrangeira e na nossa. O que acontece é que quando se trata de uma oferta a um clube europeu, fala-se sempre em euro. E quando é uma oferta a um clube brasileiro, convenciona-se falar em reais. De novo, o certo é dar a informação completa.

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Thiago escreve: Acompanho (e sou apaixonado) por futebol desde sempre. Observo que, ao contrário do que ocorre no jogos na Europa (sem querer julgá-los como ‘referência’ no assunto), aqui no Brasil os jogos tem sido constantemente interrompidos por ‘faltinhas’ desnecessárias que parecem se multiplicar, que atrasam o jogo e irritam os torcedores. Entendo que isso ocorra por três fatores: 1) falta de técnica dos ‘defensores’. que de forma desinteligente exageram no contato físico, em detrimento às técnica de roubadas de bola, coberturas defensivas e congêneres, 2) excesso de ‘cêra’ por parte dos ‘atacantes’, que ao menor sinal de contato fisico já ‘mergulham’ no gramado, privilegiando a bola parada (cito como exemplo a jogada do 100° gol do RC, onde o Fernandinho visivelmente não evita o choque com o adversário para propiciar a falta perigosa), 3) postura da arbitragem brasileira, que culturalmente apita quase todo contato físico em que haja queda de um dos atletas. O que você pensa a respeito disso? O que fazer – caso minhas suspeitas sejam ao menos coerentes – para que o jogo se torne mais dinâmico?

Resposta: O melhor “padrão” de arbitragem é o do Campeonato Inglês, que deixa o jogo mais solto ao permitir o contato. O problema aqui no Brasil não são só as “faltinhas”. As arbitragens não são padronizadas. Você não sabe o que verá de uma rodada para outra, nem quando o árbitro é o mesmo. As mudanças de conceito e aplicação de regras ficam claras quando um árbitro brasileiro vai apitar um jogo de Copa Libertadores, por exemplo. É como se fosse outra pessoa.

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Jorge escreve: André, tenho uma dúvida sobre a última expulsão do Neymar. Dar cartão amarelo para quem faz o que ele fez (máscara) depende da interpretação do árbitro?

Resposta: Não. É regra. Está nas orientações para a arbitragem. Em comemorações de gols, é proibido cobrir o rosto, subir no alambrado, tirar a camisa e fazer gestos provocativos. O árbitro deve punir quem faz isso com cartão amarelo.

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Renato escreve: André, a ESPN vai transmitir a final da Copa do Rey, entre Barcelona e Real Madrid?

Resposta: Não. Creio que os direitos pertecem ao Esporte Interativo. Mas esse é o único dos 4 clássicos que acontecerão nas próximas semanas que não será exibido pela ESPN. O jogo do segundo turno da Liga Espanhola e as duas semifinais da Liga dos Campeões da Uefa serão transmitidos, com equipe no estádio.

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Uma vez mais, obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(Emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Marcos Vinícius

    Era participante do memorável “Pinga Fogo”,da extinta TV Tupi.Sabia que ele tinha um bordão,mas não me lembrava qual era.

    Lendo sobre ele e seu trabalho,achei.

    “Neste momento, às margens do Sena, junto à Maison de la Radio os termômetros marcam…”

  • eduardo pieroni

    Boa André, Viagem a espanha a Vista???????

    Andre o barça e o real ja se enfrentaram em ULC?????

  • Carlos Futino

    Quanto à expulsão de Neymar:

    O árbitro agiu certo, já que não cabe a ele decidir quais regras aplicar. Mas que a regra em questão é chata, burocrática e desnecessária, isso ela é.

  • Henrique Machado

    Concordo com o Thiago. É um fenômeno que eu chamo de “encostou-caiu-é falta”. Já tá ultrapassando os níveis do ridículo.
    E ainda há mais um aspecto, que é o aspecto que me deixa sem esperança de ver isso resolvido num futuro próximo: a maioria dos torcedores concorda com essas faltas, acham que elas são realmente faltas. Eu acho que o motivo disso é os comentaristas de arbitragem dizerem que esses lances são, de fato, irregulares. Todo jogo eles falam: “podemos ver no replay que, nesse momento, há o toque entre os jogadores. Falta bem marcada”, como se todo toque fosse falta.
    Dá vontade de mudar de canal em alguns jogos… esses jogos já deixaram de ser futebol, é outra coisa. “Encostou-caiu-é falta”bol seria um bom nome pra esse novo esporte.
    Ou o futebol acaba com o “encostou-caiu-é falta” ou o “encostou-caiu-é falta” acaba com o futebol.

  • Alexandre

    Boa Henrique, essa do “encostou-caiu-é falta”.
    E o pior é que já está evoluindo para o “encostou-é falta”. Não precisa nem cair de maduro…

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