CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PODE JOGAR O ARROZ

Há casais que a gente olha e percebe que a separação é inevitável. A questão não é por que, e sim quando. O cara anda na frente da mulher, que passa o tempo todo reclamando dele. Quando estão juntos, são incapazes de um gesto carinhoso. Quando não estão, parecem mais felizes. Personalidades, interesses, conceitos, planos… é tudo diferente. Foram feitos um para ficar longe do outro, mas mesmo assim resolveram desafiar a natureza.

Será assim o matrimônio recém-contraído entre o Santos e Muricy Ramalho? Vejamos. Diferentemente do que acontece nesses tempos modernos (em que “celebridades” se conhecem, declaram à Caras que encontraram o amor de uma vida inteira, engravidam e se separam, tudo em mais ou menos duas semanas), a corte foi um processo longo. Quase à moda antiga.

O técnico estava saindo de um relacionamento, queria um tempo para si. O clube estava à procura de companhia para união estável, mas respeitou o espaço do outro. Muricy deu sinais, o Santos captou. O interesse mútuo era claro, mas não havia motivo para apressar as coisas. Depois de muitas conversas, as assessorias de ambas as partes divulgaram oficialmente a relação.

O problema é que há quem pense que eles não se encaixam. Aqueles que colaram em Muricy a etiqueta de técnico essencialmente defensivo o imaginam no comando do Santos e logo detectam incompatibilidade de gênios, por causa do tal “DNA ofensivo” do time. Desculpe, não estou nessa.

Extrair o melhor daquilo que está à disposição é o papel de todo treinador. Montar um time sem investir no que ele oferece de mais valioso é incompetência, talvez até burrice. Muricy não corre esse risco, está no outro extremo da conversa. E suas convicções não deveriam entrar nessa história como fontes de problemas conjugais, mas sim como elementos benéficos ao relacionamento.

Você acha que a defesa do Santos pode melhorar? Eu acho. Desse ponto de vista, a contratação de Muricy foi uma boa ideia? Lógico que foi. E de qualquer outro, também foi. Não irei tão longe a ponto de lembrar dos 3 títulos brasileiros seguidos com o São Paulo. Apenas voltarei a 2010.

O Fluminense de Muricy, campeão, teve o quarto melhor ataque do campeonato. Também teve a melhor defesa e o melhor saldo de gols. Parece uma combinação interessante.

Problemas existirão, como em todos os casamentos. Iniciar a convivência no meio da Libertadores (desde que o resultado de ontem tenha sido o que se esperava), por exemplo, pode gerar desgaste. E a vida sem Paulo Henrique Ganso, cenário cada dia mais provável, não ficará mais fácil. Mas a felicidade está ao alcance do Santos e de Muricy, que não são adolescentes cegos pela paixão.

Eles não se conheceram pela internet. Nem num encontro às cegas.

 



  • Anna

    Perfeito o post. Acredito muito em Muricy no Santos. Tem tudo pra dar certo!

  • Willian Ifanger

    Eu sei que foi apenas uma introdução, mas seu primeiro parágrafo foi muito bom. De fazer a gente pensar…

    O Santos com o Muricy só vai dar errado se os jogadores não se enquadrarem nas doutrinas do técnico. Os meninos terão que começar a se mostrar homens.

  • Leonardo Atleticano

    André, creio que o DNA ofensivo não vai ser problema algum, o problema é o DNA irresponsável, esse o Muricy vai penar para mudar a genética.

  • André concordo com seu texto, como sempre.. Tenho a impressão, não só pelo histórico do treinador, mas muito pela qualidade do elenco do Santos que mesmo com a provável venda do PH Ganso, mas com a volta de Arouca, a vinda de algum Zagueiro e um volante marcador (certeza que Muricy vai requisitar e conseguir um) o Santos é favorito ao titulo do campeonato brasileiro.. Lógico que com essa debandada de grandes jogadores voltando ao Brasil, não será o único favorito, mas gostaria de saber na sua opinião, tendo todos craques a disposição, quais seriam os principais favoritos aos titulos do Brasileira, Copa do Brasil e Libertadores?

  • Alexandre

    É tudo uma questão de espectativas. Se o Santos contratou o Muricy porque acha que isso o levará a conquistar títulos no curto prazo, então tudo indica que se decepcionará.
    Desconsiderando o Paulista, que pouco vale, o Santos tem 2 campeonatos neste ano: Libertadores e Brasileiro.
    Para a Libertadores, tudo indica que a vinda do Muricy veio tarde demais, já que só o mais cego dos otimistas acreditaria em boas chances de vitória no Paraguai com três desfalques importantes.
    Quanto ao Brasileiro, o Santos terá tantas mudanças importantes em seu elenco, de resto já deficitário no setor defensivo, que só mesmo um conjunto de contratações cirúrgicas, e por isto mesmo improvável, pode torná-lo candidato natural ao título.
    Independentemente da boba questão do DNA do Santos e do Muricy, não dá para contornar o fato de que, sem o Ganso e, talvez, sem o Neymar também, o elenco do Santos é muito limitado.

  • Raposo

    Acho que ele vai dar certo no Santos sim. os garotos jogam muito. Nao tem como colocar esse time na retranca. Tem que dar um jeito na cabeca do Neymar e acho que o Muricy tem uma maneira de ser que o Neymar vai respeitar.
    O unico problema eh o carater questionavel do tecnico. Se os jogadores comecarem a sair, ele abandona o barco na mesma hora, no meio de qualquer competicao.

  • Luiz Felipe

    Cai hoje o Roth. Antes tarde do que nunca.

    Se o Muricy agora tá empregado, pelo menos o Tite também está!!!!!!!! Que maravilha!!!

    Quem venham o Rei de Roma ou o Capitão do Tetra!!!

  • Marcos Vinícius

    O Santos tem DNA ofensivo?NÃO!O que acontece é que o Santos,mais uma vez,teve a sorte/competência de revelar jovens valores que podem marcar uma geração,tal qual aconteceu com Robinho,Diego e Elano.Hoje,Ganso,Neymar e o não tão badalado mas muito eficiente Zé Eduardo formam a espinho dorsal ofensiva do time.Isso é bom,são jogadores de qualidade indiscutível,principalmente o Ganso,mas isso não quer dizer que o Santos tenha “DNA ofensivo”.Quer dizer que o time dispõe de jogadores dotados de grande capacidade técnica,capazes de decidir uma partida,ou um campeonato,numa única jogada.

    O que mais gostei da contratação do Muricy,de quem sou admirador,pelo Santos foi o fato de acabarem as molecagens dentro de campo,no sentido de discussões infantis,de quem bate ou não penalidades,de desrespeito ao adversário,enfim,Muricy é ranzinza,mas sério e eficientíssimo.Cobra,mas oferece respaldo.Nos tempos atuais,não se encaixa no estilo boleiro de Renato Gaúcho,ou paizão de Dorival Júnior e Joel Santana.Aliás,não se encaixa em estilo nenhum.Tem o estilo Muricy de ser,que o faz ser uma unanimidade nacional em se falando de eficiência.Prova disso é o salário,nos padrões europeus,por nossas bandas tido como astronômico para um treinador.
    Se o Santos passar pela primeira fase da Libertadores,e eu acho que passa,com Muricy no comando tem grandes chances de ser campeão.

  • Henrique

    Pensei que ia ter algum comentário sobre o pênalti perdido pelo Rogério Ceni, de forma bisonha.

    Com o penalti perdido na quarta,a média dele é a seguinte:a cada 4 penalidades,ele disperdiça uma.

    Vc acha uma boa média?Teria coragem de perguntar isso pra ele?Ou ia preferir, pela enésima vez, questionar se ele sonha em ser presidente do clube?

    AK: Não, não é uma boa média. Sobre ser presidente de clube, fiz essa pergunta ao Rogério apenas uma vez, numa entrevista para meu antigo blog no IG. Não tenho nada a ver com seus evidentes problemas com ele. Nem posso resolvê-los. Um abraço.

  • Daniel Lobo

    Antigamente existiam dois tipos de técnico , os vencedores e os perdedores. Após Rinus Mitchels e Telê Santana revolucionarem o futebol mesmo perdendo, a mudança passou para retranqueiros e ofensivos. Após a decadência do futebol como jogo motivado por medos e mentiras após 74 e 82, por exemplo: Mentira italiana – Bom ataque ganha jogo, boa defesa ganha campeonato. Mentira Brasileira – É preferivel perder como em 82 a ganhar como em 94. Mentira Argentina – Maradona é melhor que Pelé pois ganhou uma Copa sozinho. A Espanha 2010 desmentiu todas elas mostrando que é possível vencer dando espetáculo. O Brasil insiste em copiar padrões europeus no futebol por síndrome de colônia. Muricy no Santos é uma icógnita, pelo fato de ter implantado o pragmatismo e se tornar o Rei dos Pontos corridos. Como o senhor goleadas de um a zero, que manda imprensa ir buscar espetáculo no municipal pode ser treinador do time que resgatou a essência do futebol arte. Em um torneio no qual definitivamente é o mais previsível dos treinadores, presa fácil. Ou será ele a outra face da moeda, o útil que falta ao agradável Santos e principalmente a disciplina exata para baixar essa fogueira de vaidades. Qual será?

  • Alberto Pereira

    O Muricy denmonstrou no Flu que não tem muita paciencia, como ele vai lidar com esses inconsequentes atletas do Santos?

  • Raposo

    Daniel Lobo,
    Sensacional o seu texto, adorei. Que analise bem feita, Parabens.

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