COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

UMA NOVA ESPÉCIE

Uma figura tradicional do futebol brasileiro está condenada à extinção. A boa notícia – para ela – é que o processo ainda avança em outras partes do mundo e levará algum tempo para chegar aqui. A má notícia é que o animal em perigo não pode fazer nada para evitar seu desaparecimento. E ninguém pode ajudá-lo. Ele será substituído na cadeia alimentar.

O diretor de futebol (ou o gerente, o vice-presidente, o supervisor…), como o conhecemos hoje, dará lugar a alguém superior. Mais preparado, mais antenado e, principalmente, mais bem informado para tomar as decisões certas no crucial momento de contratar. E vai demorar um pouco mais, mas esse novo executivo também terá o respaldo necessário para fazer o que nenhum dirigente nessa posição faz: ser chefe do treinador.

Nos Estados Unidos, as ligas de basquete, futebol americano e beisebol já sofreram essa radical mudança de comando. Em especial no caso do basquete e do beisebol, esportes em que a avaliação de jogadores se baseia quase que somente em estatísticas, o cargo de gerente geral tem sido ocupado por administradores e engenheiros. Gente que talvez jamais tenha pensado em trabalhar no mercado esportivo e que poderia atuar em empresas de qualquer outra área. Conhecimento de finanças e análise de dados são as habilidades que esses profissionais oferecem aos clubes. Claro, o modelo de gestão esportiva nos EUA é diferente do brasileiro, o que contribuiu para a revolução.

O futebol não pode ser explicado, ou entendido, apenas por uma planilha ou tela de computador. Há outros fatores que desempenham papel importante na valorização e na remuneração de jogadores. Mas, em breve, não haverá mais espaço para o dirigente que chegou ao posto mais alto do departamento de futebol sem possuir a devida qualificação. O sujeito que era do mesmo “grupo político” do presidente recém-eleito. O cara que fez um “grande trabalho” na diretoria de esportes aquáticos. Que “conhece o clube”, que “sabe dos bastidores”. Em outras palavras, aquela pessoa que ninguém entende bem por que está ali.

O espaço será ocupado por dois tipos de novos dirigentes. Um é o ex-jogador, mas não qualquer. É o ex-jogador que conseguir complementar o conhecimento acumulado na carreira com capacidade gerencial, adquirida com formação específica. O outro é o agente de atletas, que deixará a representação de jogadores para servir ao clube com sua especialidade: identificar valor e negociar.

Na Europa, já é comum. Mas ainda não vimos, no Brasil, um empresário de jogadores ser contratado para trabalhar como dirigente. Sei de um que foi convidado por dois clubes da Série A para ser diretor de futebol. O acerto não se deu, apenas, porque ele quis se proteger com uma alta multa para rescisão de contrato. Sabe que teria desgastes internos, principalmente com o treinador . “Hoje, eu não duraria um mês”, contou.

Com valores cada vez mais altos e contratos longos, erros em contratações custam caro. O diretor que contrata de ouvido, ou por DVD, já está de aviso prévio.



  • Anna

    Acho que essa pra ser explicada, só Charles Darwin e a sua teoria da evolução! O interessante nesse gerente de futebol é que ele precisará ter uma formação específica e não poderá ultrapassar os limites dos agentes de futebol para que haja espaço para todos. Bom domingo a todos!

  • Olá, André, não comento muito, mas estou sempre de olho no blog. Acho que ja passou da hora do futebol brasileiro modernizar sua estrutura de comando e colocar gente mais preparada para comandar a parte esportiva dos clubes.

  • Clayton

    O empresário em questão é Pepe Dioguardi. Aposto que um dos clubes que o convidou foi o Palmeiras. O outro clube não faço ideia.

  • Jose

    Coluna interessante, pra se refletir.

  • Realmente os clubes de futebol no Brasil, precisam desta mudança. Afinal, chega de dirigentes amadores, que agem pela emoção e não pela razão.
    Quando essa mudança ocorrer, os clubes poderão colher bons frutos.

  • Jade

    Boa análise de como deverá ser o dirigente de futebol e o papel do agente nesses tempos midiáticos.

  • Diego

    Faltou considerar a contratação do Aod Cunha, pelo Internacional…

    Mas isso é pedir demais para um veículo que dificilmente olha para fora do eixo RJ-SP…

    AK: Cunha vai contratar jogador? Volte quando estiver curado. Um abraço.

  • Alex

    concordo contigo, mas sinceramente duvido disso nos próximos 10 anos. não existe interesse em modernizar e profissionalizar nada. assim fosse não existiria mais clubes de futebol no país.

  • Diego

    “Volte quando estiver curado”..

    Não entendi. ou prefiro não entender. Se não é cpaz de aceitar uma crítica, por favor, desconsidere-a. Há ferraments no blog para deletar meu comentário, sem insultos.

    PS: Experimente entender a função que Aod irá exercer no Inter – que não é omeu clube.

    “Um Abraço”

    AK: Não há motivo para apagar seu comentário. Se você lesse o blog, não faria a reclamação que fez. Um abraço.

  • Luiz

    A inclusão de times da MLS na Libertadores poderia acelerar este processo na América do Sul?
    O clubes Mexicanos ( acho que possuem a liga mais rica da AL) ja contam com este tipo de profissional?
    Abraços

  • Carlos Eduardo Bastos

    André, assim como os políticos ainda nomeiam pessoas despreparadas para certos cargos técnicos, ainda acho que vai levar um bom tempo pra isso mudar no futebol brasileiro.

    Acho que nosso problema ético-educacional ainda nos obriga a conviver algumas coisas, e não deve mudar em breve.

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