CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Marcos escreve: André, o gol é  o momento mais sublime do futebol, uma das coisas que mais enriquecem o currículo de um jogador e tudo que a torcida espera que aconteça. Mesmo assim, alguns jogadores insistem em não comemorar quando marcam contra o ex-time. O que você acha disso?

Resposta: Acho que há casos em que faz sentido. Pegue um jogador como Raul González, por exemplo. Passou a vida no Real Madrid, hoje joga no Schalke 04. Seria perfeitamente compreensível se ele não comemorasse um gol marcado contra o ex-time. A relação de um jogador com um clube tem muito a ver com o tempo. Longas permanências no mesmo clube são cada vez mais raras no futebol. Mesmo assim, temos visto muitos exemplos de jogadores que não comemoram gols “por respeito” a um determinado time, sem que essa relação exista. É direito deles? Claro. É nosso direito opinar? Sim. Imagino que sua pergunta foi motivada pela declaração do Adriano, que disse que não comemorará um eventual gol marcado contra o São Paulo. Na minha opinião, é exagero.

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Karlo escreve: No texto sobre o centésimo gol do MITO, você escreveu: “Nenhum jogador brasileiro de futebol personifica seu clube como Rogério Ceni.” Achei interessante o detalhe do “brasileiro”. Na sua opinião há algum jogador estrangeiro que personifique seu clube tanto quanto o Rogério em relação ao São Paulo?

Resposta: Casillas, Xavi. Giggs, talvez. Maldini, enquanto jogou. Deve haver mais.

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Desney escreve: Estou com você na questão do auxilio eletrônico em jogos de futebol. Vi também que a maior preocupação (leia-se resistência) da FIFA com relação à implantação seria a demora para esclarecer determinados lances. Confesso que não acompanho jogos de tênis, onde essa tecnologia já existe, mas ultimamente tenho visto o MASTERS 1000 e notei que apesar desse recurso existir, não vemos os jogadore solicitando que o jogo seja parado para revisão de um lance. Aí vem a pergunta: acredita que no futebol seria diferente? Não seria o caso de implantá-lo e limitar o seu uso (cada time tem direito a 1 pedido)?

Resposta: O hawk-eye, usado no tênis, não é usado em todos os torneios. Está disponível, mas depende dos organizadores, ou patrocinadores, estarem dispostos a pagar pela instalação do sistema. Em muitos eventos, o sistema só é instalado em algumas quadras. Talvez você tenha assistido a jogos em que não havia essa opção. Os jogadores, de modo geral, gostam da ideia e a utilizam, conforme as regras. No futebol, a tecnologia na linha de gol está em estudo pela Fifa. Há vários sistemas que podem verificar se a bola entrou ou não, divididos basicamente em dois grupos: as câmeras (como no tênis) e a bola com chip. A Premier League será o primeiro campeonato top de linha a utilizá-lo para testes, sem que os resultados sejam divulgados. A grande questão é mesmo o tempo de paralisação do jogo. Nesse caso específico (bola entrou ou não) não deveria haver limite de pedidos. Aliás, o uso do sistema não deveria nem depender dos times. Há dúvida se foi gol? Pergunte ao sistema. Deve ser uma prerrogativa do árbitro.

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Jorge escreve: André, tenho uma pergunta. Suponhamos que o time do São Paulo estivesse ganhando um jogo por goleada, de um time “fraco”, desses que se enfrenta em primeira fase da Copa do Brasil, e aos 10min do segundo tempo com o São Paulo ganhando de goleada o técnico resolve substituir um atacante pelo goleiro reserva, e desloca o Rogério Ceni para o ataque para jogar o restante do jogo como jogador de linha, pode? e se puder seria gol de goleiro ou de atacante?

Resposta: Exceção feita à Copa do Mundo, em que goleiros são inscritos como tais e não podem atuar em outra posição, os goleiros são jogadores como outros quaisquer. A hipótese que você sugere é possível. E se o Rogério fizesse um gol, obviamente seria mais um gol de goleiro, pois essa é a posição original dele. Lógico que todo mundo lembraria que, naquele dia, houve uma substituição e ele jogou alguns minutos na linha. Não dê ideias ao Carpegiani…

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Como sempre, obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Teobaldo

    Gostei da pergunta do Joge e reconheço minha ignorância em relação ao fato de o goleiro não poder “jogar na linha” numa Copa do Mundo o que, na minha opinião, contraria a regra. Valeu! Um abraço.

    AK: Explicando o que acontece na Copa: em Mundiais, as seleções são obrigadas a inscrever 3 goleiros. Não é permitido, por exemplo, inscrever um lateral como goleiro para ter um jogador de linha a mais no grupo. Foi isso que supostamente a Coreia do Norte tentou fazer na África do Sul. Isto dito, durante um jogo, a situação proposta pelo email não é proibida. Um abraço.

  • Leandro Azevedo

    O Dede do Borussia nao personifica o clube, como os seus exemplos, mas se tornou um baita idolo por la.

    Quanto ao Hawk-eye, eh um sistema que funciona com tamanha rapidez (pelo menos no Tenis), que uma paralizacao em lance duvidoso de gol talvez seria mais rapido que o tempo que levam os jogadores reclamando.

    AK: E ver o replay para elucidar a esmagadora maioria dos lances polêmicos leva, em regra, menos tempo do que a paralisação causada pela reclamação de quem se sente prejudicado. Um abraço.

  • Anna

    Desses jogadores que você citou, a meu ver, os que mais personificam seus clubes, sendo estrangeiros, são Xavi e Maldini. Não consigo imaginar o Barça e o Milan sem eles, fazem parte da História. O hawk-eye tinha que ser usado no futebol pra ontem. No tênis, na partida entre Djoko e Mardi Fish, teve uma hora que o juiz de linha errou uma bola dizendo que tinha ido pra fora, mas o Fish peitou e pediu o recurso tecnológico. Simplesmente sensacional e foi rapidinho.

  • Vinicuis lemos

    Adorei o “não de ideias pro Carpegiani…”.
    Resumiu toda a minha opiniao de torcedor sobre o tecnico do SPFC.

  • Marcel Souza

    Não dê ideias pro Carpegiani, sensacional!!!

  • Tiago

    Olá André!

    Ainda na questão do “não dê ideias ao Carpegiani”:

    No livro “Maioridade Penal – 18 anos de histórias inéditas da marca da cal”, Rogério fala, no capítulo “Ficou na vontade”, sobre jogar na linha.

    Não vou estragar a leitura de ninguém contando os casos, então vai só o final do capítulo:

    “Não era para acontecer. Com certeza, para a história, é melhor imaginar como teria sido.”

    Abraço!

  • Willian Ifanger

    Hahahahahaha……”não dê idéia ao Carpegiani…”……muito muito boa!

    Massssssss, se ele fizesse algo assim (toc-toc-toc), o Rogério teria que trocar de camisa correto? Teria que ter uma camisa de jogador de linha com o no1 ali no banco?

    AK: Sim, porque a regra manda o goleiro usar um uniforme diferente. Jogador de linha não pode usar camisa de goleiro. Um abraço.

  • Willian Ifanger

    Ou seja, se um dia alguém vir perdido no vestiário do Morumbi uma camisa de jogador de linha com o no1, saberemos qual blog o PCC anda frequentando….;-)

  • Kurt

    Tenho mais alguns exemplos de jogadores…

    Totti – Roma (sem comentário…. esse cara é a personificação da Roma, no sentido literal da palavra)

    Del Piero – Juventus (não saiu nem encerrou a carreira quando a Juve precisou dele)

    Gerrard – Liverpool (outro que tem o time no sangue)

    Mehmet Scholl – Bayern Munich (lembra dele?)

    Alex Ferguson – Manchester United (vale?)

  • Anna

    Tinha me esquecido de Totti, da minha Roma, e de Alessandro Del Piero, da Vecchia Signora, a Juventus. Eles também personificam seus clubes como Rogério Ceni, Xavi e Maldini. Isso sem falar de Zico, no Fla, e Roberto Dinamite, no Vasco. Bem lembrado pelo Kurt.

  • Edward Fernandes

    Andre,

    permita discordar de vc, mas o gol foi marcado pelo jogador Rogerio atacante e não naquele momento Rogério goleiro.

    Abraços

    Edward

    marcado
    Gk

    ol

  • Leandro

    E quais seriam os jogadores que mais exemplificam os outros times grandes do Brasil, mesmo que num passado já distante? Penso em Wladimir pro Corinthians, Ademir da Guia pro Palmeiras, no Santos imagino que seja desnecessário dizer, Tostão no Cruzeiro, talvez Danrlei pro Grêmio.

  • jhonatan

    o que tem que fazer no caixa postal

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