CAMISA 12



(publicada ontem , no Lance!)

BANANAS PARA TODOS

A proximidade das eleições na Fifa mexe com tantos interessses que o presidente Joseph Blatter descobriu que as obras para a Copa de 2014, no Brasil, caminham na velocidade de uma expedição ao topo do Everest. Ainda bem que Orlando Silva, nosso ministro do Esporte, logo tranqüilizou o planeta ao avisar que, para o governo, “a Copa do Mundo é hoje”. É o primeiro Mundial na História a começar sem estádio para a abertura. Uma inovação.

Antes que você desista da leitura, esta não é uma coluna sobre a Copa. É sobre uma campanha da Fifa que registra o mesmo nível de (in)sucesso das tentativas de acabar com a violência em nossos estádios: “Diga não ao racismo”. Lembra dela?

Nos estádios, principalmente os europeus, ninguém lembra. E episódios como o do último domingo, no amistoso entre Escócia e Brasil, não ajudam. Não é apenas a banana que voou para o gramado do Emirates, mas também o que aconteceu depois.

Logo após o jogo, enquanto Neymar reclamava, vídeos se reproduziam pela internet mostrando que o setor de onde teria partido a fruta estava repleto de torcedores brasileiros. Como não havia registro de reações irritadas a um ato ofensivo cometido por um estrangeiro, logo, quem jogou a banana só pode ter sido um compatriota de Neymar. Esses brasileiros…

O aparecimento de um turista alemão, adolescente, nas imagens do circuito interno de TV do estádio londrino derrubou a tese. Mas piorou a história. A polícia inglesa o encontrou, ouviu que ele, imagine!, não teve nenhuma intenção de ofender e deu o caso por encerrado. Afinal, quem consegue detectar subjetividade num simples arremesso de banana? Aposto que o rapaz disse que tem “vários amigos negros”.

O turista alemão (que fique claro: a nacionalidade não importa) pode estar falando a verdade. A banana era parte de seu lanchinho da tarde e o arremesso foi um ato de emoção irresistível após o segundo gol de Neymar. Assim como o torcedor russo que recentemente ofereceu uma banana (coincidência…) a Roberto Carlos estava apenas preocupado com os níveis de potássio no organismo do lateral brasileiro. Coitado, foi punido por ser gentil. Pode ser. Só tenho muita dificuldade para acreditar.

Uma banana atirada, num estádio europeu, na direção de jogadores estrangeiros, brasileiros e negros, é um ato que só pode estar enquadrado em três categorias: 1) ofensa racial, 2) gigantesca imbecilidade, 3) ambas.

É compreensível que Neymar, que ficou mais um dia em turnê de marketing por Londres, não tenha feito uma queixa formal. Já a passividade da CBF e das autoridades inglesas, não. E a Fifa, que tem uma campanha institucional de combate ao racismo no futebol, ficou muda.

Deve ser por causa da eleição.



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