CAMISA 12



(publicada ontem , no Lance!)

BANANAS PARA TODOS

A proximidade das eleições na Fifa mexe com tantos interessses que o presidente Joseph Blatter descobriu que as obras para a Copa de 2014, no Brasil, caminham na velocidade de uma expedição ao topo do Everest. Ainda bem que Orlando Silva, nosso ministro do Esporte, logo tranqüilizou o planeta ao avisar que, para o governo, “a Copa do Mundo é hoje”. É o primeiro Mundial na História a começar sem estádio para a abertura. Uma inovação.

Antes que você desista da leitura, esta não é uma coluna sobre a Copa. É sobre uma campanha da Fifa que registra o mesmo nível de (in)sucesso das tentativas de acabar com a violência em nossos estádios: “Diga não ao racismo”. Lembra dela?

Nos estádios, principalmente os europeus, ninguém lembra. E episódios como o do último domingo, no amistoso entre Escócia e Brasil, não ajudam. Não é apenas a banana que voou para o gramado do Emirates, mas também o que aconteceu depois.

Logo após o jogo, enquanto Neymar reclamava, vídeos se reproduziam pela internet mostrando que o setor de onde teria partido a fruta estava repleto de torcedores brasileiros. Como não havia registro de reações irritadas a um ato ofensivo cometido por um estrangeiro, logo, quem jogou a banana só pode ter sido um compatriota de Neymar. Esses brasileiros…

O aparecimento de um turista alemão, adolescente, nas imagens do circuito interno de TV do estádio londrino derrubou a tese. Mas piorou a história. A polícia inglesa o encontrou, ouviu que ele, imagine!, não teve nenhuma intenção de ofender e deu o caso por encerrado. Afinal, quem consegue detectar subjetividade num simples arremesso de banana? Aposto que o rapaz disse que tem “vários amigos negros”.

O turista alemão (que fique claro: a nacionalidade não importa) pode estar falando a verdade. A banana era parte de seu lanchinho da tarde e o arremesso foi um ato de emoção irresistível após o segundo gol de Neymar. Assim como o torcedor russo que recentemente ofereceu uma banana (coincidência…) a Roberto Carlos estava apenas preocupado com os níveis de potássio no organismo do lateral brasileiro. Coitado, foi punido por ser gentil. Pode ser. Só tenho muita dificuldade para acreditar.

Uma banana atirada, num estádio europeu, na direção de jogadores estrangeiros, brasileiros e negros, é um ato que só pode estar enquadrado em três categorias: 1) ofensa racial, 2) gigantesca imbecilidade, 3) ambas.

É compreensível que Neymar, que ficou mais um dia em turnê de marketing por Londres, não tenha feito uma queixa formal. Já a passividade da CBF e das autoridades inglesas, não. E a Fifa, que tem uma campanha institucional de combate ao racismo no futebol, ficou muda.

Deve ser por causa da eleição.



  • thiago

    A federeção escocesa solicitou que o Neymar pedisse desculpas…. pode um negócio desses ?!

    AK: São humoristas. Ou, como o 1o de abril chega antes na Europa, pode ser isso… um abraço.

  • Leonardo atleticano

    André, quanto ao racismo e suas declarações concordo 101%com vc, mais uma vez.
    André, quanto ao fato do Brasil ainda não ter um estádio definido para a abertura da copa, isso se deve única e exclusivamente aos interesses financeiros e políticos de se dar um estádio ao Corinthians, as obras no Mineirão estão bem adiantadas em relação aos demais postulantes, o problema é ele ficar em Belo Horizonte. Realmente é um absurdo.

  • Edouard Dardenne

    Você viu isso? http://www.telegraph.co.uk/sport/football/teams/scotland/8419625/Brazil-striker-Neymar-should-apologise-for-banana-slur-at-Scotland-fans-but-dont-hold-your-breath.html
    Na Inglaterra, espera-se que Neymar peça desculpas. Ao menos uma das minhas perguntas foi respondida. Ao que parece, aquela banana era parte de uma dieta controlada do alemão, com 5 porçoes diárias… Um abraço.

    AK: Vi. Ridículo. Ainda bem que o Neymar já declarou que não vai pedir desculpas a ninguém, mesmo porque não acusou ninguém especificamente. Um abraço.

  • Anna

    “Diga não ao racismo e a Fifa apertou a tecla MUTE”. Muito boa essa, André. A mais pura e triste verdade.

  • Leandro Azevedo

    Eu nao acho que o Neymar vai pedir desculpas, nem que deveria, mas nao condeno a atitude da federacao da Escocia em tentar que isso aconteca. Vou tentar me explicar…

    Na Europa, por causa de atos de alguns idiotas, paises inteiros ficam taxados de racistas e o futebol daquele pais em geral tb. O futebol Espanhol eh taxado de racista por atos que acontecem em alguns estadios (mas nao lembro de algo assim ter sido noticiado no Camp Nou), e a generalizacao eh imediata. No momento que aconteceu o ocorrido, a primeira reacao foi culpar um escoces (nao que tenha partido do Neymar, mas da imprensa do mundo inteiro) e depois de identificado o culpado, nada mais justo que os escoceses quererem limpar ainda com mais clareza a sua imagem e tentar afastar de vez esse estigma.

    Concordo com a atitude do Neymar, mas se a CBF em algum momento tenha se manifestado de alguma forma apontando um torcedor da Escocia como o “racista”, acho que a entidade SIM deveria pedir desculpas.

    AK: Não houve nenhuma acusação contra escoceses. Um abraço.

  • Lucas

    Vivemos uma época de patrulhamento ideológico, próprio dos radicais extremados, de direita (nazistas, racistas) e principalmente de esquerda (seus julgadores contumazes), já que o Partido dos Trabalhadores no Poder há já quase dez anos, perpetua o uso de rótulos, apregoa seu nacionalismo à brasileira (principalmente nos campos internacionais de futebol, ou onde se apresenta a Seleção Brasileira). Seus arautos na imprensa valorizam fatos e atos que nas nações ditas realmente civilizadas e cultas, seriam ações apenas a ser lamentadas. A FIFA defende realmente o seu lema “say no to racism”. O que vimos no jogo entre Brasil e Escócia em Emirates foi um fato isolado, lamentável, que está sendo distorcido não sei bem com que intenção. Nos últimos anos, vários jogadores, atletas, empresários e parlamentares estão sendo acusados de racistas e perdendo o direito sagrado de manifestar livremente a sua opinião dentro da vigência do estado de direito, que garante a democracia que elege os radicais que lutam em nome do povo. Estão sendo colocados contra a opinião pública com a ajuda dos pretensos “formadores de opinião”, manipuladores da verdade e do que seja certo ou errado. Dentro de sua total soberba e na defesa de princípios de razão cartesiana, estes “profissionais” agem intencionalmente para de forma totalmente revisionista darem a sua versão dos fatos. Que bom que através da net (globalizada, apesar da ação das ditaduras de esquerda, que existem, em todo o planeta) este espaço e outros iguais a ele, também podem ser monitorados! Neymar não é modelo de ídolo que deva ser cultuado, defendido ou idolatrado. Lamentável mesmo… BANANAS PARA TODOS!

    AK: As crises de abstinência são assim. Mas passam. É preciso ter força para perseverar. Um abraço.

  • Leandro Azevedo

    Achamos 1 dos 120.000 que votaram no Bolsonaro…

    AK: Mas ele provavelmente não lembra…

  • Lucas

    Não votei nele não… Só não gosto de ôba-ôba! Quando não se deseja argumentar com quem defende ponto de vista diferente, o melhor é desqualificar quem escreve! Normal e já esperado. Abraços mesmo assim!

  • Edouard Dardenne

    Lucas,
    Como você vem aparecendo assiduamente aqui, queria tentar entender melhor a sua opinião. É mesmo uma tentativa. Você defendeu com bastante paixão o direito à manifestação do pensamento mas aparentemente acha que a solução para isso é desqualificar quem discorda de você. Então vamos lá.
    Eu não acho que estejamos vendo injuria racial onde não há. Acho que estamos vendo injuria racial onde ela foi e vem sendo banalizada.
    Por favor, veja se você concorda: jogar uma casca de banana em direção a um jogador negro e brasileiro é uma das muitas formas de chamar esse jogador de macaco. Certo? Neste caso, o insulto terá, por si, evidente conotação racista.
    Eu não penso que o torcedor alemão tenha ignorado esse fato. Só por isso, o ato dele é grave, muito grave. Mas vamos supor que isso não tenha passado pela cabeça dele. Para isso, ele precisaria estar absolutamente alheio a tudo o que vem ocorrendo na Europa, com o problema das ofensas raciais durante a partida. Lembra doS casoS do Eto’o? Pois é. O torcedor precisaria tê-los esquecido, ainda que, por se tratar de um alemão que opta por assistir a um jogo entre Brasil e Escócia, em Londres, possamos presumir que ele acompanhe minimamente o futebol.
    Além disso, o que ele fazia com uma banana em pleno estádio? Por que ele estava comendo uma fruta tropical neste início de primavera inglesa? E, puxa vida, que coincidência, ele atirou a casca na hora em que o Neymar fez o segundo gol.
    Então, se você pretende sustentar a liberdade de manifestação do pensamento para defender os direitos de quem pretenda dizer que há diferença entre brancos e negros, faça-o respeitosamente e eu vou ouvir e defender os direitos que você tem de fazê-lo até morrer, mas sem concordar com uma só palavra.
    Mas, por favor, não me venha vilipendiar uma garantia constitucional que eu aprendi a cultuar com fervor. A liberdade de manifestação do pensamento não dá a ninguém o direito de injuriar outrem com conotação racial.
    No mais, não se trata de culto ao Neymar. Aliás, ainda bem que foi com ele, que tem plena condição de mostrar que de ‘raça inferior’ não tem nada, ele que, parece, terá ainda muito sucesso profissional e pessoal na vida e parece ter valores morais e sociais bem definidos. Meu problema é que se faça isso com quem não consegue se fazer ouvir para se defender.
    Um abraço.

  • Kurt

    Geralmente, casos de racismo são mais complicados do que aparentam ser…

    Pois a definição de racismo não é tão simples, algumas vezes pode ser confundido com xenofobia. E o produto resultante do racismo, geralmente vandalismo e/ou violência, também pode gerar confusão, ainda que próximos, vândalos, pessoas violentas e racistas pertencem a grupos distintos.

    No futebol, temos exemplo de casos que envolvem todos elementos, enquadrá-los todos como racismo levará as entidades competentes a tomar as medidas erradas para combatê-los, afinal não se cura pneumonia com remédios para gripe. Digo isso porque existe o outro lado da moeda, existe quem procure tiara proveito desses atos, quando classificados de tal forma.

    Identificamos exatamente o mesmo ato no jogo São Paulo x Corinthians, objetos (copos d’água, baquetas e pedras) foram arremessados no campo. Mas isso, classificamos como violência pura, mas se estivesse jogando um time de SP contra um time do Nordeste, a classificação poderia ser diferente. Na libertadores, vemos na maioria dos jogos, e também são classificados conforme interesse.

    Veja o que acontece na Europa, veja como tais classificações afetam o futebol. Se um time considerado grande nos países mais relevantes para o futebol do velho continente não tiver nenhum jogar estrangeiro e/ou negro no time, como ele é classificado? Se um juiz não marca falta em um jogador com as mesma características, como seu trabalho é analisado. Não é preciso ir longe, só se lembrar das reivindicação de alguns jogadores quando são marcados de maneira mais dura pelos adversários ou quando se sentem prejudicados pela arbitragem, vejam o que eles alegam, alegam perseguição e racismo.

    Neymar pode ir jogar na Europa em pouco tempo, mas junto com toda a habilidade o jogador carrega a característica de tentar enganar a arbitragem e de provocar adversários sem necessidade. Ambos são atos que os europeus não toleram em seus torneios, mas para Neymar, pode ser proveitoso classificar as consequências de seus atos (reação exaltada de jogadores e torcedores adversários, punição por simulações ou simplesmente não marcar determinadas “faltas”) como manifestações racistas…

    Manifestações violentas, xenofóbicas ou racistas são isoladas e executadas por uma pequena minoria (no caso do jogo da seleção a proporção foi de 1 para 60.000,00, enquanto no jogo do São Paulo vs Corinthians foi de uns 15 para 18.000,00)

    Enfim, devemos ser cautelosos nesses assuntos, pois da mesma forma que medicar um paciente com pneumonia com remédios para gripe, classificar todas as manifestações repulsivas no futebol como racismo só tente a piorar o as coisas.

  • Lucas

    Caro Edouard, Muito obrigado pela sua atenção. Não estou aqui para desqualificar ninguém e por isso, também não gosto de ser desqualificado. Não gosto da radicalização que está sendo aplicada a esta situação, neste momento, e que acaba se transformando em mais um factóide de uma imprensa com pseudas-informações. Considero Neymar um craque fantástico, mas um moleque de atitudes altamente discutíveis. Um jogador sem estrutura moral para defender o Brasil em uma Copa do Mundo. Mesmo assim, acho lamentável que alguém agrida outro ser humano, jogando uma casca de banana, banana inteira, copo de água ou o que quer que seja. É uma atitude sempre lastimável e que deve ser condenada. Aqui no Brasil, já vi atirarem pilhas de rádio e até uma dentadura inteira na partida entre o Palmeiras e o Corinthians na final do Paulistão 1993. Muito triste mesmo! Não faltei com o respeito em momento algum e não estou vilipendiando nada, já que também advogo há muito tempo, defendo o estado de direito, mas sei que infelizmente, em muitas situações de “democracia”, acabam por transparecer emoções radicalizadas e até a vontade da maioria pode acabar encobrindo uma grande asneira! Estou apenas defendendo o meu ponto de vista, diferente daquele feito pelo André. Sou descendente de italianos e sei o que meus antepassados plantaram de bom e de ruim nesta e em outras terras. Conheço inclusive os princípios que movem ideologicamente o pessoal do “norte da bota”, a chamada Lega Lombarda – terrivelmente racista e de atitudes condenáveis. E mais uma vez, acredito que estejam exagerando muito na defesa de um jogador que insiste em se julgar muito melhor do que a maioria apelando e abusando sempre com dribles humilhantes, mesmo quando pode fazer o simples! Isto não é futebol-arte! Ele não deve mesmo ir para o Exterior, a não ser que tenha mesmo virado homem! Se tentar zombar de um homem de origem européia, terá a suas pernas quebradas em função disso! Será muito triste mesmo! Ele está a muitos anos luz do que foi Mané Garricha e qualquer comparação neste sentido seria muito chula! Já estive em estádios do Brasil, Inglaterra e Escócia. O povo destes países sempre recebeu bem a nós brasileiros antes do Itamaraty ter virado mais um órgão de política partidaria e ideológica e não deve ser chamado de racista tão facilmente! É só isso. Forte abraço.

    AK: Permita-me: este é o PRIMEIRO comentário, de sua parte, enviado ao blog, em que o desejo de participar do debate está claro. Não concordo com o espírito da sua mensagem, mas não vejo nela o nonsense habitual. Por isso, e só por isso, responderei: esse caso nada tem a ver com o Neymar pessoa ou jogador. Jogaram uma banana na direção de um jogador de futebol estrangeiro, brasileiro e negro. Não se vendem bananas no Emirates. O objeto atirado não foi um sorvete, um chocolate, um sapato. Foi uma banana, que foi levada para o estádio por quem a atirou. Não ver ofensa nesse episódio é, aí sim, tentar desvirtuá-lo. Um abraço.

  • Fred

    André,

    Essa exigência de pedido de deculpas feita pela Federação Escocesa é um deboche completo!!! Será que eles imaginam que os brasileiros são todos imbecis ? Se a CBF fosse uma instituição séria e que defendesse os interesses dos nossos jogadores, deveria oficialmente romper relações com esssa gente. Essa exigência de retaratação pra mim só serve pra mostrar o quanto esse povo é racista de verdade e não nos respeita.

    Outra coisa, o tal de Lucas escreveu : “Se tentar zombar de um homem de origem européia, terá a suas pernas quebradas em função disso! ”

    Será que esse sujeito pensa que os europeus são mais dignos ou mais homens que os outros ? Quanta infelicidade….O pior é que se diz advogado, talvez seja por esse tipo de advogado que o nosso poder judiciário seja tão ruim…

    Um abraço

  • Leandro Azevedo

    Lucas,

    Baseado no que voce disse, o “racismo” ou ofensa contra alguem depende muito de como essa pessoa se comporta ou como VOCE julga essa pessoa na sociedade?

    Pq o seu argumento se baseia no fato de o Neymar ser uma “sem estrutura moral para defender o Brasil em uma Copa do Mundo” e que “não é modelo de ídolo que deva ser cultuado, [b]defendido[/b] ou idolatrado”, justificando entao um ato de “livre expressao” de uma pessoa que pense como voce? Mas nao racismo?

  • Lucas

    “O Brasil não é um país sério”. (Charles de Gaulle) Parabéns pela rápida ação da confraria de defesa do blog. E desculpem muito, se minhas palavras os ofenderam, e por pensar diferente! Abraços. Atirem suas pedras (“bananas”???)…

    AK: Parece que chegamos ao fim dos argumentos. Não surpreende. Um abraço.

  • Alexandre

    Segundo o “raciocínio” do Lucas, Neymar é só um pretinho insolente que merece bananas na cabeça e pernas chutadas por homens “de origem européia”…

  • Alexandre

    André,
    Trata-se de um caso clássico de “contrabandista”, na definição do Stycer: http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2011/03/18/tipos-de-leitor-o-contrabandista/
    O post versa especificamente sobre um ato – atirar uma banana em direção a um jogador negro e estrangeiro num estádio europeu – e suas consequências, mas o comentário trata na verdade da antipatia do distinto advogado pelo jogador em questão e pelo partido da Presidente (?!).
    Proselitismo puro.

  • Marcos Vinícius

    Lucas:

    Veja,suas palavras não ofenderam a ninguém.O que foi discutido aqui foram pontos de vista diferentes,e o seu,eu amigo,vai contra a maioria não só dos participantes do blog,mas dos cerca de 180 milhões de brasileiros

    O que vc chamou de fato isolado,a banana ao Neymar,de quem não gosto nem um pouco,não foi isolado.Vejamos:
    Carlos Alberto (Grêmio)foi chamado de macaco por um juiz num jogo entre Guarani e Vasco.
    Eto’o foi chamado de macaco por algumas torcidas.Veja bem,plural.AlgumaS!
    Roberto Carlos também foi “saudado” com uma banana recentemente.
    Marcelo,do Real Madrid,recebeu o mesmo “presente” de uma torcida adversária.
    Walter,do Internacional,também ouviu insultos racistas num jogo contra o Estudiantes.

    Então,amigo,fato isolado não foi.

    Se jogassem uma chupeta pro Neymar bateria palmas pra quem fizesse isso,pois pra mim ele é um menino mimado que joga muita bola.
    Mas não tem como minimizar um fato tão grave como esse,seja contra Neymar ou qualquer outra pessoa,seja jogador ou não.

    E não existe confraria.Existem pessoas que tem a mesma opinião sobre assunto tão desagradável.Uma pena nem todos pensarem da mesma forma.

  • Lucas

    Vivemos a plenitude de um “milagre econômico”, mas vai custar muito até conquistarmos mesmo respeito internacional. Não me surpreenderia nada, se a tal da banana tivesse sido atirada por um torcedor brasileiro, devidamente posicionado na arquibancada. Afinal de contas, já teve até corintiano, invadindo gramado no Japão em dia de decisão do Mundial Interclubes envolvendo a terceira conquista do São Paulo FC! E é isso mesmo, que atualmente, os estrangeiros esperam mesmo de nós! “Entre outras mil, és tu Brasil, ó Pátria Amada”… Quero deixar claro que amo o meu país, mas sei muito bem que temos muito ainda que melhorar e não exatamente a pátria de chuteiras que tanto cultuamos! Não acredito mesmo que 180 milhões de brasileiros pensem como vocês e discordem de mim… A não ser que um dia, o controle estatal se torne mesmo, total! Só discordei de um ponto de vista! Respeito não se exige com protestos chulos e sim com atitudes modificadas ao longo dos anos. Abraços.

    AK: Vou insistir, por dever: você não discordou de um ponto de vista. Você quis modificar um fato. Agora não dá mais tempo de voltar atrás. Um abraço.

  • André, acho que o ato de racismo é só um sintoma de uma doença maior que vem assolando o mundo, principalmente depois da crise de 2008 e do iminente colapso do euro. As pessoas estão desacreditadas com várias instituições e países que eram baluartes da democracia.

    Muita gente confunde pessoas com os países de origem. Então, se um brasileiro faz algo errado, o Brasil não é um país sério. Nesse contexto, grupos nacionalistas e preconceituosos ganham espaço, por exemplo o crescimento da extrema direita na França.

    Acho que as torcidas são uma amostra da sociedade, então se há algo errado na sociedade, isso vai aparecer em todos os âmbitos, inclusive em estádios de futebol. Pelo menos é assim que eu entendo.

    E, nesse panorama, Lucas, é preciso sim mostrar a gravidade de atos como o ocorrido com o Neymar e não tentar apaziguar as coisas e fingir que foi uma bobagem passageira.

    Abraços a todos!

  • Marcos Vinícius

    Ronaldinho virou evangélico,Adriano parou de beber e o Corinthians é campeão da Libertadores.

    Tudo isso acontece apenas um dia no ano.

  • Rita

    Pode parecer infantilidade, mas na hora, eu desejei que o jogador brasileiro que pegou a banana e a jogou timidamente, simplemente tivesse comido de forma que muitas câmeras pudesse registrar para depois nas coletivas, protestasse com bons argumentos contra essa estupidez, sem acusar inglês, escocês, ou sei lá quem, mas que protestasse contra o ato.

    AK: Ninguém foi acusado. Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    Interessante como o comentário do Kurt foi solenemente ignorado aqui. Sugiro que leiam novamente (se é que leram).
    Essa é a minha opinião: O racismo virou uma ferida aberta.Se eu for barrado numa entrada por não estar vestindo roupas de marcas internacionais ninguém vai dar a mínima. Mas se um afrodescendente sofrer a mesma discriminação o mundo pára. E a atitude não foi racismo porque eu, que não sou afrodescendente, passei pela mesma coisa. E garanto que o Pelé ou o Gilberto Gil, por exemplo, entrariam nessa mesma festa.
    André, uma coisa precisa ficar bem clara aqui: uma banana foi atirada? Fato! Foi um adolescente alemão? Fato! Estava próximo da torcida do Brasil? Fato! É um ato racista? É a SUA opinião. Interpretação dos fatos NÃO É fato. E se eu, ou o Kurt, ou o Lucas interpretamos de outra forma NÃO ESTAMOS TENTANDO DESVIRTUAR NADA. Estamos exercendo o direito à opinião.
    Discordo frontalmente quando você diz que: “É compreensível que Neymar, que ficou mais um dia em turnê de marketing por Londres, não tenha feito uma queixa formal”. Peraí! Então a “conveniência” é toda dele, que bateu e escondeu a mão. Se o que ele sofreu foi um ato de racismo ele TINHA que fazer uma acusação formal e apresentar suas provas. Apenas jogar a farinha no ventilador e sair assoviando é leviano. E nesse sentido apoio totalmente a torcida escocesa em exigir retratação. Não foram eles!
    Você afirma que ele não acusou a torcida escocesa, mas o termo utilizado por ele foi “clima de racismo”. Ele não se referiu àquele gesto isolado da maldita banana. Ele estava na casa dos escoceses (ou no “Reino” deles, já que o jogo foi em Londres) e revelou um “clima de racismo”. Se fosse da MINHA casa que alguém tivesse dito isto eu também me sentiria ofendido e exigiria retratação ou prova.
    Ninguém aqui quer mudar a opinião de ninguém. Pode perfeitamente haver a discordância, mas não o desrespeito.

    AK: Sim, é a minha opinião. Entendo que (lamento ser repetitivo) uma banana atirada, num estádio europeu, na direção de um jogador estrangeiro, brasileiro e negro, é um ato carregado de inequívoca conotação racista. Essa opinião é suportada por fatos. Sim, FATOS. Pois episódios iguais a esse já produziram campanhas e punições. A evidente tentativa de desvirtuar esse caso está no argumento de que Neymar acusou alguém injustamente. O único problema é que ele não fez isso. E suspeito que se o envolvido na história não fosse o marrento, firuleiro e milionário Neymar, a leitura seria outra. “Clima de racismo”? É lógico que houve. Jogaram uma BANANA para ele. Não importa quem foi, onde estava sentado, a nacionalidade… O único ponto que os escoceses têm é que as vaias não tiveram nada a ver com a banana, e isso está escrito no post. Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    Em tempo. Veja que ironia!
    Em abril do ano passado o Neymar, numa entrevista ao Estadão, ouviu a seguinte pergunta:
    “Já foi vítima de racismo?”
    E sua resposta foi:
    “Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?”

    Tem alguma coisa que não estou entendendo aí.

    AK: Tem mesmo. Um abraço.

  • thiago

    Essa coisa da galera querer negar a existência do racismo é braaaaboo….. Ali “Não Somos Racistas” Kamel fazendo escola…. Os ataques na Av Paulista tb não foram homofóbicos, as camisas do religioso americano não foram islamofobas, a declaração do DEMista dizendo que tem q evitar “aquele ministro moreno escuro” (Joaquim Barbosa) não foi racista…… Para acabar com a intolerancia no mundo, jogar esses atos pra debaixo do tapete não é bom…

    AK: Estádio europeu+jogador estrangeiro+brasileiro+negro+banana=ofensa. Um abraço.

  • Teobaldo

    Prezada Rita, eu faria a mesma coisa. Comeria a banana. Apenas para registro pela curiosidade do fato, num jogo do Atlético no antigo Estádio Indepenência um torcedor atirou um picolé no Renato Morumgaba (ex-jogador do Guarani de Campinas e, naquela época, atleta do Galo). Ele, na maior cara de pau e no maior bom humor retirou o picolé da embalagem e o chupou. E ainda ofereceu um pedaço a um repórter da Rádio Itatiaia, o Roberto Abras. E você, André Kfouri, aceitaria um pedaço se fosse oferecido a você? Um abraço a todos.

  • Paulo Pinheiro

    Thiago,

    Não se trata de “negar a existência” nem de “varrer pra baixo do tapete”.
    É importante que se diga que a Lei Afonso Arinos qualifica racismo como um crime.
    Desta forma, acusar quem quer que seja de racista é acusá-lo de criminoso. É como se você apontasse pra alguém e dissesse: “é estuprador”, ou “é bandido”, ou “é assassino” sem ter nenhuma prova.
    Assim sendo, deve-se ter muita responsabilidade antes de fazer uma acusação destas. Evidências não bastam. Até que se tenha uma confissão ou qualquer outra prova inequívoca, trata-se de uma banana jogada no gramado. Nada mais.
    Não conheço as leis britânicas, mas acredito que sejam semelhantes.
    Talvez o fato de o Neymar ser o milionário, o “jóia”, o queridinho da imprensa esportiva, etc. possa fazer parecer que ele tem o direito difamar à vontade, mas não tem. Somos todos iguais perante a lei.
    Importante frisar: o mesmo representante da torcida escocesa que exigiu retratação do Neymar – que perdeu a oportunidade de mostrar grandeza – também não engoliu a conclusão da polícia britânica e queria punição ao alemão. É a opinião dele e eu respeito.
    Mas pra mim continua sendo uma banana no gramado. Acho mesmo que se o garoto tivesse ido com a intenção de praticar um ato racista não teria se misturado ou sentado tão perto da torcida brasileira. Seria loucura. Pode ser apenas um álibi? Pode. Também respeito quem tem essa opinião. Mas ainda acho arriscado demais.

    AK: Não custa lembrar de um “detalhe”: Neymar não acusou ninguém, apenas reclamou do ocorrido. Antipatia tem limite. Um abraço.

  • Kurt

    Não neguei nenhum fato… apenas disse que ocorrências como as de Londres ou Barueri merecem uma reflexão mais cuidadosa.

    Não acho que devemos banalizar qualquer fato diferente e classicarmos como racismo. Muito menos devemos rebater racismo/preconceito com a mesma moeda, falar que escoceses, europeus ou frequentadores de estádios europeus são racistas é tão agressivo quanto a banana atira no gramado. 

    Como disse no comentário acima, a proporção é mínima. O racismo existe, mas felizmente ele é pequeno, e sim, é pequeno na Europa. Afinal, não foi lá que jogador recebeu voz de prisão em vestiário…

    O caso Grafite é um grande exemplo disso. houve uma acusação, um sujeito foi preso por “leitura labial” e se todos se lembram bem, após esse episódio, pipocou diversos casos nos gramados brasileiros, sempre tinha um jogador se dizendo vítima… até um novo caso envolvendo polícia e mais jogadores na delegacia em Minas Gerais.

    No fim, o Grafite foi jogar onde? deve estar sofrendo horrores lá, por isso que nem ficou, não é?

    Com Neymar não será diferente, o povo racista que atira bananas nele logo irá contribuir para que ele se torne ainda mais rico e talvez mais “marrento”, e se a carreira dele for bem lá, também não terá mais problemas com preconceitos e racismo, assim como Grafite e centenas de brasileiros que jogam na Europa e são ídolos.

    como será que a Europa, centro do futebol mundial, consegue abrigar milhares de jogadores negros e estrangeiros? Teria o sentimento de humilação e degradação racial um preço?

    Racismo AINDA existe, mas a proporção é pequena.

    AK: Casos semelhantes acontecem com razoável frequência. Não estamos discutindo proporções ou estatísticas. Um abraço.

  • Carlos Futino

    Kurt,

    O problema com seu argumento é que ninguém (nesse blog, pelo menos) está dizendo que os escoceses ou os alemães são racistas. O que está sendo dito é que um jogador (esqueçamos quem foi para evitar antipatias) foi vítima de um ato racista e a investigação e punição desse ato deixou a desejar.

    AK: Exato. Um abraço.

  • Lucas

    Alguém pode estar subestimando esta possibilidade de ato racista ou nós é que a estamos superestimando. Devemos ter tanta certeza assim de não estarmos errados??? Como ter tanta certeza e fazer julgamento racional das intenções, quando lidamos com massa, turba e público de futebol, sempre com as paixões a flor da pele? O ser humano nestas situações é facilmente manobrável, não é verdade? Abraços.

  • Kurt

    André, Carlos

    Realmente, ambas as minhas considerações, estão relacionadas à uma reação em cadeia do acontecimento em Londres. Só fiz questão de deixar claro isso, e que não estou e nem sou a favor a nada disso (parece que já estava sendo visto dessa forma).

    Acredito no que o Carlos disse. Ninguém está chamando diretamente escocês ou alemão de racista, mas existe uma generalização quanto aos “frequentadores de estádios europeus”, isso é encontrado aqui sim.

    Quanto a inivestigação e punição, só não houve maiores conseqüências porque o ofendido não se sentiu tão ofendido assim… da mesma forma que ocorre no Brasil, o ofendido teria que prestar queixa para que o caso fosse levado adiantes.

    Neymar não o fez ou porque existiam interesses profissionais que superam a ofensa sofrida (campanha de marketing e ir jogar lá futuramente) ou porque ele não deu muita importância ao fato e nem se sentiu tão ofendido assim.

    AK: O fato de Neymar não ter feito queixa formal não deveria nortear a opinião de ninguém sobre o que aconteceu. Um abraço.

  • Kurt

    Não noteia, mas permite ponderação

    AK: Claro. É o que estamos fazendo. Mas dizer que não foi tão ofensivo porque o principal envolvido não prestou queixa (independentemente do motivo) equivale a reduzir o fato a uma bobagem, apenas porque Neymar “não se considera negro”. Um abraço.

  • Kurt

    Não sabia que Neymar não se considerava negro…

    Estava imaginando que ele considerou esse tipo de “manisfestação” muito menor que ele

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