COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

DIREITOS (não só os de transmissão)

Os clubes brasileiros estão dobrando suas receitas com televisão, e não se vê, ou ouve, nenhum jogador de futebol falando a respeito. O que eles têm a ver com o assunto? Bem, depende do que se considera importante.

Para entrar no terreno mais chato de um tema que não parece ter muita audiência, a relação entre direitos de transmissão e jogadores existe na lei. Parece óbvio, não? Se alguém paga para exibir jogos de futebol, nada mais lógico do que o dinheiro chegar a quem “faz o espetáculo”. A Lei Pelé manda chegar. Mandava chegar mais, é verdade.

Na reforma sancionada na semana passada (marcada pelo retrocesso que acabou com a responsabilização de dirigentes pelo endividamento de clubes), o texto alterou o percentual do chamado “direito de arena” que deve ser repassado, via sindicato, aos jogadores. O número caiu de 20% para 5%. Silêncio.

“Dizem que nossa categoria é desunida, mas quase todas são”, afirma Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo. “As exceções são os bancários e metalúrgicos”, completa, por telefone. Martorelli tem acompanhado os últimos episódios da negociação dos direitos do Campeonato Brasileiro. “É preciso lembrar que a negociação individual causa prejuízos a clubes menores no mundo inteiro. Cada um puxa a sardinha para sua brasa, mas estão se matando aos poucos”, diz.

Não é difícil entender por que as conversas entre dirigentes e emissoras de televisão não interessam a jogadores. Independentemente do resultado das negociações (a não ser, é claro, que não haja transmissão), não haverá impacto direto, ou imediato, em suas carreiras. Mas o envolvimento em questões mais urgentes é tímido. Quando existe. “É uma questão de cultura”, diz Martorelli.

Calendário é um tema sensível. O Sindicato dos Atletas tem se preocupado em garantir espaço na temporada para a preparação dos jogadores. Está formando um grupo multidisciplinar para tratar, em termos científicos e legais, de problemas relacionados a número de jogos e horário das rodadas.

Esforço que ainda está longe do que se vê, por exemplo, na NFL, em que os jogadores rejeitaram uma proposta de seus patrões para aumentar o campeonato em duas datas. A ideia geraria mais receita e aliviaria o impasse financeiro que põe em risco a próxima temporada. Mas os atletas se recusaram a “levar saúde para a mesa de negociações”.

Em nossos gramados, reclama-se quando está muito quente (o que não impediu que jogos fossem realizados às 16 horas, durante o último horário de verão), ou quando se mexe no que é tradicional. A CBF anunciou que o BR-11 terá jogos às 21 horas aos sábados. Kléber, atacante do Palmeiras, foi uma voz discordante. Lembrou que a mudança obrigará os times visitantes a voltar para casa apenas no dia seguinte, sacrificando o que seria um domingo de folga. Bom ponto.

Mas Martorelli, que sabe do novo horário há três meses, entende que os jogadores preferem rodadas noturnas. “Não creio que esse jogo das 21 horas seja um problema para a categoria”, afirma.

Opiniões diferentes são boas. Externadas, ficam melhores.



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