CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SOBRE TIMES E CLUBES

Ok, agora temos os números.

Não, não são números oficiais. Nossos dirigentes de futebol, tão empolgados na hora de anunciar patrocínios de camisa e seus valores inflados, se melindram quando o assunto é o dinheiro da televisão. Falam em cláusula de confidencialidade como se fossem gestores de um fundo suíço. Mas não resistem e o “não conte a ninguém” logo se transforma em “pode contar, mas não diga que fui eu que te falei”.

Vamos arredondar, porque o que importa mesmo é a diferença entre os andares, na nova ordem financeira dos clubes do Brasil. O novo terceiro andar (os 2 mineiros, os 2 gaúchos, Fluminense e Botafogo) receberá cerca de R$ 50 milhões. O novo andar do meio (Palmeiras, São Paulo, Santos e Vasco), será agraciado com mais ou menos 70 milhões. A cobertura (Flamengo e Corinthians) terá direito a algo em torno de R$ 110 milhões.

Atenção: o patamar intermediário é um piso escorregadio. O São Paulo, que já sofreu redução no número de transmissões em televisão aberta no primeiro turno do BR-11, ainda é uma incógnita. Talvez nem ouça a proposta.

Mas nosso ponto aqui é a distância entre o primeiro e o terceiro níveis. Estamos falando da vizinhança dos R$ 60 milhões. Sim, a diferença entre quem ganhará mais e quem ganhará menos é MAIOR do que a menor cota. Os direitos de televisão de Flamengo (ainda não fechou) e Corinthians foram negociados por mais do que o dobro do que se pagará, por exemplo, ao Botafogo.

Botafogo que, ninguém esqueça, rompeu com o Clube dos 13 porque não aceitava ficar “preso” ao sistema em que recebia 40% a menos do que a cota do Flamengo. A rebelião que levou às negociações individuais e às bravatas de seu presidente, Maurício Assunção, deu errado. Muito errado. O percentual que ele queria baixar aumentou para 55%. E argumento de ter dobrado a receita do clube com TV – verídico – empalidece diante da enorme discrepância que se criou.

Enquanto isso, como se fosse necessário mais um exemplo, a Uefa anuncia que passará a negociar as transmissões dos jogos das seleções européias (nas eliminatórias para Euro e Copa do Mundo) em um pacote único. O objetivo é “proteger o futebol de seleções” no continente. Que conceito…

Times de futebol devem ser adversários por toda a eternidade. A mais pura, mais profunda essência do esporte é a satisfação do torcedor ao comemorar uma vitória sobre um rival. Mas clubes de futebol devem estar sentados, sempre, do mesmo lado da mesa, defendendo interesses comuns, valorizando um produto que é propriedade deles.

Ao se mostrarem incapazes de negociar coletivamente e, em acordo, aumentar o bolo, os dirigentes do futebol brasileiro estão fazendo o contrário.



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