O GRANDE ERRO DO FLU



A saída de Muricy Ramalho significou vários problemas para o Fluminense.

Além do óbvio, a falta de um treinador, o clube tem de lidar com os motivos que levaram MR a pedir as contas.

É mais ou menos como um cara ser abandonado pela namorada porque ela não aguenta mais seus hábitos de higiene, e depois confidencia a todas as amigas que ele não escova os dentes (que fique claro: não havia como Muricy sair sem dizer por quê).

Quem vai querer?

A despeito de suas trapalhadas no departamento de comunicação, são compreensíveis as dificuldades que o Fluminense enfrenta para contratar um técnico.

Profissionais empregados (Dorival Júnior, Levir Culpi, Felipão, Cuca e Renato Gaúcho), por um motivo ou por outro, não deixaram seus clubes.

Pelo menos um técnico disponível (Adílson Batista), não aceitou o convite.

E ontem, até mesmo um treinador que não pensaria um décimo de segundo para tomar um táxi em direção ao aeroporto, preferiu ficar onde está.

Não se pode perder de vista que o responsável por todas as recusas é o próprio Fluminense. Principalmente, pelo “não” de Gilson Kleina.

Por que um técnico, empregado, aceitaria um convite com apenas 3 meses (2 meses e meio, segundo o próprio Kleina) de validade?

Não vale aqui, a comparação com o caso de Celso Roth no Internacional.

Roth chegou ao Inter no meio da Copa Libertadores do ano passado, sabendo que conquistá-la era, provavelmente, a única forma de garantir sua permanência.

Apostou e ganhou.

Kleina foi “convidado” para cuidar da lojinha até Abel Braga chegar.

Eu sei, o nome de Abel não foi mencionado nas conversas com Kleina. E você acha que seria (“olha, meu caro Gilson, nós gostamos muito do seu trabalho, mas só queremos você aqui até o dia da apresentação do Abel. Confiamos muito em você…”)?

Se o plano não era contratar outro técnico, por que a proposta tinha prazo?

O fato de o Fluminense ainda ter um interino no comando, na véspera de um jogo decisivo pela Libertadores, prova que nem um dos dois maiores salários do mercado brasileiro é suficiente para garantir um “sim”.

E o grande erro estratégico do clube é não saber como tratar com um técnico que está disposto a dizer “sim”. Aliás, já disse.

Abel Braga está no Catar. De lá, declarou com todas as letras possíveis que quer trabalhar no Fluminense. Não parece nem um pouco preocupado com os graves problemas estruturais do clube. Mas não pode vir agora.

Se o Fluminense não gosta da ideia de tê-lo, precisa dizer isso publicamente.

Se gosta, está fazendo tudo errado.

O certo seria perguntar a Abel quem ele indica para sentar no banco até o dia de sua apresentação. Depois, acertar tudo e dizer à torcida, em caráter oficial: “contratamos o Abel Braga, que só chegará tal dia. Enquanto isso, fulano de tal, indicado pelo próprio Abel, será o técnico do time.”

A Libertadores é importante? Lógico. Mas a temporada do Fluminense termina com a Libertadores? Lógico que não.

É hora de fazer uma escolha e seguir em frente.

O próximo técnico do Fluminense* terá, obrigatoriamente, de ser convencido de duas coisas: 1) que as condições de trabalho serão decentes, e 2) que ele não será um esquenta-banco de Abel Braga.

Abel não precisa ser convencido de nada. É muito difícil enxergar isso?

Agora, anunciar a contratação de um técnico sem que ela esteja 100% acertada é algo que não ajuda a recuperar a imagem do clube.

É como o cara que não escova os dentes espalhar que arrumou uma namorada. E depois todo mundo descobrir que era uma “modelo e atriz”, que não topou o cachê.

______

* Pode ser Joel Santana, que o Botafogo equivocadamente perdeu hoje pela manhã. Desde que, é claro, Joel seja convencido dos dois pontos acima.

De qualquer forma, primeiro, o Fluminense precisa decidir se quer ou não quer contratar Abel.



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