CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SAMUEL, O INVENCÍVEL

Não há outro jogador, no mundo, como Samuel Eto’o. Pelo menos quando o assunto são confrontos eliminatórios. Neles, o camaronês marrento não sabe o que é perder há quase três anos. É isso que você leu: Eto’o não perde um mata-mata desde 29 de abril de 2008.

A última vez foi nas semifinais da Liga dos Campeões da Uefa 2007/08, para o Manchester United. Com as camisas do Barcelona e da Internazionale, jogando por UCL, Copa do Rei, Copa Itália e Mundial de Clubes, Eto’o saiu sorrindo de 22 confrontos seguidos.

E não é que ele seja aquele jogador pouco influente mas muito sortudo, que se beneficia por jogar em excelentes times. O futebol tem a mania de reservar grandes alegrias a jogadores que nem sempre são responsáveis por ela. Mas Eto’o é decisivo por hábito, que nesta temporada se transformou em vício.

A Inter marcou quinze gols na Liga dos Campeões. As impressões digitais de Eto’o estão em treze. Ele fez oito e deu cinco para companheiros privilegiados. Falando em assistências, claro que há uma grande diferença entre “o passe para um gol” e “o último passe antes de um gol”, mas as duas situações são evidências de envolvimento. No caso do camaronês, o envolvimento é permanente.

O jogo de anteontem em Munique foi um bom resumo do que Eto’o é capaz. A Inter precisava vencer para seguir defendendo seu título europeu e a honra do futebol italiano. Eto’o fez logo o primeiro gol. O Bayern virou para 2 x 1, num primeiro tempo em que o placar poderia tranquilamente ser maior. E quando se imaginava que o forte e pragmático Bayern jamais permitiria dois gols em seu estádio, o suspeito usual apareceu com passes para Sneijder e Pandev marcarem.

A atuação soprou a corneta do “se ele tivesse marketing…”. Argumento que não dá para comprar. Qual é o complemento da frase? “… seria o melhor do mundo” é um exagero dos grandes. Eto’o ficou em terceiro lugar na eleição para o prêmio da Fifa em 2005, ano em que a vitória de Ronaldinho Gaúcho não foi contestada nem pela população camaronesa.

“… seria mais valorizado” também erra o alvo. É só ver onde Eto’o jogou, os títulos que conquistou e os prêmios individuais que recebeu. O que a cada dia parece um erro maior é o negócio que o Barcelona fez, mandando Eto’o e mais uma grana para a Inter em troca de Ibrahimovic. Mas se o problema era o vestiário, fica difícil contestar.

“… teria mais dinheiro”, sim, é um complemento preciso. O que o marketing pode fazer por um esportista é fermentar sua conta bancária. Mas suspeito de duas coisas: Eto’o está bem nessa área e não tem inveja de David Beckham. Ele está muito ocupado fazendo gols e aumentando sua seqüência particular em confrontos eliminatórios. Tremendo jogador.



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