PEGA O GANSO!



Toda pessoa tem o direito de ver as coisas à sua maneira.

Algumas, claro, exageram.

Para ser diferente, para chamar a atenção, apenas para contrariar os outros… são muitas as razões.

No sábado à tarde, mais de 12 mil pessoas pagaram ingresso para entrar na Vila Belmiro. Suspeito que, para a grande maioria, a possibilidade de ver PHG de volta ao futebol foi um atrativo para ir ao estádio.

Ganso esteve ausente por sete meses, poderia jogar por alguns minutos.

Jogou, e não só. Ajudou o Santos, de forma quase que instantânea, a vencer o Botafogo. Deu um passe na jogada do primeiro gol e ainda fez o segundo.

Por mais que se espere dele, duvido que alguém imaginava que seria como foi.

Lesões graves como a que PHG sofreu fazem parte do futebol. São relativamente frequentes. As palavras “ligamento” e “cruzado”, usadas juntas, já provocam dor em quem nunca teve problema parecido. Imagine precisar do corpo para trabalhar e ter de encarar o drama.

Mas aposto que jogadores de futebol, esportistas em geral, lidam com essas coisas de um jeito diferente. Como disse, as lesões estão aí, diariamente transformando carreiras. O próprio Ganso já teve duas, uma em cada joelho.

Na rotina desses atletas, há sempre um companheiro em recuperação, outro que será operado, outro que pretende voltar na semana que vem, outro que se machucou no domingo passado. É do jogo.

São eles que enfrentam a infelicidade e tratam dela como se fosse algo inevitável. Talvez seja.

Mas nem por isso o risco de lesionar um “companheiro” de profissão deve ser ignorado de forma tão fria, como fez o volante Fernando Miguel, do Botafogo de Ribeirão Preto.

Principalmente quando o “companheiro” em questão é alguém que está voltando a jogar.

Não é por ser PHG, um fora-de-série. Não é necessário dar a ele um tratamento diferente. É só um mínimo de noção.

A impressão que deu foi que Fernando Miguel não sabia quem era o camisa 16 do Santos (o número é provisório, será que foi isso?), não conhecia sua história, não percebeu o que estava acontecendo.

Ou que a volta de Ganso, vista por tanta gente como um momento especial, para ele era só a primeira chance de quebrá-lo.

Foram duas pegadas totalmente desnecessárias. A primeira, uma entrada com força excessiva e mal calculada. O volante passou longe da bola e ainda a apontou, como se tivesse chance de enganar alguém.

A segunda foi pior ainda. Um pontapé. Ridiculamente ludibriado por um toque de Ganso na bola, Fernando Miguel até perdeu o equilíbrio.

PHG aguentou a primeira e pulou na segunda. Saiu inteiro, talvez por sorte.

Fernando Miguel saiu expulso, balançando a cabeça como se o árbitro fosse maluco.

Incompreensível.

Espero que ele nunca se machuque.



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