OS MOTIVOS DE MURICY



Muricy Ramalho se pronunciou.

Falou com PVC pela manhã e deu outras entrevistas nesta segunda-feira.

Primeiro, um ponto importante, para que minha opinião seja bem entendida: técnicos não devem romper contratos. Não são funcionários como outros quaisquer, pois suas decisões têm impacto num tipo de consumidor totalmente diferente: o torcedor.

Não sinto nenhum constrangimento por acreditar que treinadores de futebol deveriam ter um papel importante em suas “comunidades”. E claro que não ignoro a “cultura” de mandar técnicos para a rua diante do primeiro problema.

Mas estamos falando do inverso.

Para ilustrar o que penso, aqui está uma coluna publicada no jornal no ano passado.

Agora vamos aos motivos declarados por MR para deixar o Fluminense. São basicamente dois: demora para melhorar a estrutura do clube e mudanças no círculo de pessoas com quem ele trabalhava diretamente.

Na entrevista ao PVC, Muricy falou em ratos no vestiário das Laranjeiras. Falou em falta de equipamentos de fisioterapia para recuperar jogadores.

Ao vivo no Bate- Bola da ESPN Brasil, disse que o campo das Laranjeiras machuca os atletas do Fluminense, não oferece nenhuma condição de treinamento diário.

A questão estrutural no Fluminense não é novidade para ninguém. Em 2008, durante o período em que ajudou a evitar o rebaixamento do clube no Campeonato Brasileiro, Renê Simões já reclamava especificamente do gramado onde o time treinava. Se bem me lembro, Renê levou o time para trabalhar em outro lugar.

O fato do campo de treino de um time de futebol profissional (com um dos maiores orçamentos do Brasil) ser tão ruim, por tanto tempo, sem que não se consiga fazer nada, é um desafio à compreensão de qualquer pessoa.

Muricy também disse que os jogadores do Fluminense se machucam muito e demoram a se recuperar. É só acompanhar o noticiário do clube e tomar nota. Do número de jogadores e do tempo que ficam de molho.

O fato de tantos jogadores se machucarem (de acordo com MR, por causa do campo) e não usufruírem de uma boa estrutura de de recuperação, num clube patrocinado por uma empresa que vende planos de saúde é, no mínimo, irônico.

Muricy conviveu com essa realidade por 11 meses, sempre pedindo mudanças. Nada foi feito e a troca de comando político no clube ainda alterou seu dia-a-dia, no que diz respeito às pessoas que trabalham no departamento de futebol.

O vice Alcides Antunes, demitido no sábado, era alguém em quem Muricy confiava.

Me chamou a atenção ontem à noite, quando falou oficialmente sobre a saída do técnico, a postura do presidente Peter Siemsen. Além de concordar com toda argumentação de Muricy, Siemsen não soou como um interlocutor que tentou convencê-lo a ficar.

Muricy falou sobre um pedido dos jogadores e sobre várias conversas com Celso Barros, da Unimed, em que o empresário “brigou” por sua permanência. Não citou Siemsen.

Tudo isso dito, pode-se até questionar a decisão do técnico. Mas não vejo como criticá-lo. Ele se convenceu de que não dava para continuar (“Não consigo trabalhar, não consigo treinar o time, não consigo fazer o time melhorar”, disse ao PVC) e o Fluminense concordou com ele.

Alguém dirá que ele saiu porque tem outra proposta (e repetirá isso quando MR acertar seu próximo contrato, como se só a aposentadoria fosse capaz de provar que ele saiu “apenas” pelos motivos que divulgou). Muricy diz que não e merece crédito.

Poderia ficar no Flu, embolsando um dos maiores salários do futebol brasileiro, até ser demitido e receber a multa.

Muricy saiu porque não acredita mais no trabalho no Fluminense. Os motivos estão todos expostos e não foram negados pelo clube, ao contrário.

Me parece que são razões compreensíveis para um técnico romper (no caso dele, contrariando o que diz e faz) seu contrato.

Ainda que eu tenha, por conceito, minhas posições a respeito.



MaisRecentes

Voltando a Berlim



Continue Lendo

Passo adiante



Continue Lendo

Futebol champanhe



Continue Lendo