NFL: PLANO DE COMBATE (atualizado)



Prepare-se para o jogo de processos, ameaças e provocações que receberá, aqui, o nome de “futebol americano judicial “.

A Associação dos Jogadores da NFL (que não é mais um sindicato, mas uma junta comercial que trata dos interesses de jogadores e ex-jogadores de futebol americano) pediu hoje que os melhores atletas em nível universitário boicotem a próxima edição do draft.

O evento acontecerá no mês que vem em Nova Iorque. Dezessete dos melhores jogadores universitários, que receberam ou receberão convites da NFL, foram orientados a não comparecer.

A iniciativa da Associação é mais um movimento na briga entre jogadores e donos de times da Liga. Mas o combate real se dará nos tribunais.

Nas próximas semanas, os donos tentarão convencer a Justiça americana que a dissolução da Associação dos Jogadores é uma fraude. Por sua parte, os jogadores tentarão interromper o locaute.

A primeira data que deve ser anotada no calendário é 6 de abril, quando acontecerá uma audiência para que se determine a legalidade do locaute.

O complicador é que, em algum momento antes disso, o órgão equivalente ao nosso Tribunal Superior do Trabalho julgará se a dissolução da Associação é legítima.

Por que isso é importante? Porque se a decisão for a favor da NFL, ou seja, se a Associação for mantida, os jogadores não poderão prosseguir com as ações judiciais contra a Liga. Eles só podem acionar se não tiverem representação coletiva.

Se a audiência de abril acabar com o locaute, a Liga será obrigada a destrancar os portões e determinar as regras das relações com os atletas. Tudo indica que as normas do último contrato coletivo de trabalho (com as quais os jogadores estão de acordo) seriam reativadas.

Enquanto isso, a burocracia processual continua. Dez jogadores foram à Justiça contra a NFL, argumentando, a grosso modo, que ela os impede de trabalhar.

O processo, como é praxe nos Estados Unidos, tem nome: Brady x NFL. Por que, entre os dez reclamantes, o nome de Tom Bundchen Brady foi escolhido. Ora, você imagina por quê. Pela repercussão.

Se as ações forem adiante, o resultado será o conjunto de normas que formará o novo contrato coletivo de trabalho entre a NFL e os jogadores. Tom Brady ficará na História como o jogador que emprestou seu nome ao episódio.

O caso, por enquanto, não está nas mãos do juiz David Doty, o melhor amigo dos jogadores da NFL. Mas acredita-se que por sua experiência, e por deferência de outros juízes a essa experiência, tudo vai acabar na corte de Doty – o último lugar onde um dono de time da NFL quer pôr os pés.

Em meio a todos os movimentos nas diferentes esferas da discussão, os jogadores continuarão dizendo que os donos sempre estiveram dispostos a trancá-los para fora. Os donos continuarão dizendo que a Associação dos Jogadores sempre planejou se dissolver.

Golpes verbais de diferentes potências serão desferidos, de lado a lado, pela imprensa.

As finanças dos clubes serão seriamente afetadas. Os jogadores não serão pagos. O salário de Roger Goodell, comissário da NFL (que ganha cerca de US$ 10 milhões anuais) foi reduzido simbolicamente a US$ 1,00. Os vencimentos de DeMaurice Smith, diretor-executivo da Associação dos Jogadores (cerca de US$ 3,5 milhões/ano) foram transformados em US$ 0,68.

Os advogados de ambas as partes ganharão muito, muito mais.

ATUALIZAÇÃO, terça-feira 15/3, 16h16 – Nesta terça, a Associação  dos Jogadores da NFL negou que tenha orientado atletas a boicotar a cerimônia do Draft. 

Mas confirmou que organizará um evento paralelo, que será transmitido ao vivo por um canal de televisão concorrente do NFL Network. 



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