CAIXA-POSTAL



Aos temas da semana:

Marcos Vinícius escreve: André, quatro grandes clubes do nosso futebol fecharam as portas para Adriano, inclusive seu clube de coração, pelo qual ele foi campeão brasileiro em 2009. Na sua opinião, isso se deve ao que Adriano (não) tem feito em campo ou a que tem feito fora dele?

Resposta: Ambos. Contratar Adriano é adquirir um pacote: você recebe o atacante perigoso, de ótima presença na área e chute forte. E recebe também o jogador que precisa ser tratado de forma diferente dos outros, porque não quer/não consegue mais ter um comportamento profissional. Vale a pena? O fato de o Flamengo, clube em que Adriano fez sucesso em 2009, não querer (pelo menos por enquanto, de acordo com o que se noticiou) trazê-lo é significativo. Eis um clube que sabe exatamente como é conviver com ele. Mas acho que é prudente aguardar. Adriano ainda vai demorar um tempo em recuperação de sua lesão no ombro e as coisas podem/devem mudar. Ele receberá ofertas.

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Felipe escreve: Não sei se li certo (se não li, desculpe-me), mas acho que, certa vez, você disse neste blog que o fator que lhe atraía nos jogos entre seleções era o confronto de estilos diferentes, de escolas diferentes. Mas lhe pergunto: você não acha que estas escolas, antes diferentes, estão ficando cada vez mais parecidas, incorporando características umas das outras?

Resposta: Sim. Existe uma praga chamada “futebol moderno” (estou falando de sistema de jogo), expressão que aparece frequentemente em entrevistas de treinadores pelo mundo. Perdi a conta, por exemplo, de quantas vezes Dunga a repetiu no período em que esteve à frente da Seleção Brasileira. Ela revela uma tendência, aquilo que os técnicos imaginam que leva ao sucesso dentro de campo, conforme o que se faz em outros lugares. Eu compreendo perfeitamente que um treinador que trabalhe, digamos, na seleção da Suíça, queira imitar o sistema/estilo de outro time. É uma tentativa de compensar a falta de material humano com um esquema que, coletivamente, tenha mínima chance de dar certo. Agora, a aplicação dessa tese na Seleção Brasileira é um terrível erro. Creio que os países em que o talento existe deveriam sempre jogar de acordo com ele. Dessa forma, veríamos o que queremos ver.

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Fábio escreve: Um empresário que possui, por exemplo, 20% de um atleta de 16 anos, pode ver o valor desses 20% se multiplicar dezenas de vezes após alguns poucos anos sem investir um único centavo. A formação e evolução do atleta dependem de muitos fatores, como alimentação, profissionais de fisiologia, profissionais de campo, estrutura física, limpeza, SALÁRIO, etc… fatores esses que custam dinheiro. No caso do Paraná Clube, esses gastos são divididos 50/50 entre o Clube e a BASE (empresa que investiu no Ninho da Gralha), os empresários não entram com nada. Você acredita ser justo uma estrutura onde um empresário pode ver sua “mercadoria” passar de 50 pra 500 mil reais sem que precise colocar um centavo na melhoria e aperfeiçoamento dessa “mercadoria”? Quando um jogador é vendido (como no caso da nossa revelação Kelvin) o Paraná Clube ganha, a BASE ganha e o empresário ganha, não seria ideal a conta ser dividida, proporcionalmente, entre as 3 partes também?

Resposta: Primeiro, é preciso esclarecer uma coisa: ao dizer que um empresário é “dono” de um percentual de um jogador de futebol, estamos falando dos chamados “direitos econômicos”. É o valor que se atribui a esse jogador, geralmente baseado na multa rescisória, no caso de uma negociação. Para que esse empresário tenha direito a esse percentual, ele precisa de um documento assinado pelo próprio ou, dependendo da idade, pelo responsável. Aí já pode existir uma relação financeira entre o agente e a família. São raros os casos em que o empresário “não coloca um centavo” e fica apenas esperando o negócio acontecer. O que não significa que o valor investido não seja, em determinados casos, incomparavelmente menor do que o valor recebido depois da valorização. Como se sabe, poucas “mercadorias” são capazes de produzir lucro como jogadores de futebol. Tudo isso dito, ter ou não ter um agente é opção do jogador/família. É justo? Não sei. Mas existem regras e ninguém é obrigado a fazer nada que não queira fazer.

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Luciano (entre vários) escreve: André, o que achou da volta do Luis Fabiano ao São Paulo?

Resposta: Um golaço. LF tem lugar em qualquer clube brasileiro. E teria impacto imediato no time que o contratasse. Para o São Paulo, é duplamente importante, porque o Corinthians também o queria. O clube se fortalece e, ao mesmo tempo, evita o fortalecimento de um rival. LF é um jogador em plena atividade, de categoria internacional. Com ele, o time do São Paulo fica muito melhor.

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Como sempre, muito obrigado pelas mensagens.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Edouard Dardenne

    Com a contratação do LF, o SPFC vai negociar algum de seus atacantes com o Palmeiras. Um abraço.

    AK: Fala-se em Fernandão. Se acontecer, suspeito que Fernandão fará muitos gols. Um abraço.

  • Marcel Souza

    Só vi a notícia sobre o Fabuloso e como Tricolor eu fiquei muito empolgado. Primeiro em ver o time apostando alto e desembolsando uma bela quantia por um jogador que ainda está no topo da forma. Segundo por ver que o Corinthians tentou também contratá-lo e aparentemente ele preferiu o São Paulo. Podem falar que foi demagogia ou que sou ingênuo, mas ouvir um jogador falando que está voltando pra casa porque quer e que dinheiro não é tudo, é bonito.

  • Clayton

    Contratação espetacular. O sentimento é comparável ao retorno do Raí em 1998.

  • Anna

    É só uma intuição: corre risco de o Adriano parar no Corinthians. Caindo no lugar-comum: achei a contratação de Luis Fabiano pelo São Paulo fabulosa! Não entendia nada de direitos econômicos de jogador. André, obrigada por esclarecer a todos!

  • Gabriel

    Andrezão, o LF não está machucado? Abs, Gabriel

    AK: Sim. Em recuperação de uma lesão muscular. Um abraço.

  • Luiz

    André, acho que essa contratação abre diversas oportunidades. Abre a oportunidade do Dagoberto quem sabe se firmar como o grande jogador que vimos no CAP (nunca perco essa esperança), do São Paulo voltar a jogar o futebol bem jogado que tinha em 2002 (última lembrança de um SP ofensivo), para mim o que seria a troca ideal, Fernandão por Lincoln, seria o atacante que falta ao Palmeiras e o meia que falta ao SP, enfim… Acho que o Lincoln deveria ser testado no SP, um meia que durante anos foi ídolo do Schalke, eleito melhor meia da Alemanha, fez sucesso no Galatasaray… Acho que só faltava a adaptação ao futebol brasileiro, agora é a hora de pegar ele, a menos que o SP tenha outra carta na manga… Alex talvez?

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