DIA D (MAIS UM) NA NFL



Uma tentativa de esclarecer o que está acontecendo na NFL, que chega a um ponto crítico em suas discussões trabalhistas nesta sexta-feira.

O contrato coletivo de trabalho entre a Liga e a Associação dos Jogadores termina hoje, às 17 horas em Washington (19h no Brasil). O que acontecer, ou não acontecer, terá impacto na realização das próximas temporadas.

A questão principal (que surpresa!) é dinheiro. Do lucro anual de US$ 9 bilhões, a Liga quer repassar menos aos jogadores. A proposta dos donos é de 43%, a Associação quer meio a meio.

Em dólares, o que separa os dois lados da mesa é algo em torno de 600 milhões.

Os jogadores querem acesso detalhado aos números financeiros dos clubes. Alegam que precisam dessas informações para entender por que os donos querem mais dinheiro. A Liga não concorda com tal transparência.

A possibilidade de estender a temporada em 2 jogos, o que aumentaria a receita e reduziria o problema financeiro, está fora de questão para os jogadores. Mas pode voltar à mesa, como acontece em qualquer negociação.

A Associação dos Jogadores obteve uma importante vitória na semana passada, na Justiça, quando um juiz determinou que a NFL não poderá usar US$ 4 bilhões provenientes do contrato com as emissoras da televisão, se a próxima temporada não acontecer.

Os jogadores enxergaram a tentativa dos clubes de garantir esse dinheiro como uma prova de que a Liga queria um “seguro” contra o impasse trabalhista. Ou seja, estava se preparando para a possibilidade de não haver temporada, sem se preocupar com os atletas.

Os possíveis cenários:

1) Novo acordo de trabalho – paz e garantia da realização das próximas temporadas.

2) Mais tempo – aconteceu na semana passada, quando a conversa se aproximou do primeiro deadline. As partes decidiram estender a janela de negociações por 7 dias. Pode acontecer de novo, mas é menos provável do que há uma semana.

3) Locaute – com o fim das relações entre a Liga e os atletas, os donos dos clubes “trancam” (origem do termo “lockout”) as instalações de treinamento e os estádios. Os jogadores ficam impedidos de trabalhar. Significa muito provavelmente o cancelamento da temporada de 2011.

Esta última possibilidade merece um adendo: a Associação dos Jogadores tem uma carta na manga – a própria dissolução. Se deixar de existir, os jogadores passam a não ter representação coletiva e ficam livres para entrar na Justiça contra a NFL.

As ações acusariam a Liga de monopólio. O argumento seria o de que a NFL, que é a única possibilidade de emprego para os jogadores, não permite que eles sigam suas carreiras.

Essa estratégia jurídica já funcionou uma vez e é vista como certeza de sucesso pelos jogadores. Já está definido que grandes astros (Tom Bundchen, Peyton Manning e Drew Brees, por exemplo) seriam os primeiros atletas a ir à Justiça.

Se quiser se dissolver, a Associação dos Jogadores tem de fazê-lo antes do atual contrato coletivo de trabalho expirar. Dessa forma, garante que a questão será discutida na corte do juiz David Doty – o mesmo que decidiu a favor dos jogadores no caso do dinheiro da TV.

Doty é considerado pró-atletas, o que aumenta a confiança da Associação na possível (provável, eu diria) batalha jurídica.

Repetindo: o deadline é 17 horas de Washington (19h de Brasília), mas o diretor-executivo da Associação dos Jogadores soltou um twitter ontem à noite, alertando os atletas para que “ficassem fortes” e esperassem uma comunicação duas horas antes do prazo final.

A aproximação da chamada “hora H” pode mudar cabeças e aliviar posições, mas os dois lados parecem muito distantes de um acordo.

ATUALIZAÇÃO, 19h19 – A Associação dos Jogadores da NFL não aceitou a última proposta dos donos e entrou com o pedido de dissolução em Minneapolis. Batalha jurídica é o próximo passo. A temporada de 2011 está sob altíssimo risco.



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