CAIXA-POSTAL



Ao assunto da semana:

Alexandre escreve: Você já disse que é contra a divisão igualitária dos recursos provenientes da transmissão televisiva das partidas da Série A do Campeonato Brasileiro. Pois bem, de que forma você acredita que deveria ser feita a divisão dos recursos e, na sua opinião, quais os pressupostos que deveriam ser seguidos para a definição dos critérios de divisão?

Resposta: Times que são mais expostos devem receber mais. A questão deve ser discutida entre emissora e clubes, e todos devem estar de acordo. Faz-se uma programação dos jogos que serão transmitidos e a divisão dos recursos, de acordo com ela.

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Luiz Paulo escreve: Esta briga que está acontecendo dos clubes brasileiros com a TV, é somente para a aberta? Ou isto também se refletirá nas transmições por Pay-Per-View?

Resposta: A venda dos direitos do Campeonato Brasileiro se dará nas seguintes plataformas: televisão aberta, televisão por assinatura, pay-per-view, internet e telefonia móvel. Cada empresa pode concorrer e uma ou mais plataformas, mesmo porque elas estão interligadas. Estima-se, por exemplo, que as empresas de telefonia móvel podem oferecer, juntas, US$ 400 milhões, para também redistribuir conteúdo para operadoras de televisão.

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Roberto Carlos escreve: Neste final de semana temos rodada completa do Paulistão. Porém a detentora dos direiros de TV aberta não transmitirá nenhum jogo e a sua parceira também não. Já que o CADE e a Secretária de Direito Econômico estão se envolvendo na licitação do Brasileiro também não deveriam obrigar a transmissão de pelo menos um jogo?

Resposta: Eu acho uma pena que os jogos deste sábado estejam restritos à TV fechada e ao pay-per-view. Não há o que fazer em relação a isso. Mas vejo a questão também por outro lado, mais uma prova da irrelevância do Campeonato Paulista.

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Fernando escreve: André, é possível ver alguma relação entre a discussão entre clubes e TV aqui no Brasil e o que está acontecendo na NFL nos Estados Unidos?

Resposta: Não. Além de serem dois mundos completamente diferentes, a TV tem pouco a ver com o problema do futebol americano, que é uma questão trabalhista. Aqui no Brasil, é uma discussão sobre venda de direitos de transmissão. Nos EUA, é uma discussão sobre as relações de trabalho entre os donos dos clubes e os jogadores. A única relação que existe entre os dois casos é que ambos tratam, essencialmente, de dinheiro.

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Como sempre, obrigado pelas respostas. Até o sábado que vem.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

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Bom feriado a todos. Bom Carnaval para quem gosta. Divirtam-se com inteligência.



  • Anna

    Depois que você explicou, passei a entender o imbroglio na NFL. Linguagem acessível e fácil. Valeu, André.Tomara que tudo se resolva e tenha o Superbowl no próximo ano. Respeito sua opinião quanto às cotas no Brasileirão, mas penso que elas deveriam ser divididas igualitariamente. Não sei se resolveriam, mas penso que seria um caminho. Mas como você entende mais do que eu, só expus minha opinião, entendo a sua e a aceito. Bom descanso no Carnaval, Anna

  • Teobaldo

    Fiz as três perguntas abaixo no posto BANGUELAS publicado aqui no blog. Como não obitive respostas, neste fórum e em nenhum outro, e em função da volta do assunto “divisão de cotas do brasileirão”, publico as perguntas novamente na esperança de que as mesmas resultem em algum tipo de discussão.

    1) Quais os critérios para se mensurar a “exposição”, tida como balisador das negociações?

    2) Se todos os anos, INDEPENDENTEMENTE DOS MÉRITOS TÉCNICOS, os times A, B e C são privilegiados com a “exposição” no ano seguinte, quando os demais times merecerão ser “mais expostos” e passarão a fazer jus à uma parte daquela remuneração?

    3) Se, por exemplo, o Internacional vencer o CB nos próximos 3 anos, mas não receber da TV um tratamento digno de suas conquistas, quais as chances dele alcançar maior penetração em todo o país e não somente em nível regional, e reverter este quadro?

    Na verdade existe um fator que os “times grandes” e de “maior exposição” têm pavor, que é o estabelecimento de qualquer parâmetro que premie o mérito.

    Um abraço.

    AK: 

    1) Audiência
    2) Mérito técnico não dita exposição. 
    3) Uma coisa não tem relação com outra. O São Paulo ganhou 3 BRs seguidos, mais não foi mais mostrado na TV por isso. 

    Esse parâmetro jamais será estabelecido. Emissoras de televisão procuram audiência.

    Um abraço.

  • Márcio

    André,
    Em relação a TV fechada, se por exemplo a Rede Globo ficar com os direitos de transmissão do brasileiro para os próximos anos, automaticamente ela fica também com os direitos de TV fechada ?
    Obrigado.

    AK: Não necessariamente. Um abraço.

  • Teobaldo

    Tudo bem, mas se a TV sempre mostra os mesmos times, quando é que os outros demonstrarão potencial para, também, resultarem em audiência? Da forma como está, fica criado um ciclo vicioso (aparentemente desejado pela emissora, concorda?) do tipo “nós só mostramos o time “A” porque ele dá audiência….. o time “A” dá audiência, por isso mostramos apenas o time “A”.

    É óbvio que o mérito técnico não dita exposição, mas a inclusão dessa variável não poderia, de alguma forma, motivar a todos em relação à necessidade de melhorar, sempre, para, também, almejar uma melhor remuneração?

    Parece claro, também, que uma coisa não tem relação com a outra, mas os clubes interessados não deveriam, no mínimo, tentar negociar uma cláusula que premiasse, de alguma forma, a eficiência deles em relação à remuneração oriunda das verbas da TV?

    AK: A televisão não mostra “sempre os mesmos times”. Ela mostra “sempre os mesmos times mais vezes”. São coisas diferentes. Essa questão obviamente tem a ver com a representatividade desses times nos mercados considerados mais importantes. Com relação à sua última poderação, eu diria que não. Ganhar mais dinheiro da TV não deveria ser objetivo de um clube, e sim depender menos desse dinheiro. É isso que tem feito, para usar o seu exemplo, o Internacional, que fatura com o Beira-Rio um montante cada vez mais significativo. Um abraço.

  • André/pessoal,

    entendo que o ideal seria a divisão igualitária de cotas, mas também entendo que, aqueles que têm mais audiência deveriam ter um retorno maior. Portanto, eu agiria da seguinte maneira:

    (PS: não sei como são feitos os pagamentos aos clubes hoje – se mensal, de uma vez, em 2x…)

    O dinheiro arrecadado seria dividido em 2 partes: a primeira seria distribuída no início do campeonato, igualmente para todos os clubes da Série A (e igualmente, mas um valor menor, para todos os times da série B). No final do campeonato (ou mensalmente, tanto faz), seria feito um cálculo de quanto cada time teve de audiência (levando em consideração quantidade de jogos transmitidos, população da cidade/estado que faz parte etc.) e, de acordo com esse “ranking”, distribuiria o restante.

    Acho que seria mais “justo”, porque no início você dá condições de igualdade a todos, mas no final “premia” quem foi melhor, tanto em campo quanto no “marketing” (tentado expor sua marca ao máximo para atrair mais “clientes”).

    O que vocês acham?

    Abraço!

  • Kurt

    Como disse no meu comentário sobre o post “Camisa 12” não existe a possibilidade de união entre os clubes. Nesse caso o conceito de união é bem mais amplo que interesses em % da cota dos direitos de transmissão. Mais uma vez, vejo por fonte diferente da CBF que determinado campeonato nao tem relevância… em outras palavras, o futebol brasileiro não vale os valores mencionados, e se uma emissora está realmente oferecendo tal quantia é de se suspeitar…

  • Paula

    Sera que a não transmissão hoje tem a ver com falta de profissionais na tv aberta devido ao carnaval e tb pq mais gente compra ppv. os dois juntos ditam a programação…

  • nilton

    Falando em explosição lembro que em 2001 o São Caetano liderou o campeonato inteiro pedendo apena na final para o Atletico PR, e lembro que deve ter passado no maximo uns 2 jogos dele na primeira fase e depois apenas nas quarta de final já que na Oitavas ele enfrentou o Bahia.

    Lembrou que varios comentárista falava bem mas ninguem podia conferir.

    Se por a caso, fosse criado a tão sonhada Liga o que deveria ser mais importante para os times ganhar o titulo (resultado) ou fortalecer a Liga (espetaculo)?

    Qual a tua opinião, André???

  • Pois é, AK, mas isto cria um ciclo vicioso. Corinthians e Flamengo tem mais torcida porque aparecem na TV mais vezes. Tirando RS e MG, quase todo o Brasil recebe transmissão dos regionais de SP e RJ.

    Outros times não terão mais exposição, a não ser que a TV mostre estes times. Mostrando só Fla e Corinthians, só eles sempre receberão mais dinheiro.

    Permita-me discordar e achar que a quota da TV deveria ser dividida igualmente.

    AK: “Corinthians e Flamengo tem mais torcida porque aparecem na TV mais vezes”. Mito. Mais: para a cota ser dividida igualmente, a exposição deveria ser igual. Do ponto de vista da TV, simplesmente não faz sentido. Um abraço.

  • Alexandre

    André,
    Enxergo o negócio futebol de forma diferente.
    Tomados os clubes como empresas, um campeonato de futebol seria como uma joint venture, em que os clubes, apesar de adversários no campo, entram como aliados no negócio.
    Qual é o objetivo desta grande empresa? Gerar lucros para os clubes, através das receitas de TV e bilheterias, e concorrer internacionalmente com as demais empresas do ramo – os demais campeonatos nacionais.
    E como atingir este objetivo? Sendo esportivamente forte e equilibrado, além de bem organizado.
    As cotas de TV pouco influem na importantíssima questão da organização do campeonato, mas influem decisivamente na qualidade técnica e no equilíbrio do mesmo.
    É evidente que, se as cotas da tv aberta (pay-per-view é outra história) forem divididas proporcionalmente à exposição de cada clube (Número de jogos do clube transmitidos * audiência média destes jogos), o resultado final será prejudicial à empresa-campeonato, na medida em que os times mais populares e com mais astros estarão sendo duplamente favorecidos: receberão uma cota muito maior e, tendo mais exposição de TV, também poderão negociar patrocínios de camisa cada vez maiores que os dos demais, e também atrair (e pagar)outros astros, aumentando ainda mais seu potencial de exposição.
    É um óbvio circulo vicioso que cria desequilíbrios crescentes e desvaloriza o campeonato no longo prazo, tornando-o cada vez menos interessante e lucrativo para o conjunto dos clubes. 
    É o que ocorre claramente no Espanhol, onde, por exemplo, o galático Real Madrid recebe 140 milhões de euros e o médio La Coruña recebe 14 milhões (DEZ vezes menos!!!). É ridiculamente óbvio que permitir tal disparidade não é nada bom para o campeonato, esportivamente e comercialmente.

    Assim, em oposição a este critério, eu defenderia que 50% da verba total fosse igualmente dividida entre os clubes participantes, para que todos tivessem condições mínimas de competitividade (não necessariamente ter condições de chegar ao título, mas de competir com boas e bem remuneradas equipes), 25% da verba dividida conforme o desempenho esportivo (os melhores times são os que mais contribuem para a qualidade técnica do campeonato, afinal) e 25% distribuidos entre os clubes que atendessem a uma série de requisitos organizacionais, em prol do espetáculo, como oferecer estádios confortáveis, seguros, com boas instalações para as equipes de TV, com bons gramados e um mínimo de lotação (a torcida também faz parte do show).

    “Esse parâmetro jamais será estabelecido. Emissoras de televisão procuram audiência”.

    Estamos tratando de divisão de cotas, não de quais jogos vão ser transmitidos.
    De qualquer forma, há dois interesses em alguns pontos conflitantes: o da empresa-campeonato, e o da empresa televisiva.
    Deve-se chegar num meio termo, pois não há (ou não deveria haver) uma relação de subordinação entre ambas.
    Até hoje, no Brasil, só se atendeu aos interesses imediatistas da empresa televisiva, numa relação predatória, quando na verdade deveria haver uma simbiose.
    E negociações individuais só agravariam este desequilíbrio de poder entre quem vende o produto e quem compra.

    AK: Obrigado pelo comentário. A simbiose não existe porque os clubes são duplamente incapazes. Não trabalham para depender menos do dinheiro da TV, e não se organizam para discutir com ela. Um abraço.

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