NOTONAS PÓS-RODADAS (e mais uma canetada)



Consideraçoes sobre alguns jogos do fim de semana:

Convenhamos que a chance de Flamengo e Botafogo (1 x 1: Ronaldo Angelim e Abreu – nos pênaltis: Flamengo 3 x 1) chegarem aos pênaltis, mais uma vez, era grande.

Pensando nessa hipótese, o encontro entre Abreu e Felipe tinha o potencial para ser um dos grandes momentos do fim de semana.

Eu estava no Pacaembu e, já com os vestiários abertos, fiquei na frente da TV para ver… o que nunca aconteceu.

É evidente que as pessoas que tomam esse tipo de decisão têm muito mais experiência e, principalmente, mais informações do que todos nós. Mas tenho dificuldade para entender por que o principal batedor de um time, muitas vezes, é guardado para a última cobrança.

E por isso, também muitas vezes, não é um fator.

Escolhas à parte, as cobranças decisivas são o sonho dos goleiros. Pouca responsabilidade e várias chances para fazer diferença. Felipe é um notório pegador de penalidades. A cada defesa, fica mais confiante para a próxima, enquanto o inverso acontece com quem vai bater.

Exceção feita aos cobradores que sabem trancar o cérebro nesses momentos, como Abreu.

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A diferença de interesse entre Corinthians e Santos (3 x 1: Fábio Santos-2, Elano e Liédson) ficou evidente ontem no Pacaembu.

Times que estão jogando a Libertadores só têm a perder quando entram em campo por outra competição, como o Fluminense pode atestar. E quando o adversário é um rival que (por circunstâncias, no caso, para azar do Santos) só tem o campeonato estadual para disputar, o desequilíbrio de intensidade é claro.

O Corinthians só não foi absolutamente superior nos primeiros minutos do segundo tempo, quando o Santos exibiu amostras do futebol vistoso que se espera dele. E Elano teve um gol evitado por Júlio César.

No restante do jogo, especialmente olhando para o sistema de marcação corintiano, parecia que só havia um time disputando um clássico. O outro treinava.

Precisa observação de Mauro Beting, no Lance! de hoje: no jogo em que o Corinthians não teve o 6 e o 9, o 69 (número da camisa de Fábio Santos) resolveu.

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Ainda nesse assunto, melhor fazia o Internacional, que escalou o time B para jogar o Gauchão. Sinal aparente de um planejamento feito para privilegiar a Libertadores.

Campeonato estadual é, ou deveria ser, isso mesmo – uma fase de preparação para a temporada.

Mas depois de ser eliminado do primeiro turno pelo Cruzeiro (1 x 1: Ricardo Goulart e Diego Torres – nos pênaltis: Cruzeiro 5 x 4), o Inter mudou de planos. O que comprova que não havia planos.

O técnico do time B foi demitido. E o gauchão, agora, é responsabilidade dos titulares.

Ao sabor dos ventos.

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É triste ver como a História do futebol brasileiro é usada politicamente pela CBF.

Até quando acerta, como ao reconhecer o título da Copa União, é porque há objetivos associados.

O Clube dos 13 está rachado, com a saída iminente do Corinthians por conta dos direitos de TV e a possibilidade do Flamengo acompanhá-lo. O reconhecimento ao título de 1987 é um abraço na presidenta Patrícia Amorim.

O assunto é chato. Quem insiste em dizer que a Copa União não foi o Campeonato Brasileiro daquele ano só tem a nomenclatura como aliada.

Se a questão é só essa – a nomenclatura – encerramos aqui.

Mas não existe a menor dúvida de que a Copa União foi o campeonato de futebol mais importante realizado no Brasil em 1987. Dessa forma, com nome ou sem nome, o título é inquestionável.

Imaginar que os jogadores que conquistaram a Copa União agora estão felizes da vida, se sentindo campeões, é uma piada de extremo mau gosto.

Eles sempre foram campeões.

E aqueles que prestam atenção sabem muito bem por que a CBF, depois de tanto contestar as reivindicações do Flamengo, resolveu dar mais uma canetada.

Reescrevo a frase de Tostão, brilhante: “Não preciso ir a outra festa”.

Títulos conquistados estão na História. Não precisam de papel.

Muito menos de cinismo.

ATUALIZAÇÃO, 16h11 – Para ilustrar, veja a declaração de Zico ao UOL Esporte:

“Ganhei quatro títulos brasileiros pelo Flamengo e o de 1987 foi o último deles. O reconhecimento é bom para o clube, para a torcida, mas sempre me senti campeão. Para mim, não muda absolutamente nada.”

“Sofremos muito naquela campanha e ganhamos no campo jogando muita bola. Não vai ser uma caneta que determinará isso. O Flamengo mereceu por tudo o que fez.”

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Ah, já ia me esquecendo: o Santos, primeiro hexacampeão brasileiro (de acordo com a CBF) aguarda o chamado para receber a Taça de Bolinhas.



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