CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

NÃO DOEU NADA

A missão de sentar do outro lado da mesa e negociar com um dos agentes mais temidos do futebol brasileiro pode assustar muita gente. Mas não custou nenhuma hora de sono de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vice-presidente de futebol do São Paulo.

Anteontem, uma reunião que durou três horas e meia concluiu a negociação do contrato (será assinado hoje) que vai até dezembro de 2015. Lucas recebeu um obeso aumento salarial, com reajustes previstos a cada ano do vínculo, e será dono de 20% de seus direitos econômicos. A multa rescisória é de 80 milhões de euros.

As conversas entre Leco e o agente Wagner Ribeiro começaram em novembro do ano passado, já com a premissa de que as novas bases vigorariam a partir de janeiro. Não sofreram o impacto das boas atuações de Lucas pela seleção brasileira sub-20 no Campeonato Sul-Americano do Peru, especialmente na decisão contra o Uruguai, quando marcou três gols. A valorização do meia já era esperada e o tom amistoso, dos dois lados, norteou os encontros. “Tenho uma boa conversa com o Wagner Ribeiro desde a época em que ele era empresário do Kaká”, disse Leco, por telefone. “O único stress da negociação foi a vontade de ver tudo acordado e resolvido. Nós sempre discutimos as divergências de forma elevada”, completou.

A remuneração de Lucas ficou bem abaixo do teto estabelecido pelo São Paulo, o que comprova que tais divergências não foram tão significativas. Uma sugestão que o clube rechaçou, por exemplo, foi a inclusão de uma cláusula que o obrigaria a aceitar uma oferta superior a um determinado valor. Por ironia, Leco teve mais dificuldades para obter a aprovação do presidente Juvenal Juvêncio a pedidos que ele considerava razoáveis, do que para mostrar a Ribeiro que certas reivindicações não faziam sentido.

Se com Neymar, também agenciado por Ribeiro, a tarefa do Santos era apresentar um plano que pudesse pelo menos adiar a transferência do jovem astro para a Europa, com Lucas os obstáculos do São Paulo foram menores. Além da ausência de uma proposta oficial com números capazes de travar o cérebro de qualquer pessoa, o desejo de Lucas foi determinante. “O Lucas quer jogar no São Paulo e sabe que não é a hora de sair”, disse Leco, acrescentando que, obviamente, não é realista imaginar que o meia de 18 anos permanecerá no Brasil até o fim de seu novo contrato. “Talvez hoje ele seja o segundo nome do futebol brasileiro em termos de cobiça”, afirmou o dirigente.

A reunião que selou o acordo aconteceu no Centro de Treinamentos do São Paulo, sem alarde. Os pais de Lucas estavam presentes. Ao final, a mãe dele pediu ao São Paulo que “cuidasse bem do meu menino”. O contrato do garoto é de gente grande.



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