CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

UM A MENOS, UM A ZERO

No momento em que encarnou o holandês Nigel de Jong e mostrou a Karim Benzema como é capaz de levantar o pé, Hernanes comprometeu sua primeira convocação pela “administração MM” e os planos do técnico de conseguir um resultado convincente contra um adversário respeitável.

O adjetivo fica bem para a seleção francesa, por sua história, mas é discreto se a conversa se restringir ao passado recente contra o Brasil. Duas décadas se completarão sem que o amarelo se sobreponha ao azul.

O esotérico Raymond Domenech – e suas convicções astrológicas – não comanda mais o time francês, mas talvez o atacante Guillaume Hoarau esteja certo. Na terça-feira, Hoarau disse que, depois de 98, é possível que a França tenha um “ascendente psicológico sobre o Brasil”.

O jogo no Stade de France não empolgava. Era disputado, às vezes duro. Mas limpo. Aos 38 minutos, Benzema aplicou um rascunho de lençol em Lucas e matou a bola no peito. A sola da chuteira de Hernanes chegou na sequência. Diferentemente de seu colega que apitou a final da Copa da África do Sul, o alemão Wolfgang Stark não precisou pensar no impacto que uma expulsão direta teria no jogo. De Jong ficou em campo, Hernanes não.

Uma vez mais, a postura da Seleção Brasileira era elogiável. O imortal Zinedine Zidane estava presente, mas nas tribunas. Diante dos olhos do algoz de 1998, o Brasil jogava com tranquilidade que, somada à falta de sal do adversário, permitia acreditar no fim do tabu. A defesa só tinha falhado uma vez.

Mas o cartão vermelho de Hernanes facilitou a palestra de Laurent Blanc para seu time no intervalo. Um a mais, estádio cheio… allez les bleus! Demorou só oito minutos. Robinho não conseguiu acompanhar Menez pela direita, o carrinho de Lucas não cortou o cruzamento e Benzema só completou. Treze anos depois, o Stade de France via mais um gol de seu camisa 10 contra o Brasil.

Estreia tímida de Renato Augusto, retorno providencial de Júlio César. O goleiro foi o melhor brasileiro em campo, ao impedir que a segunda derrota seguida da Seleção tivesse um placar maior. Chance para empatar, foram só duas: uma chegada de André Santos pela esquerda e uma bola mal dominada por Hulk, diante do goleiro Lloris.

O resultado incomoda menos pelo que foi e mais pelo que poderia ter sido. Perder para os franceses em Paris, com um jogador a menos durante metade do jogo é chato, e só. Mas com onze contra onze, talvez esse tabu não completasse vinte anos. Claro que a sequência não deve ser colocada na conta do time atual.

Hernanes percebeu o que fez na hora. A expressão em seu rosto foi a de quem tinha noção do estrago. Não no peito de Benzema.



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