JOGOS E PALAVRAS



O que você achou quando ouviu/leu a declaração de Luiz Felipe Scolari (“eu gostaria até de perder esse jogo”), sexta-feira passada, sobre o risco de Tite ser demitido conforme o resultado de Palmeiras x Corinthians?

Respondo primeiro: lembro de ter ficado surpreso pela originalidade da frase, e de ter aplaudido internamente a manifestação do técnico do Palmeiras.

As palavras foram tão claras, num contexto tão fácil de entender, que não me passou pela cabeça que poderiam ser mal interpretadas.

O destaque dado a elas na imprensa (mesmo que não se tenha repercutido que Scolari disse a mesma coisa a respeito de Fernando Diniz, demitido no dia anterior pelo Paulista) confirma que, felizmente, não foram. Fernando Fernandes, repórter da TV Bandeirantes, quis ouvir o que Tite tinha a dizer sobre o gesto do colega.

Tite foi seco. Disse algo como “não preciso da ajuda de ninguém”.

No intervalo do jogo, a resposta do técnico corintiano gerou outras perguntas entre os repórteres que estavam no Pacaembu. Afinal, Felipão e ele não são amigos?

Se não fossem, seria fácil entender a reação de Tite. Entre duas pessoas que não se dão bem, uma frase como aquela só pode ser entendida como ironia.

Mas eles são amigos. Sempre foram. Tite foi jogador de Luiz Felipe, já se aconselhou com ele sobre a carreira de treinador. Até o último domingo, eles jamais tiveram uma rusga sequer.

Na coletiva após o clássico, Felipão foi informado sobre a maneira como Tite respondeu. Dessa vez, com a irritação de que se sente vítima de uma descortesia, quis encerrar o assunto na base do “cada um cuida da sua casa”.

Houve quem conseguisse enxergar (é tarefa dificílima, mas parece que tem gente com poderes sobrenaturais) uma relação entre a frase de Luiz Felipe e a vitória do Corinthians. Como se um treinador do gabarito dele, e com a experiência dele, fosse ingênuo a ponto de “amolecer” seu próprio time com uma declaração pré-jogo.

De qualquer forma, Tite não se aborreceu por qualquer coisa ligada ao jogo de domingo passado. E sim a um jogo do ano passado.

Palmeiras x Fluminense. Algo no sentido de “se quisesse mesmo me ajudar…”

São situações distintas, complexas. Como as relações entre pessoas.

Insisto: no momento em que disse o que disse, acredito que Felipão foi sincero. Mas só Tite tem as informações (e as sensações) para processar a declaração como fez.



  • Eu nem me lembrava da situação do ano passado. Muito bem observada.

    Mas acho que a imprensa acaba fazendo das declarações (não só dos técnicos) dos desportistas um trampolim para notícias de tablóide…

    Hoje mesmo eu e meus colegas de trabalho (cada um torce pra um time) comentamos que as declarações que ficam só no futebol, no caso, as provocações, são muito bacanas, e aumentam a graça do espetáculo…

  • Leandro Azevedo

    E o que dizer da declaracao do Andres a FOLHA ontem:

    ““Ele pediu para ir ao jogo domingo, eu o proibi de ir. Até para evitar uma situação de confronto [com a torcida].”

    Sera que houve algum mal entendido com o que disse Ronaldo e Tite sobre ele nao jogar o classico domingo passado?

    Abs

    AK: Pelo que entendi, Ronaldo queria ir ao jogo. Como torcedor. Um abraço.

  • Eduardo

    Se fosse o Tite, que fizesse tal declaração, seria sdvertido e talvez até punido, pela torcida e
    diretoria do Timão, mas como o Palmeiras é um time de casa da “maria joana” o Sr Felipão cometeu uma traição ao Palmeiras e seus torcedores, ao declarar uma possível ajuda ao Tite e ao Corinthians.Gostei da resposta do Tite, mostrou personalidade ao recusar uma possível ajuda do do “amigo” Felipão. Fóra Felipão, traidor e mercenário!

  • Mauro Domingos

    AK, com o advento da tecnologia e internet, uma noticia num site qualquer vira noticia velha 40 minutos depois de publicada. Dai a necessidade de parte da imprensa criar mais uma noticia nova. O problema é q alguns profissionais acabam inventando situações, interpretações e complicações onde não existem.

    AK: Não foi isso que aconteceu nesse caso. Um abraço.

  • Teobaldo

    Aqui no blog, vez ou outra, algum participante “lê o que não está escrito” (expressão sua, caro André). No caso em questão, acho que o Tite “ouviu o que não foi dito” (essa é minha). Avalio que técnico do Corinthians foi infeliz (profundamente, aliás) na interpretação do que disse o Felipão. Um abraço.

  • M. Silva

    Prezado André,

    acho que ou entendi mal o que você quis dizer, ou você talvez tenha subsistido alguma ambigüidade no texto: “As palavras foram tão claras, num contexto tão fácil de entender, que não me passou pela cabeça que poderiam ser mal interpretadas.
    O destaque dado a elas na imprensa (mesmo que não se tenha repercutido que Scolari disse a mesma coisa a respeito de Fernando Diniz, demitido no dia anterior pelo Paulista) confirma que, felizmente, não foram”.

    As declarações “felizmente” “não foram” “mal interpretadas”/”claras” (por favor, as aspas não conotam ironia, apenas o fato de ser uma citação)? Porque pelo contexto todo (não vi o tratamento dado às declarações, estou me orientando pela sua narrativa), me pareceu que você sugere que elas foram mal interpretadas e/ou não foram claras.

    Você poderia dirimir essa dúvida?

    Obrigado, e um abraço,

    M. Silva

    AK: Claro. As palavras foram claras. Não me passou pela cabeça que poderiam ser mal interpretadas. Felizmente não foram. Um abraço.

  • M. Silva

    André,

    obrigado pela resposta tão rápida. Tudo claro agora.

    Um abraço,

    M. Silva

  • Alexandre

    Acho que a declaração do Felipão foi infeliz, mesmo que ele tenha tido a melhor das intenções. Em hipótese alguma ele poderia ter dito que ele gostaria de perder se disso dependesse o emprego do colega, ainda que tenha sido só uma afirmação retórica.
    Ele é funcionário do Palmeiras e os interesses do Palmeiras estão acima da solidariedade dele para com o Tite.
    Quanto à afirmação do Tite, foi seca mas foi correta. Ele só quis dizer que se o Corinthians ganhasse, isso se deveria à sua própria competência, e não a uma absurda solidariedade do adversário.
    Na minha opinião, a irritação do Tite não foi com o Felipão, mas com a imprensa, que faz perguntas bobas e não quer ouvir respostas duras.

    AK: Neste caso, você se enganou. Tite não se irritou com quem lhe fez a pergunta. Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    AK: Seu comentário foi apagado por acidente, desculpe.  Mas você está enganado quando diz que a pergunta feita ao Tite foi para ver “o circo pegar fogo”. Foi para ouvir a opinião dele a respeito de um “gesto bacana”. Essa expressão foi usada na pergunta. É exatamente o oposto do que você afirma. Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    E foi pelo mesmo motivo que depois foram lá para o Felipão pra dizer: “E aí, Felipão? Ele respondeu assim, assim e assim!”
    Só faltava dizer o que diziam quando eu era pequeno: “Se fosse eu não ficaria quieto! Você não vai revidar?”

    AK: Engano seu, de novo. É perfeitamente lógico que se volte ao assunto. Como está no texto, muita gente achou estranha a forma como Tite respondeu. Um abraço.

  • Paula

    “Gostaria” não significa que vai perder, nem que vai fazer força para isso. Tite vacilou, podia ter feito piada da situação mas preferiu ser rispido. Ainda pior se realmente a sua replica foi decorrente de uma “ajudinha” que ele queria do Palmeiras ano passado.

  • Anna

    Acredito que as palavras do Felipão tenham sido de solidariedade, apenas. Um gesto bem bacana!

  • Marcel Souza

    André, as palavras dp Felipão foram claras, ok. Mas você não acha que o próprio time pode entrar com um espírito diferente, sabendo que o técnico disse uma coisa dessas? Ou isso não existe? 1 abraço,

  • Leonardo atleticano

    André, concordo que a coisa não tem relevância e foi só uma colocação boba. O que acho muito errado, são fatos idênticos serem tratados de forma tão diferentes de acordo com o autor.
    Quando é uma pessoa querida da mídia, a desculpa vem antes da notícia, quando é uma pessoa mal vista, a falha é multiplicada por 1000.
    Vejo pouca imparcialidade, uns estão sempre pisando na bola e são sempre absolvidos de pronto, outros não são perdoados nunca, e são massacrados ao menor escorregão.

  • Felipe

    A questão é que são tantos blogs, twits, jornais, sites e sei lá quantas mais mídias e “especialistas” que acompanhar futebol virou uma chatice. Falta notícia, e a função de reportar da imprensa se tornou secundária. O importante é pegar qualquer migalha de informação e transformar em algo que venda ou se torne notícia. A frase de Felipão é mais clara do que água, mas o importante para a imprensa é tumultuar o ambiente. Não digo isso a respeito do seu trabalho, deixo claro, mas que o nível da imprensa anda tão baixo quanto do futebol brasileiro, isso eu considero um fato.

    AK: Independentemente disso, o que aconteceu neste caso foi diferente. E tem uma coisa que acho importante deixar clara: como jornalista, considero a declaração do Luiz Felipe importante e merecedora de todo o destaque que teve. A reação de Tite aumentou o interesse. Um abraço.

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