COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

OS TRÊS ERRES

O cenário era impensável, nove anos atrás, quando eles saboreavam juntos o momento mais sublime que um jogador de futebol pode imaginar. Se alguém dissesse que Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo jogariam no mesmo país em 2011, o Brasil jamais seria considerado.

Mas cá estão eles, seis troféus de “melhor do ano da FIFA”, vestindo camisas domésticas. Nesta semana vimos os três, num intervalo de 48 horas. “Fim de carreira”, diz o mau humorado.

Para Ronaldo, dramas sul-americanos à parte, o epílogo está realmente próximo. Anunciado por ele próprio para dezembro. Há quem consiga enxergá-lo como culpado pela vergonha de Ibagué e queira encerrar, já, seus dias em campo. Fala-se em falta de mobilidade, como se o centroavante do time que ganhou dois títulos há dois anos fosse um azougue.

Provavelmente o melhor atacante da História, Ronaldo é um híbrido de funcionário e sócio (não no sentido de quem freqüenta a piscina) do Corinthians desde que chegou. Só que no final do primeiro semestre de 2009, quando as coisas iam bem e a torcida se orgulhava, ele ajudava e era ajudado por um time que jogava muito mais do que o atual. Dar a Ronaldo o tratamento que Rivelino, Edílson e Tevez receberam é, numa palavra só, ignorância.

Já Ronaldinho está só começando, do ponto de vista de quem é Flamengo. Trinta anos, nenhuma lesão grave na carreira. Em tese, várias temporadas em alto nível pela frente. Ocorre, claro, que as últimas não foram assim. Ninguém que esteja prestando atenção pode escorregar na ingenuidade de apostar no retorno do grande Ronaldinho. Mas também não deve acreditar no desaparecimento de seu talento.

Mesmo porque é muito menos difícil ser R10 no futebol brasileiro, onde se faz diferença com pouco. Quem tem muito como ele, mesmo que não use tudo, brilha mais e por mais tempo. Na estreia, Ronaldinho não chegou a ser ótimo e esteve longe de ser péssimo. O mais provável é que não toque nesses extremos, mas seja sempre um foco de atração. Infelizmente, não estamos acostumados a ver jogadores desse patamar sem a necessidade de um satélite.

E não víamos Rivaldo há muito, muito tempo. Escondido na Grécia e depois no Uzbequistão, nem o Wikileaks pode nos informar sobre um craque que está para o marketing pessoal assim como Hosni Mubarak está para a democracia. Razão pela qual não se sabia bem o que esperar de sua primeira apresentação pelo São Paulo. Foi melhor assim.

São raros os jogadores capazes de dominar a bola e fintar seu marcador com um só movimento. Os que o fazem com um toque de coxa, já preparando a bola para o chute, são ainda mais difíceis de encontrar. O gol de Rivaldo foi uma clínica. Ele também correu como se não tivesse 38 anos, bateu os escanteios como se fosse o dono do time, topou recuar e marcar como se não fosse um meia consagrado.

Em 2002, campeões do mundo, eles estavam tão distantes do Brasil quanto poderiam estar. O futebol brasileiro não existe para craques no auge. Hoje, distantes do auge, os três estão por aqui.



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