CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

AINDA ESPERANDO O MAGO

Uma reunião realizada em julho no Palestra Itália marcou o último momento em que Jorge Valdivia foi unanimidade entre os palmeirenses. O encontro aconteceu numa noite de segunda-feira, e foi crucial para a volta do chileno ao clube. Financeiramente crucial, para ficar mais claro.

A cúpula do Palmeiras tinha decido repatriar o meia, que estava no Al-Ain (EAU). Achou boa ideia convidar um grupo de sócios generosos, entre eles participantes do projeto de “cesta de atletas” do clube, para levantar a quantia que poderia fechar o negócio com os árabes. Mas diferentemente do princípio de investimento da “cesta”, em que os sócios são cotistas de direitos econômicos de jogadores e vislumbram lucrar em caso de negociações vantajosas no futuro, a contribuição discutida naquela noite era apenas um adiantamento.

Com cotas mínimas de R$ 25 mil, os interessados fizeram um empréstimo ao Palmeiras. Prazo de devolução de três anos, correção monetária baseada em CDI. O clube se comprometeu a destinar 30% de todo e qualquer lucro obtido com vendas de jogadores à amortização da dívida com os sócios. E a quitá-la integralmente ao final do período acordado. Os contribuintes não têm perspectiva de lucro e nem certeza de recuperar o dinheiro emprestado. Fizeram o que fizeram com o coração e a caneta, absolutamente convencidos de que a chance de rever um ídolo com a camisa do Palmeiras não poderia ser desperdiçada.

Ídolo? Sim, ídolo. Como se sabe, a passagem anterior de Valdivia pelo clube não foi tão significativa, se o critério for tempo ou conquistas. Entre 2006 e 2008, o número de jogos não chegou a cem e produziu um título do Campeonato Paulista. Mas a empatia entre o chileno e os palmeirenses, especialmente as crianças, superou qualquer racionalidade. Um sócio que fez parte do rateio classifica a relação com a palavra “magnetismo”. Por isso, ninguém na sala teve dúvidas na hora de assinar o cheque. Algo nas proximidades de R$ 1,5 milhão foi arrecadado naquela reunião.

Desde então, as opiniões sobre Valdivia variam. Exigências de última hora atrasaram a assinatura do contrato, que aconteceu num domingo, no apartamento do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. As conversas no dia anterior foram tão tensas que pessoas próximas ao dirigente quiseram desfazer a contratação.

O desempenho em campo ainda não começou a justificar o alto valor (cerca de R$ 14 mi) investido: dezenove jogos, dois gols, problemas médicos e de relacionamento. Em defesa de Valdivia, é obrigatório dizer que não se pode avaliar um jogador machucado. E que o episódio da “cartilha de férias” mais parece uma provocação. Mas entre os que emprestaram dinheiro para trazê-lo, há até quem tenha a impressão de que ele está forçando a barra para sair.

Naquela noite em julho, os sonhos viraram ouro. Todo mundo acordou.



  • Andre, boa tarde

    Desculpe-me, nao sei como escrever diretamente, entao foi via comentario de um artigo qq.

    Gostaria de saber sua opiniao sobre  justiça da unificação dos titulos.

    Era assiduo leitor da coluna de seu pai, que profissionalmente nao tem nada a ver com voce e, a intransigencia e arrogancia (identica a de quem ele tanto ataca, sr Ricardo teixeira) dele com o assunto me irritaram a tal ponto que escrevi dizendo que ele estava perdendo um leitor.

    Claro que meu comentario nao foi publicado, paciencia.
    Ps – por incrivel que possa parecer, sou corinthiano viu??
    é que defendo o bom senso, e varios mas varios leitores escrevendo provando de todas as maneiras que a opiniao dele estava equivocada.

    Mas, realmente gostaria de saber sua opiniao, que sei ser imparcial.

    abraço e feliz natal

    AK: Primeiro, uma pergunta sobre o seu comentário: você consideraria arrogante e intransigente uma pessoa que concordasse com você?

    Bom, minha opinião sobre esse assunto eu dei no ano passado, quanto a unificação começou a ser cogitada: não concordo, acho errado. Acho mais errado ainda o fato de a decisão da CBF ser tomada sem que o tema fosse discutido amplamente por quem conhece a História do futebol no Brasil. 

    Não se deve discutir a importância da Taça Brasil e do Robertão. Em sua época, eram as competições de futebol mais importantes do país. Quem ganhou deve se orgulhar, sem precisar de um carimbo. O depoimento de Tostão em sua coluna (“não preciso ir a outra festa”) diz tudo. 

    Não se deveria discutir que o Campeonato Brasileiro foi realizado, pela primeira vez, em 1971. 

    Equiparação? Talvez. Unificação? Canetada. Ignorar a Copa União? Piada. 

    Lamento decepcioná-lo. Feliz Natal. Um abraço.

  • Willian Ifanger

    Será que o problema do Valdívia não foi imaginar que chegaria com o status de ídolo intocável e encontrou pela frente um Felipão pra lá de exigente?

  • Marcos Vinícius

    Talvez esses investidores (benfeitores) sejam os mesmos que não quiseram arriscar a contratação de uma meia muito promissor,que então era destaque no modesto  Paraná Clube,e preferiram investir em Valdívia,que a na primeira passagem pelo Verdão deu demonstrações de ser de comportamento difícil.

    Era muito mais fácil investir no renomado Valdívia do que arriscar no promissor Giuliano,mesmo levando em consideração que foram em épocas diferentes.

    Imagino que os ditos benfeitores devem estar muito felizes com sua acertada escolha.

    AK: A situação não foi essa. Os direitos econômicos do Giuliano eram da Traffic, parceira do Palmeiras. O nome do Giuliano foi mencionado numa reunião com sócios, mas não foi tomada nenhuma decisão sobre contratá-lo ou não. Um abraço.

  • Anna

    Ainda tenho esperança que Valdivia reencontre o seu melhor futebol e no Palmeiras. O título é muito bom e faz analogia do apelido do chileno com o Natal.

  • Paulo sp

    Valdívia é fraco demais para vestir a 10!
    Alex, Rivaldo, Zinho quantos jogadores melhor que o chileno passaram por la e não tiveram este reconhecimeto todo???

    O pior é que jogaram mais e conquistaram mais ainda…

    Torcida é mesmo um ser estranho…

  • Guilherme

    André, boa noite e feliz natal!

    Estou aqui porque sei que você, assim como eu, é um grande admirador do futebol europeu. E já fez várias declarações sobre o belo futebol do time do Barcelona e da Seleção Espanhola.

    Pois acabo de receber um presente de fim de ano que acho que tenho que compartilhar com você e seus leitores. Trata-se do documentário “El año que fuimos campeones del mundo” do programa Informe Robinson, produzido pela AS TV e veiculado no Canal+ da Espanha.

    Uma aula de jornalismo, bom humor, uma dose ideal de ufanismo e depoimentos emocionantes dos 23 jogadores, mais a comissão técnica e outras figuras.

    A primeira parte está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Y5N69MZ9k3I
    O restante está no youtube também.

    Se tiver um tempinho, recomendo fortemente!

    Um abraço

    AK: Obrigado pelo link. Deve ser muito bom. Um abraço.

  • Lucas

    Os mascates da informação insistem em serem donos da verdade e a tumultuarem o ambiente do Palmeiras que não é o “Time do Povo” e nem o “Time da Elite”. Recebe tratamento de “Time de Colônia” já que a Portuguesa não é mais uma realidade competitiva. Quando o Verdão deixar de ser, será interessante notar que típo de comportamento aqueles que sempre ridicularizaram as Teorias da Conspiração passarão a adotar. Será que darão destaque a torcedores alvinegros ou tricolores portando armas no estádio como já fizeram ao gerar factóides anti-Palmeiras? Ou irão festejar a diminuição de mais um concorrente no mercado de marketing que tomou conta do antes considerado esporte chamado futebol? É esperar e conferir o que dirão os analistas e pseudo-sociólogos da bola!

    AK: E aquela promessa, não vai cumprir? Ou nem mesmo você se leva a sério? Um abraço.

  • Marcos

    Em 1988 não tivemos campeonato brasileiro. Tivemos a copa união. O nome mudou. Mas a copa é equiparada e computada como sendo o “campeonato brasileiro” de 1988.
    Então eu pergunto: O que é necessário para q

  • Macos

    Eu realmente não compreendo. A maior parte da imprensa esportiva sempre criticou a cobrança de resultados em detrimento do reconhecimento de um bom futebol. 
    Os dois seriam importantes mas, o segundo, pelo viés  ético-esportivo, deveria se sobrepor ao primeiro.
    E, justamente quando a torcida do Palmeiras elege um ídolo não pelas suas conquistas mas sim pelo bom futebol que apresentou -ainda que em sua primeira passagem – sou obrigado a ler coisas como “critério tempo ou conquistas” ( ?!?)
    Seria como dizer: “ Eu acho você um excelente blogueiro/jornalista mesmo que para isso não leve em consideração os critérios da imparcialidade.”
    É fácil usar as palavras para “afirmar com isenção”.
    No fundo, e a bem da verdade, somos todos torcedores, ainda que alguns acreditem que possam ser imparciais seja por questões profissionais ou quaisquer outras.

    AK: Pois é, você realmente não compreende. Isso resume tudo. Um abraço.

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