CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

ABU NÃO DÁ BI

Todo mundo sabia que, um dia, aconteceria. A torcida do Internacional só não esperava que fosse com ela, com o time dela. Mais até do que isso: a torcida do Inter tinha certeza de que não aconteceria no Mundial de Clubes de 2010, por obra de um representante da majestosa tradição futebolística da República Democrática do Congo.

Não torço para o Internacional, mas pode me incluir entre os que estavam certos de que o Todo Poderoso Mazembe seria apenas uma lombada, dessas bem pequenas, no caminho do campeão da Libertadores até a decisão. E se você pretende que alguém acredite que outra possibilidade lhe passou pela cabeça, apresente uma prova, uma testemunha, antes que seu nariz comece a crescer.

O Mazembe está em Abu Dhabi como campeão (bicampeão, aliás) da Liga dos Campeões da África. Um crachá que não diz muita coisa, pois outros clubes africanos já o ostentaram em Mundiais e pouco fizeram além disso. O Mazembe ganhou do mexicano Pachuca, “o adversário do Inter na semifinal”, na estreia no torneio. Resultado que não serviu de alerta para muita gente, pois não foi a primeira vez que o Pachuca voltou para casa com lembranças africanas. No Mundial de 2007, perdeu para o tunisiano Etoile du Sahel na mesma fase. O salto alto do adversário mais renomado sempre estará na lista de explicações.

O que não se pode dizer a respeito do Internacional. E é aí que mora o aspecto mais surpreendente da colossal derrota de anteontem. Peço para ser incluído, também, entre as pessoas que só conseguiam enxergar o Inter disputando o terceiro lugar se o time fosse possuído pela mesma soberba que já fez tantas vítimas no futebol. Mas não foi isso que vimos.

O que vimos foi um Inter com mais posse, mais volume, mais chutes a gol. Depois um Inter mais nervoso, mais errático, mais impaciente. E o tempo todo, um Mazembe que se defendia, mas não se limitava a devolver a bola. Quando o Inter falhou na defesa, o futebol congolês marcou os dois maiores gols de sua História.

Não foi um acidente trágico, um episódio bizarro, algo que desafia a compreensão. O Internacional mereceu perder e passar pelo constrangimento de voltar a jogar no sábado, mas na preliminar. Quem acreditava que, passado o nervosismo da estreia, o time estaria mais solto no segundo jogo, poderá confirmar a tese contra o Seongnam. Que dureza.

E quem pensava nos clubes dos demais continentes como participantes excêntricos de um evento reservado a europeus e sul-americanos, viu com os próprios olhos um time do Congo legitimar o formato do torneio da Fifa.

O pior resultado que o Mazembe levará para seu país é o título de vice-campeão mundial.



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