COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

RALA QUE NÃO ROLA – 2

O Estádio Olímpico de Porto Alegre estava bonito no domingo passado. Mais de 45 mil gremistas presentes (todos os ingressos vendidos pela internet, sem filas ou infartos), renda próxima de R$ 1 milhão.

Em campo, o jogo contra o Botafogo foi o licor após um farto e saboroso banquete. As últimas pinceladas de um quadro impressionista. Placar de 3 x 0, quarenta e três pontos em dezenove rodadas, dos quatro piores aos quatro melhores do Campeonato Brasileiro, da ZR ao G4. O time mais quente do segundo turno conseguiu o que parecia conversa de loucos: uma vaga (naquele momento, ainda virtual) na fase preliminar da Copa Libertadores.

Três dias depois, o Independiente completou a obra e classificou o Grêmio para o torneio continental. O quarto colocado do BR-10 estava, finalmente, onde deveria estar. “A luz no fim do túnel se tornou um sol”, disse o técnico Renato Gaúcho. Mas a noite pode chegar, longa como no inverno europeu.

Anteontem, na Camisa 12, tratamos da maquiavélica relação entre mérito e recompensa vigente no futebol brasileiro. Hoje, trataremos de um produto dessa inversão de valores. A ideia não é assustar o torcedor gremista, mesmo porque a questão não é exatamente o Grêmio, mas a posição que ele ocupou no último Brasileirão. E o que pode acontecer com quem lutou tanto, no campeonato mais exigente do nosso calendário, para ter um 2011 melhor.

Imaginemos que o tricolor gaúcho (prenda a respiração) não passe pelo Liverpool uruguaio na pré-Libertadores. Eu sei, nem a mais sombria música gótica seria capaz de produzir tanto pessimismo. Em dois jogos, quase sempre o melhor time prevalece. Mas acidentes acontecem e nos deixam sem respostas. É futebol, afinal.

Sem a Libertadores, a temporada do Grêmio é um pesadelo. Não tem a receita, a exposição e o status da versão latina da Liga dos Campeões da Uefa. Não tem a Copa Sul-Americana ou a Copa do Brasil. Não tem nada de excitante para fazer no primeiro semestre, além dos Gre-Nais do Campeonato Gaúcho. Até o Campeonato Brasileiro começar, não tem um jogo que desperte em sua torcida o apetite mostrado nos 3 x 0 contra o Botafogo. E só tem o BR-11 para tentar um lugar na mesa em que todos os clubes querem sentar.

Ao fechar a porta da Copa do Brasil aos clubes que disputam a Libertadores, a CBF depenou seu atraente mata-mata. E penalizou quem disputa o título do Campeonato Brasileiro ao estabelecer um “rodízio” de oportunidades continentais. Qual é a explicação para um clube que está na Libertadores ter menos chances de disputá-la no ano seguinte? Por que o Clube dos 13 não se interessa em discutir essa injustiça (ou qualquer outro assunto que não seja direitos de TV)?

A solução passa pela reforma do calendário brasileiro, pela adequação ao que se faz em todos os lugares do mundo onde o futebol é importante como aqui. Enquanto isso não acontecer, ficar no meio da tabela do BR será, num aspecto, mais interessante do que brigar pelo título.

E se o Grêmio não passar pelo Liverpool, alguém dirá que teria sido melhor entregar o jogo para o Botafogo.



  • Roberto Carlos

    André

    Será que o ideal seria ter uma formula parecida com a UCL? me parece que alguns dos eliminados na primeira fase entram na segunda fase da Liga Europa (antiga Copa da UEFA), me corrija se eu estiver enganado.

    Abraços

    AK: Os terceiros colocados na fase de grupos de UCL entram na chave da UEL. Mas a Liga Europa não dá vaga na Champions. Um abraço.

  • Anna

    Quero ver o dia em que possamos todos comprar ingressos pela internet decentemente e não tenhamos que expor os torcedores a sacrifícios, problemas de saúde e até morte pois um torcedor do Flu infartou na fila e morreu. É um absurdo que um País que vai sediar uma Copa, em 2014, não tenha essa estrutura que facilita a vida de todos. Muito boa a coluna.

  • Posso ser mto mala? A Libertadores é a versão “latino-americana” da UCL, não latina. A UCL já é bem latina com times italianos, espanhois, franceses etc… =)

    AK: Você está certo. Falha minha. Obrigado e um abraço.

  • Punto

    Prezado Andre
    Muito boa sua coluna de sábado no Lance a respeito da Copa Libertadores, calendario e organização do nosso futebol.
    Realmente esta forma bizarra de organização das chaves da Copa Libertadores antes dos times estarem definidos e com critérios duvidosos de cabeças de chave já faz que se inicie esta competição com distorções técnicas e em 2011 teremos duas equipes de qualidade já eliminadas na primeira fase para delírio dos torcedores adversários. Imagine uma Copa do Mundo organizada nestes moldes: europa 2, america 3, etc…teriamos uma loteria e times melhores se degladiuando para enfrentar uma Coreia na final…
    Outro ponto que julgo totalmente equivocado nos regulamentos dos últimos campeonatos da CONMEBOL é o que diz respeito a critérios de desempates nos jogos eliminatórios.
    O gol valendo o dobro fora de casa foi uma forma encontrada para mitigar o imponderável do sorteio do mando de jogo e uma forma de equilibrar tecnicamente uma disputa cujo importante critério técnico de mando é fortuito.
    Olha que bizarro: quando a libertadores sorteava todos os jogos da fase eliminatória (até a final) o gol fora não valia. O Palmeiras, por exemplo, foi campeão em 99 depois de perder de 1 a 0 e m Cali e ganhar de 2 a 1 no Parque Antártica. Ou seja, foi pior tecnicamente por ter tomado um gol em casa, mas o que aconteceu? Penaltis para decidir o titulo.
    Finalmente nos últimos anos a CONMEBOL adotou o critério de gol fora, mas o mando passou a ser definido por critérios técnicos(discutível) que é a campanha da primeira fase. Um critério pouco correto, pois as equipes fazem campanhas distintas (este ano, por exemplo, o grupo do Fluminense fará provavelmente um líder com menos pontos que outras chaves e estará prejudicado o restante da competição). Além disto, este critério não agrega os resultados posteriores o que distorce também este critério. Ora se o mando é definido tecnicamente, mesmo de forma discutível, porque a equipe menos qualificada tem a favor o gol fora de casa? Não parece um contra senso? Veja o exemplo deste ano: o Corinthians fez a melhor campanha da primeira fase e acabou desclassificada com um gol fora da equipe com a pior campanha. O Inter eliminou o SPFC com o mesmo critério. Se adota um criterio o outro não pode anular o anterior…
    Outro ponto absurdo é que este critério absurdo não vale na final. Qual é o sentido disto? Além dito se nas fases anteriores não há prorrogação (em razão da TV?) porque esta forma de desempate existe somente na final? Não deveria haver prorrogação em todos os jogos eliminatórios em caso de empate?
    Resumindo: a CONMEBOL lembra a FPF nos tempos áureos do Farah, com regulamentos peludos e burros. Pior de tudo é acharmos tudo isto normal e não sabermos justificar ou detectar a origem de tanta ignorância. O futebol do lado debaixo do equador carece de campeonatos com regulamentos claros e simples, o que não é possível com o nível atual de dirigentes e de uma imprensa esportiva conivente ou –pior – surda e muda.
    Pode-se escrever com todas as letras: a Copa Libertadores de 2011 – como todas as anteriores – é um campeonato muito mal organizado. Cabe a imprensa, como você tem feito: colocar esta discussão em pauta, discutir e ampliar a inteligência dos dirigentes brasileiros que no final são responsáveis por calendarios e formulas absurdas.
    Bom trabalho.

  • alfredo

    Prezado Andre. Realmente é um problema a ser discutido.. mas de uma entidade que pressioanda por alguns decide alterar titulos nacionais de uma tacada so, oq esperar? daqui alguns anos, vao equiparar a copa do brasil ao brasileirao…….. ai o gremio, por exemplo, sera hexa-campeao tambem…(e acho justo, pois o robertao nao passa de uma copa do brasil)……..

MaisRecentes

Escolhas



Continue Lendo

Gracias



Continue Lendo

Abraçados



Continue Lendo