COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

MURICY CAMPEÃO

O que as últimas cinco edições do Campeonato Brasileiro têm em comum?

Foram vencidas por um time paulista? Não, o Flamengo ganhou no ano passado. Um clube gaúcho foi vice-campeão? Negativo, em 2007 foi o Santos. O São Paulo chegou entre os três primeiros? Errado, foi o décimo-primeiro em 2005.

Para ajudar, vamos mudar a pergunta. Na verdade, reformá-la: o que as últimas seis edições do Campeonato Brasileiro, contando a atual, têm em comum?

Não melhorou? Ok, agora vai. O que o Internacional de 2005, o São Paulo de 2006-08, o Palmeiras de 2009 e o Fluminense de 2010 têm em comum? Duas coisas. A primeira é mole: todos têm o mesmo técnico. A segunda, nem tanto: todos eles chegaram à última rodada do campeonato com chances de comemorar o título (ou com o mesmo já conquistado).

Pense por um instante. Seis campeonatos seguidos, quatro times diferentes, possibilidade real de troféu no último dia da temporada. Parece impossível, mas certamente não é. Para Muricy Ramalho, não foi.

Deixo de lado os campeonatos conquistados com o São Paulo, dois deles por antecipação. No departamento das façanhas, creio que disputar o título na última data por seis anos consecutivos, dirigindo clubes diferentes, é mais difícil do que ganhar três seguidos com a mesma camisa. E se não for, a conversa é interessante.

De fato, o tricampeonato entre 2006 e 2008 reúne os pontos mais altos da impressionante sequência de Muricy. Nessas temporadas, por óbvio, nenhuma campanha foi melhor do que a do time dele. Em 2005 (torneio manchado pela Máfia do Apito), só uma. No ano passado, quatro. Mas o Palmeiras acordou no domingo decisivo em quarto lugar, torcendo pela combinação de placares que lhe daria a taça.

Muricy poderia não estar nessa situação em 2010. E é razoável perguntar se o Fluminense estaria a uma vitória do caneco sem ele. Para o técnico e o clube, a data crucial do ano foi 23 de julho. Naquela sexta-feira, pela manhã, Muricy foi chamado ao Itanhangá Golf Club e ouviu o convite dos sonhos de todos os técnicos de futebol do planeta. Comandar a Seleção Brasileira era apenas uma questão de sorrir e dizer sim, e foi o que ele disse. Mas ressaltou que precisava conversar com o Fluminense, o clube que lhe pagava, com quem ele tinha um contrato. A resposta foi diferente da esperada (exigida?) pelo presidente da CBF, que o deixou, duas vezes, com a mão estendida no ar.

Quando o Fluminense se negou a liberá-lo, Muricy não brigou, não se fez de vítima, nem fez ameaças. Para um treinador que cumpre seus contratos por princípio, nada mais lógico do que cumprir mais um. Mesmo que isso signifique não ser o técnico da Seleção. Postura, muitas vezes, se mede pelo tamanho da renúncia.

A primeira série de derrotas lhe custaria o emprego, disse quem o criticou, sem perceber que essa é a variável com a qual todos os técnicos brasileiros convivem. Sem perceber que, para Muricy, não existe opção ao que foi escrito e assinado.

Calcule. Seis anos seguidos, quatro clubes diferentes. E o quarto título brasileiro em cinco temporadas pode chegar amanhã.



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