CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MALA BRANCA TAMBÉM FEDE

Sei que faço parte da minoria nessa questão. Não me importo. Também sei que a prática é antiqüíssima e está disseminada, portanto a ideia principal aqui não é combatê-la. Quero apenas dizer que os argumentos geralmente usados para defender a “mala branca” não param em pé.

Quando um clube injeta dinheiro num outro clube para que ele vença uma partida, não está apenas incentivando um grupo de jogadores a fazer seu trabalho. A relação é um pouco mais complexa do que um simples prêmio por vitória, aparentemente inofensivo.

Não há nada de errado em premiar alguém por um objetivo atingido. É algo tão comum no mundo corporativo quanto o crachá. Metas são estabelecidas para um determinado período ou operação. Se o funcionário fizer sua parte, a empresa terá lucro. É legítimo que ele fique com uma parte do bolo.

O “bônus” é um estímulo à excelência, uma gratificação. Existe na forma de complementação de salário em empresas, na premiação em dinheiro feita por fundações aos melhores professores de escolas públicas, ou toda vez que a organização de um campeonato escolhe seu atleta mais valioso. Faz parte da vida cotidiana das pessoas generosas, aquelas que têm o hábito de dar gorjetas, e das que fazem questão de pagar 10% da conta de um restaurante quando se sentem bem atendidas.

A versão futebolística do bônus sempre existiu, continua existindo e é perfeitamente aceitável. Quem não conhece o “bicho”? Clubes que pagam um extra para seus jogadores quando certos resultados são conquistados. Em alguns, o preço é fixado. Vitória vale x, empate vale y, vitória em clássico vale 2x. Noutros, a premiação é por objetivos (exemplo: vaga na Libertadores), mas nada impede que um dirigente prometa uma verba a mais em caso de uma deliciosa vitória sobre um rival. O “funcionário” faz sua parte, a “empresa” lucra, ele ganha uma parte do bolo. Simples.

Mas nenhum exemplo acima pode ser associado à “mala branca”. Nenhum. Quando um clube paga outro para vencer um terceiro, está pagando um adversário. Está estabelecendo uma relação financeira com um concorrente. Como isso pode ser aceito num ambiente em que todos competem entre si e lutam, em tese, pela mesma coisa? Já ouviu falar de um banco pagar bônus a um executivo concorrente? Como um time pode ser parceiro de outro num domingo, e adversário em todas as demais rodadas? No meio do futebol, a “mala branca” não é considerada ilegal como sua parente mais escura, mas é tão promíscua quanto. Tão imoral quanto. Também falseia a competição.

Exemplo atual: imagine que o Palmeiras venceu o Fluminense na última rodada, e por isso ganhou um prêmio do Cruzeiro. Domingo que vem, tem Cruzeiro e Palmeiras. Não cheira mal?



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