CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

NÃO ENTREGUEM OS PONTOS CORRIDOS

Quero começar pelo final. Pelo final da coluna que Eduardo Tironi escreveu ontem aqui neste mesmo espaço: “Mas a solução mesmo vem da sociedade. Quanto mais evoluída, menos serão necessárias regras para inibir quebras de valores éticos”. Onde assino? Junto-me a Tironi na tentativa de argumentar que o que estamos vendo nas rodadas decisivas do Campeonato Brasileiro não é culpa da fórmula de disputa.

Celso Roth, técnico do Internacional, declarou numa recente entrevista que os campeonatos dos últimos anos têm sido marcados por um “entreguismo” preocupante nas rodadas finais. “Nós, que somos do meio, sabemos do que existe, do que é verdadeiro e do que é falso nesses jogos”, disse Roth, que entende que algo precisa mudar no sistema. Mas já vimos jogos caracterizados por um “conveniente desinteresse” em outros formatos, seja no momento da definição dos classificados ao mata-mata, seja na hora do rebaixamento. Ainda não foi concebida a fórmula que garante uma competição livre de manipulações. E provavelmente não será.

A ideia de marcar clássicos estaduais para as últimas rodadas, a princípio, parece interessante. Mas sua aplicação é problemática. Os principais times cariocas e paulistas, por exemplo, seriam obrigados a enfrentar seus maiores rivais nas seis últimas datas de cada turno, o que obviamente feriria o fundamento do sistema de pontos corridos – a igualdade de condições entre todos os participantes. Mais: mesmo supondo que jamais haverá facilitação num jogo entre adversários históricos (você aposta?), a medida não contempla o rebaixamento, sempre às voltas com placares misteriosos.

A questão maior não é impedir a manifestação dos desvios éticos de alguns dirigentes e atletas. Eles sempre encontrarão um caminho. O desafio, como escreveu Tironi, é nossa evolução como sociedade. Duvide de quem diz que o assunto não é assim tão sério. Os torcedores que não se envergonham de levar a um estádio uma faixa estimulando a entrega de um jogo, e prostituem sua “paixão” no processo, certamente consideram o futebol tão importante quanto o oxigênio. Acima de tudo, são cidadãos equivocados, influenciados pelos piores exemplos do país dos escândalos.

O Campeonato Brasileiro de futebol, com qualquer sistema de disputa, sempre poderá sofrer as consequências do que somos, de como pensamos, de como agimos e de nossa incapacidade de diferenciar certo e errado. De nossa vocação para vergar regras de conduta até elas se tornarem sugestões descartáveis. De nossa vontade irresistível de ser o maior malandro da sala. Times deveriam entrar em campo para jogar e vencer. E ponto.

O formato atual é vítima, não vilão. Não há fórmula eficaz contra defeito de caráter.



  • Haroldo

    Rapaz…é exatamente isso! E considerando hoje nossa sociedade, vai demorar ainda algum tempo para mudar. Mas vai mudar. Ou alguém escuta algo semelhante nos campeonatos da Europa?

    AK: Na Itália tem mutreta. Deve ter em outros países, também. A diferença é a repercussão das coisas. E as punições. Um abraço.

  • Francisco

    Penso que os desvios éticos do nosso futebol se devem à paixão cretina das torcidas (des)organizadas, que preferem fazer festa com a derrota do rival do que apoiar a dignidade do próprio time. Para elas, não basta amar seu time, é preciso odiar todos os demais. Já os clubes apenas tangenciam a mesma linha de irraciocínio de sua torcida, pois o cliente também tem razão, não é? Mas a confusão está armada mesmo quando os próprios dirigentes assumem a mesma cara dessa laia de torcedores. Entre muitos clubes grandes de SP, por exemplo, a rivalidade deixou de ser saudável há muito tempo…

    AK: Pura verdade. Um abraço.

  • Beto

    Concordo com as colocações éticas e morais explicitadas no seu texto e no do Tironi.

    Contudo, ainda acho que o sistema com mata-mata no final deixa o futebol mais romântico.

    Em tempo: você viu que estão estudando a possibilidade de um sinal gráfico para indicação de ironia nos textos? Será o fim da IUPST? hehe

    Abs!

    AK: Nada será capaz de acabar com a IUPST. Somos eternos. Um abraço.

  • Gustavo Xavier de Almeida

    André, nao lembro de ouvir esse complô contra os pontos corridos ano passado após o jogo CORINTHIANS vs FLAMENGO.
    Sou SPFC e estou completamente envergonhado pelo q aconteceu no jogo SPFC vs FLUMINENSE, ver a torcida comemorando contra o time, lamentavel.
    Mas voltando á semana antes dos jogos, os Corinthianos nao se importavam muito com a suposta “entrega” dos rivais pois só dependia dele próprio, e depois do empate ficaram revoltados com o SPFC e PALMEIRAS, o q está acontecendo é culpa da rivalidade ou da falta de competencia do CORINTHIANS…
    abs

    AK: São duas coisas diferentes. A situação do Corinthians na tabela é culpa dele. O que está acontece com o campeonato, e há muito tempo, é outra conversa. Um abraço.

  • Rodrigo

    Andé … acho que a linha que divide a entrega e o desinteresse é tênue. E eu, pessoalmente, acho que há uma tempestade em copo d’água em torno dessas “entregadas”. Ou de jogar com desinteresse …

  • Como disse para o Tironi, onde assino?

  • Nélio Minetto

    Concordo com tudo e vou além, deveriam se envergonhar os torcedores de um time que ganhará um estádio de uma empresa que lucra prestando serviços ao governo federal, ou seja, que terá o estádio custeado por todos os brasileiros, mesmo os que não possuem água encanada e coleta de esgoto, escola pública de qualidade para os filhos, rede de saúde onde a dignidade e a vida sejam preservadas.
    Argumentar que a publicidade pagará o investimento da empresa construtora é no mínimo hipocrisia.

    Nélio
    Curitiba – PR

  • Lucas Venucci

    Notícias de amigos meus que são conselheiros do Corinthians dão conta que o presidente Sanchez sabendo que para ser campeão brasileirio precisará do esforço dos jogadores palmeirenses no jogo contra o Flu vai se reunir com o treinador Felipão no sábado pela manhã e propor para que o Palmeiras tire ponto do Fluminense a cessão por empréstimo de 1 ano dos jogadores Defederico, Lulinha e Souza. O Corinthians ainda pagaria 50% o vencimentos salariais desses atletas.
    Será que Felipão motivará o seu tiime com essa oferta?

    AK: A chance de acontecer uma reunião de Felipão com o presidente do Corinthians no sábado pela manhã é menor do que eu ser o centroavante da Seleção Brasileira na Copa de 2014. Um abraço.

  • Sumaré

    “…feriria o fundamento do sistema de pontos corridos – a igualdade de condições entre todos os participantes.” Mas André aí inês é morta. Essa igualdade já não existe agora.

    Esqueçamos a luta pelo título. Veja o caso do Goiás, Flamengo e Vitória. Esses times tiveram jogos duríssimos contra o Palmeiras enquanto Atlético-MG e Atlético-GO enfrentaram um Palmeiras misto e desinteressado. Onde está a igualdade de condições?

    Concordo que o formato de pontos corridos é vítima das circunstâncias mas o que fazer? Esperar que a ética comece a imperar na nossa sociedade? Bem, é melhor esperar deitado porque já se passaram 500 anos do descobrimento do Brasil e a sociedade avançou muito pouco.

    Infelizmente, a única solução (paliativa) é mudar o campeonato (passando para 18 ou 16 times) ou a forma de disputa (voltando aos mata-mata) ou ainda a forma como definimos a 4a. vaga da Libertadores.

    Sds.,

    AK: A igualdade de condições deve nortear a tabela de jogos. Um abraço.

  • Perfeito André

    A coluna do Tironi só saiu no jornal impresso?
    Não há um link para a leitura?

    Abraço

  • Joao

    Concordo, mas acredito que elaborar melhor a tabela pode ajudar a não ocorrer esse tipo de problema ético. Mas eu não colocaria os clássicos estaduais nas ultimas rodadas. Eu acredito que, normalmente, os 12 maiores clubes do pais (SP, CO, PAL, SFC, FLA, FLU, VAS, BOT, CRU, ATL, INT e GRE) são aqueles com maiores chances de serem campeões, certo ? E é entre esses clubes que a rivalidade é exagerada e ocorrem as “entreguadas”, certo ? Entao acho que poderia se fazer os jogos entre os 12 grandes nas primeiras rodadas. Além do que seria um grande chamativo para o início do campeonato que normalmente é meio chocho, por exemplo, logo na 1ª rodada clássicos nacionais como Sao Paulo x Inter ou Fluminense x Palmeiras… Abraço,

  • BASILIO77

    É claro que a “culpa” pelo comportamento antidesportivo das equipes não é do sistema. Mas o porblema EXISTE. Ou não?
    E não começou agora. Nem em 2009. Começou em 2004, quando a intenção era prejudicar o AT/PR. É só pesquisar.

    Agora, defender que a atual formula de disputa NÃO tenha NENHUMA alteração…repito, NENHUMA ALTERAÇÃO que tente…repito TENTE minimizar as falhas desse sistema, que NÃO se resumem as “entregas”, é muito fanatismo pelos pontos corridos “ortodoxo”.
    Não há punição, nem haverá punição para quem entrega jogo, porque isso é impossivel de ser provado. Simples. Então não dá pra esperar por ela.

    Eu prefiro chamar de comportamento “antidesportivo” do que “antiético”. É a cultura do nosso futebol, e quando se fala em cultura, acho que deve ser respeitada…mesmo que a gente não concorde inteiramente com ela. A maioria dos torcedores, embora alguns não admitam, torce contra o rival nem que isso custe a derrota do proprio time. Isso ACONTECE! Não vamos fingir que NÃO AONTECE só porque é “feio”. E isso influencia nos times profissionais, queiramos ou não.
    E não sei se isso não acontece na Europa…
    Tempos atrás, ouvi uma definição sobre qual era a finalidade de um clube. “A finalidade de um clube de futebol é satisfazer sua torcida.” Antes de mais nada, é isso.
    Eu não atravesso uma rua sem olhar para os lados, mesmo estando na faixa de pedrestes e sob o sinal verde. No mundo ideal, eu o faria.

    No mais, acho que o problema foi detectado. Dá pra melhorar. Portanto, só depende de se implementar mudanças simples e exequiveis.

    De minha parte, respeitando quem não concorda:
    EU QUERO O “MEU” FUTEBOL BRASILEIRO DE VOLTA.
    Aqui não é Europa, nesse ponto…ainda bem!
    Na essencia do futebol, sempre fomos primeiro mundo. Sempre com finais.

    E o mais importante, na discussão sobre a formula de disputa do principal campeonato do país, a opinião…o gosto do “consumidor” deveria ser levado em conta. Comportamentos à parte, é o que interessa, ou o que deveria interessar.
    Campeonato de futebol profissional é ENTRETENIMENTO, não um instrumento de educação. Isso se faz EM CASA. Na família.
    Que se contrate uma pesquisa de opinião, democraticamente.

    Abraço.

  • Geraldo

    Como não podemos confiar no caráter dos nossos dirigentes, teriamos que mudar a fórmula. Uma das alterações que poderiam ser feitas, seria a manutenção dos pontos corridos, e a criação de um ranking, digamos de tres anos, que definiria rebaixados na parte de baixo da tabela e vagas
    para a Libertadores na parte de cima da tabela.

  • Alexandre

    Para mim, vocês da imprensa estão comparando banana com maçã, comparar um jogo de futebol com a vida cotidiana não me faz muito sentido, a primeira diz respeito a um jogo, onde existe rivalidade, vi ontem no bate-bola o PVC comparando a “entrega” a uma pessoa que fura fila de banco, a políticos corruptos, pelo amor de Deus, que comparação mais sem sentido. Imagina o Grêmio ano passado ganhando do flamengo na final e tendo que escutar até hoje os colorados zuando da cara deles, não tem como, a rivalidade não permite esse tipo de coisa, é um jogo onde você não quer, de maneira nenhuma, que seu adversário ganhe, não existe isso, falar o contrário é hipocrisia. Agora, falar que eu não posso exigir de um político uma conduta ética pelo fato de preferir que meu time entregue o jogo por causa de uma partida de futebol, ah não me venha com essa.

    Grande abraço

    AK: Tudo é questão de visão de mundo. A sua ficou clara. Um abraço.

  • Cesar

    André, acredito que os dirigentes dos clubes brasileiros têm uma grande parcela de culpa nisso que está acontecendo. Hoje, com raras exceções, eles se comportam como torcedores (os piores) e não como administradores de um negócio grande e sério. Poderiam se unir para fazer com o que o futebol brasileiro se tornasse maior, mais lucrativo e sustentável. Ao invés disso, eles preferem incentivar a raiva, o desprezo. Os clubes hoje são inimigos e não simples adversários. Pior é que os torcedores (muitos e muitos) passam a agir e pensar como esses caras. É isso que estraga o futebol, e é por isso que não tenho vontade de ir aos estádios. Só vou (raramente, uma vez por ano, mais ou menos) para matar a vontade do meu filho, que ainda é criança e torce de maneira ingênua para o seu time.

    Abraço.

  • Felipe

    André

    Esqueçamos por um instante os prós e contras de pontos corridos X mata-mata (há pontos positivos e negativos em ambos, e eu, particularmente, discordo da questão “justiça” que os defensores do modelo atual pregam, uma vez que o modelo antigo, com 3 jogos no mata-mata, dava condições suficientes do melhor time ganhar a taça). O que acho que é o próprio modelo de futebol brasileiro, com 12 times ditos grandes, não comporta um campeonato em que apenas 5 têm chance de ganhar todos os anos. O que vai acontecer é esse apequenamento de Palmeiras, Galo, Botafogo e outros, e daí eventuais entregas quando seus adversários estiverem em condição de ganhar. No modelo antigo, não era explicitada a questão da entrega, até porque, com 8 classificados, tínhamos ao menos 12 times disputando as vagas, e mais 6 ou 7 fugindo de rebaixamento. Ou seja, quase todos tinham metas ao final da fase classificatória.

    No mais, deixar clássicos para as últimas rodadas favoreceria um Cruzeiro, por exemplo, se a disputa fosse com Flamengo ou Corinthians, que teriam 5 clássicos a mais para disputar (mais cartões amarelos, expulsões, etc etc)

  • michel gama

    Prezado André,

    Das idéias que vi, até agora, a do ranking para determinar rebaixamanto e, talvez, vagas para a libertadores, é uma que me agrada, porém, a melhor elaboração das tabelas também deve ser pensada.

    Concordo que no Brasil não dá pra saber que times chegarão ao final da disputa co chances de ser campeão, mas dá pra evitar, por exemplo, que o fluminense enfrente três paulistas nas três últimas rodadas não?

    No meio do segundo turno, um amigo meu, tricolor (flu) me disse:
    – “se chegarem corinthians e flu nas últimas três rodadas, vai dar fluminense, já viu os três últimos adversários do flu? Três paulistas, vão “entregar” com certeza”.

    Isso, repito, ele me disse no meio do segundo turno…

    A tabela tem que ser analisada levando isso em conta, não só os mandos de campo e não realização de dois jogos em uma mesma ciade no mesmo dia.

    No mais, concordo plenamente que em uma sociedade onde a ética esteja mais disseminada e a educação seja de melhor qualidade coisas como essas tendem a acontecer menos.

    Sou corinthiano e não fiquei nem um pouco feliz com o jogo ,no mínimo, “desinteressado” que o Timão fez com o flamengo no fim do ano passado, além da vergonha, pelo fato em si, dá margem aos adversários dizerem que estão “devolvendo” o desfavor.

    Abraços e contimue com o belo trabalho.

  • Geraldo

    O ranking nos pontos corridos, poderia num prazo muito curto, castigar qualquer time que venha entregar uma partida, pois normalmente vemos vagas sendo decididas por diferença de um ponto apenas. enquanto livraria a cara de algum time que não venha a ter uma boa temporada, por ex.
    Flamengo, Atletico Mg.Abraço.

  • luisa

    “Mas a solução mesmo vem da sociedade. Quanto mais evoluída, menos serão necessárias regras para inibir quebras de valores éticos”

    O primeiro passo será a sociedade entender qual é o real papel da imprensa. vai ser difícil para uma maioria entender q ela não é tão honesta, nem tão ética (apesar de clamar por isso) como a cômoda realidade lhes parece.

    Vemos q o costume de admitir esta imprensa esportiva de uma certa forma contribui na forma como aceitamos a tendenciosidade dos grandes jornais em assuntos realmente sérios.

    Vcs também são parte disso quando aceitam silenciosamente coincidências históricas e anti desportivas.

  • Christian

    Concordo e assino embaixo de tudo o que escreveu, com bastante propriedade, o Alexandre.
    Sou uma pessoa ética, honesta, educada e bastante instruída. A despeito de tudo isso, sou são-paulino e domingo passado torci desesperadamente pela vitória do Fluminense, o que, felizmente, acabou ocorrendo. O fato de eu querer ver um adversário histórico do meu time do coração não ser campeão nacional no ano de seu centenário não me torna um cidadão menos honesto ou correto. Comparar isso com furar fila de banco na base da esperteza ou dar apoio a políticos corruptos, como supostamente teria feito o PVC, demonstra um raciocínio que, no mínimo, banaliza e dá pouco crédito à inteligência de seu leitor/ouvinte/telespectador.
    E ao contrário do que escreveu o ilustre AK, jornalista sério, íntegro e de quem sou fã há anos, os torcedores que levam faixas aos estádios pedindo que o time entregue o jogo não prostituem a sua paixão pelo time; bem ao contrário, estão a demonstrá-la à flor da pele, ao ponto de querer que o time perca uma partida de futebol apenas para prejudicar o adversário ferrenho. Ainda discordando do AK, desejar tal conduta não faz de mim um “cidadão equivocado”, nem faz com que eu pense ser o “maior malandro da sala” e nem mesmo demonstro, por isso, “defeito de caráter”.
    Respeito as opiniões diversas das minhas, mas acho que elas se baseiam numa premissa totalmente insubsistente, frágil e pouco realista: a de que o futebol é algo racional. Não é!

  • Willian Ifanger

    “O formato atual é vítima, não vilão. Não há fórmula eficaz contra defeito de caráter.”

    Você tinha usado essas palavras ao responder um comentário de um dos posts passados e isso não saiu da minha cabeça. É a síntese para tudo isso que vem sendo tratado nesses últimos dias.

    Parabéns por mais um momento de inspiração.

  • Marcel Souza

    É óbvio que o que acontece no futebol é um reflexo da nossa sociedade. Não é a toa que o próprio disse aqui nos comentário que na Itália também tem mutretas. Por que será?

    Quanto à fórmula ser culpada pelas entregadas, eu discordo e acho justamente o contrário. A fórmula de pontos corridos faz até que as entregadas perca um pouco a sua importância. O São Paulo não perdeu o campeonato no ano passado porque o Corinthians entregou o jogo pro Flamengo. Perdeu o campeonato porque não conseguiu ganhar do Botafogo ou do Goiás nas rodadas finais. É isso.

    O que é mais triste, e na minha opinião mostra mesmo como infelizmente somos na sociedade, é que hoje em dia passa a ver mais importante ver o seu “rival” perder do que você ganhar. As vezes eu acredito mesmo que as quadrilhas de torcidas organizadas se satisfazem mesmo em ver os outros times perderem e dane-se o próprio time. Pra mim não tem coisa mais ridicula do que a torcida do meu time ficar xingando o time rival na arquibancada, mesmo sem nem estar jogando contra ele….

  • Willian Ifanger

    Ah André, só um detalhe sobre o fato de colocar os clássicos pras rodadas finais.

    Considerando Rio e São Paulo, os 4 grandes de cada estado farão 6 clássicos estaduais entre si, logicamente.

    Se for colocado apenas um clássico por rodada, não resolveria em nada. Imagine que nessa rodada que passou tivéssmos um Corinthians x Palmeiras e o mesmo São Paulo x Fluminense, com a classificação atual……a “entrega” do São Paulo seria a mesma.

    O certo seria, então, colocar 2 clássico por rodada. E usaria-se apenas 3 rodadas, e não 6.

    Sou totalmente contra isso. Pra mim isso é apenas um subterfúgio. Fora que, se estivessem na disputa do título Corinthians e Santos, por exemplo, São Paulo e Palmeiras “prefeririam” o Santos campeão. Lembre-se que além da rivalidade, existem níveis de rivalidade.

    AK: Corretíssimo sobre o número de rodadas. Estraguei essa. Obrigado e um abraço.

  • Rejane

    André, na sua opinião qual é a forma mais justa de Campeonato? Mata-mata ou Pontos-corridos?

  • Hugues

    Oi André, objetivo e claro como sempre, mas acho que o dinheiro poderia ajudar, se a renda de TV e patrocínios do campeonato fossem divididos pela posição de classificação no campeonato anterior. Ficar em quinto ou nono faria diferença!!!!
    Abs

  • Haroldo

    André, mas se faz na Itália e em outros campeonatos Europeus o que se faz aqui? Um diretor como esse do Palmeiras falar pra quem quiser ouvir que queria perder por WO, e depois, quando a repercusão foi grande, dar uma amenizada (??!!) E falar que vai jogar mas que o time dele VAI PERDER?

  • Bruno H.

    André, a questão pode não girar em torno do mata-mata vs pontos corridos. Recentemente, vi uma entrevista do Tite falando que há alguns campeonatos no mundo em que tanto a classificação para a competição continental como o rebaixamento são determinados pela média de pontos dos últimos 3 ou 4 campeonatos. O campeão sai da pontuação atual. Nesse modelo, é mais difícil imaginar um clube desinteressado no campeonato, porque por mais que o campeonato do ano corrente esteja terminando, a pontuação servirá para as aspirações dos times nos próximos campeonatos.
    Um ponto negativo da fórmula é a complicação que geraria para os torcedores. Mas nada é perfeito. O que você acha?

    Aproveitando, ótimo blog. Nunca deixo de ler você, seu pai e o do PVC. Parabéns.

  • Fernando Lippi

    André, sou totalmente a favor dos pontos corridos, mas enquanto o calendário for estranho do jeito que é, com times mudando completamente durante o campeonato, não seria o caso de se fazer turno e returno? Campeão de um contra o campeão do outro? Também não acho que seria a forma ideal, mas teria a tal final tão “necessária” pra algumas pessoas e a “justiça” de premiar as melhores campanhas. Enfim, só uma ideia.

    Abraço

  • Ronaldo

    Belo texto, ainda que eu ache que esta postura seja radical. O futebol é paixão não razão. Portanto, a reação da torcida é legítima, ou seja, apaixonada sempre. Agora por parte dos profissionais envolvidos, a estória é outra. Entretanto, o preocupado Roth pôs um time reserva em seu último jogo, como ganhou foi elogiado, mas escalar um time reserva não pode ser visto como esforço pela vitória. Foi hipocrisia a demonstração de preocupação, jogou pela mesma cartilha de regras. Em tempo sou cruzeirense, vendo meu time ser prejudicado por rivalidades extras, ainda entendo as torcidas rivais.

  • Alexandre*

    André,
    A idéia da criação de um ranking elaborada pelo Geraldo é muito boa.
    Digamos que o campeão e o vice se classificariam diretamente para a Libertadores e os dois últimos colocados cairiam direto para a série B. Os dois melhores classificados em um ranking dos últimos 2 ou 3 últimos campeonatos também iriam para a Libertadores, os dois piores deste ranking cairiam.
    Assim, aquela equipe que “abandonasse” o campeonato nas últimas rodadas, arriscaria uma futura classificação à Libertadores ou uma futura queda à série B.

  • Luciano SJC

    Caro André.
    Em relação ao que coloca o leitor Alexandre, me parece um exagero seu colocar,ou “insunuar’ que ele tenha uma visão de mundo distorcida.Outro dia ouvi o Mauro Cesar da Espn dizer que entre comprar um sorvete e um apartamento vai uma enorme diferença, de pensamento de firmeza de decisão.Concordo plenamente.Entre gostar e até mesmo pedir pro seu time perder “com intuito de prejudicar o rival” e apoiar um politico corrupito, vai uma distancia enorme.Apesar de não ser sao paulino conheço vários que ficaram felizes com a derrota pro flu, gente honesta, decente, que serve de exemplo.Me desculpe, mas o futebol não pode ser colocado em teses relacionadas a assuntos muito mais importantes.Futebol é alegria, paixão, outra coisa.Abraço, sucesso , até a próxima.

    AK: Não fiz nenhuma insinuação. Entendi bem a posição dele, assim como ele deve ter entendido bem a minha. E não escrevi que quem é a favor de entregar jogos apoia políticos corruptos. Obrigado e um abraço.

  • Alexandre*

    Uma outra questão: não é só no final do Campeonato Brasileiro que muitas equipes dão pouca importância aos jogos. No início, muitas estão disputando a Libertadores e a Copa do Brasil e escalam muitos reservas.
    Equipes como Santos, Internacional e Grêmio não estão no bolo dos que têm chances graças a esta distorção.
    Como diminuir este problema? Simples. Como (quase) sempre, a solução está do outro lado do Atlântico: a Libertadores e a Copa do Brasil deveriam ser disputadas durante toda a temporada, e não só no primeiro semestre, assim não existiria uma concentração tão grande de jogos importantes, permitindo às equipes dosar melhor as escalações.

  • silvio

    Sou torcedor.
    Acima tudo, gosto de futebol por diversão, não acho que seja uma coisa séria, embora quem viva do esporte, como os jogadores, patrocinadores e jornalistas fazem de tudo para que pareça.
    Alguns acreditam que realmente é algo importante, e por isso formam “gangues”, briguem e matem.
    Como acho que o importante é rir, se o meu time não puder ser o campeão , o que iria me deixar muito felizl, “VALE SIM” atrapalhar o adversário.
    Não sei que tipo de pesquisa poderia ser feita, mas tenho certeza que a maioria dos torcedores que querem apenas se divertir com o futebol, acham muiito engraçado pagar o com o troco do jogo contra o , no ano passado.
    Afinal, para mim futebol não é business, é “For Fun”.

  • Eduardo

    Penso que cada um tem um código de ética, um sistema de valores.

    Ano passado torci para o Corinthians ganhar do Flamengo. Até fiquei bravo, achei que o juiz da partida foi parcial e prejudicou bastante o Corinthians naquela partida.

    Jamais torcerei contra o Corinthians. Não me passa pela cabeça esse tipo de atitude. Torcer contra o próprio time é dar valor demais aos rivais. Ir para o estádio e torcer contra o próprio time então é pior ainda. Deus me livre…

    Eu torço para o Corinthians, não contra o Palmeiras, o São Paulo ou o Santos.

    Mas cada um tem um jeito de torcer e o jeito é respeitar.

  • Brasileiro infeliz

    Parabéns, André.

    Há tempos não via uma opinião tão precisa. Não me lembro de ter visto um único cronista ou comentarista analisar esta questão das entregas sob esta perspectiva (“De nossa vocação para vergar regras de conduta até elas se tornarem sugestões descartáveis. De nossa vontade irresistível de ser o maior malandro da sala”).

    Após ter morado alguns anos fora do Brasil e criado amizade com alguns estrangeiros naturais de países diversos, cheguei à triste conclusão de que o povo brasileiro, em regra, não tem qualquer valor ético ou moral. Aqui, impera a Lei do Gérson e todos acham isso lindo. Todos imediatistas e egoístas. Isto se reflete na corrupção, roubalheira e etc.

    Infelizmente, perdi a esperança de ver alguma mudança…

  • Carlos Yomuri

    Parem com isso. Por favor.
    Esquecamos entao o “Entreguismo” e voltemo-nos a outros fatores, que deveriam sempre estar atrelados ao futebol: Emocao, espetaculo, vontado, gosto, paixao, sofrimento…
    Essa formula acabou com tudo isso. É horrivel. Horrorosa. Sem graca.
    Os unicos que gostam desta porcaria de formula sao os reporteres especializados, os criticos, a midia, que tanto pediu essa porcaria e agora nao tem a humildede de dizer: – Erramos. Essa formula é ruim!
    Ai querem ficar perpetuando o erro, em uma arrogancia nao esperada neste meio.
    Chega. O Campeonato é ruim. Sem emocao. No meio do campeonato mais da metade dos times ja nao tem mais porque disputar. É muito chato. Parem. E parem de tentar justificar:
    – Nao entreguem os pontos corridos…
    – A formula de pontos corridos esta consagrada… (Onde? Por quem?)
    – Na rodada de domingo todos os jogos valem algo… (6 jogos valem alguma coisa, o resto so laranjas)

    Mata Mata de volta Ja!

  • Flávio

    Sobre a sua última coluna concordo com o senhor que há desvios éticos na sociedade, mas preocupa-me outro mal que é o da “indignação seletiva” que atinge a nossa imprensa, aí incluída a esportiva.
    Eu não trato isso com conjecturas e sim com fatos. Trarei abaixo algum deles e gostaria que o senhor refletisse.
    Viajarei no tempo, irei para a década de 90, Flamengo X Bahia em São Januário. O Flamengo entregou descaradamente o jogo para o Bahia e ajudou a rebaixar o Fluminense. Eu não vi muitos comentários sobre isso, não vi textos indignados em nome da ética. Vi muito Flamenguista que gostou do episódio, inclusive seus colegas de profissão. Muitos saborearam o rebaixamento do Fluminense como vingança pela perda do campeonato estadual em 95, ano do centenário do Flamengo.
    Na mesma rodada de Flamengo X Bahia o que falar da entrega do jogo do Atlético Paranaense ao Criciúma? O Atlético Paranaense após estar ganhando o jogo e com dois jogadores a mais, e ter a certeza de que os resultados dos outros jogos da rodada não afetariam sua classificação para as oitavas de final, se vingou do lamentável episódio da invasão de campo dos torcedores do Fluminense no jogo do Atlético Paranaense e entregou o jogo para o Criciúma. Ao final da partida os jogadores do Criciúma comemoraram junto à torcida do Atlético Paranaense. Parece que a imprensa admitia que aquilo era justo e bastante ético, além de moralmente defensável, como punição ao Fluminense, esquecendo-se que vândalos existem em todas as torcidas e aquilo era um castigo para todos os torcedores do Fluminense, vândalos ou não. Este fato desmente que a entrega de jogos é algo novo. Sei que pela data do ocorrido o senhor pode não ter escrito sobre o assunto, mas gostaria de sua opinião sobre isto, e sobre o esquecimento da cobrança da ética por parte da imprensa.
    Agora relato fatos mais recentes e que o senhor teve oportunidade de comentar. Veja as declarações do presidente do Goiás após o jogo com o Palmeiras dizendo que o time dele pode até ser rebaixado, mas não perde a dignidade. Ele comentou a disputa de jogos pelo Palmeiras com o time misto e que acabou por prejudicar o Goiás na sua luta em evitar o rebaixamento, o que é verdade. Aliás, não vi muita gente preocupada com isso antes do jogo com o Palmeiras pela Sulamericana, e esse assunto só veio à baila quando interessou que time será escalado pelo Palmeiras no jogo com o Flu.
    Tudo que foi escrito acima é verdade, mas um fato estranho aconteceu no jogo Fluminense X Goiás: por que um time que precisa ganhar para tentar escapar do rebaixamento, que nas palavras de seu dirigente não perde a dignidade, tem o goleiro fazendo cera a partir do primeiro tiro de meta que batia, continuou fazendo cera, antes do gol do Goiás e após sofrer o empate do Flu? Não estranho a postura tática, fechada e marcando muito, com muita disposição, mas a cera, não só do goleiro, mas de todo time mesmo antes de estarem ganhando o jogo. Não vi ninguém falando sobre isso, aliás, nem o time do Flu, mas como não leio a sua coluna gostaria de sua opinião sobre isso, por que a dignidade não deve ser invocada apenas quando é conveniente, tendo em vista que dentro do contexto lógico em que um time que tem dignidade e precisava ganhar o jogo, não se encaixa a tática da cera antes de estarem ganhando. Este fato só se encaixa em outro contexto lógico, bem diferente. Para comprovar isto não precisa ver muito do jogo, basta os 10 minutos iniciais. Veja o Simon, depois de algum tempo, fazendo gestos para o goleiro do Goiás de que não toleraria mais aquela cera. Gostaria de saber sua análise sobre isso e o que o senhor escreveu sobre o fato, se o fez.
    Um outro fato ocorrido ano passado, muito mais escancarado que o narrado no parágrafo anterior, foi o jogo do Corinthians com o Flamengo. O Corinthians não se esforçou nem um pouco e perdeu o jogo para o Flamengo. Todo mundo viu. Sinceramente não lembro de uma comoção geral pelo ocorrido. Quem reclama hoje, o Corinthians, fez exatamente isso ano passado. Aliás, reclamaram muito do jogo do São Paulo X Fluminense, mas alguém viu o Ceni entregando o jogo? Alguém que quer entregar o jogo faz aquela defesa espetacular no chute do Fred? Alguém que pretende entregar o jogo se machuca como o Miranda? Falam do Richarlyson, mas ele sempre foi destemperado em campo e estava jogando com muita vontade, até demais para alguém que não tinha nada a ganhar. Mas voltando ao assunto: onde estava análise da ética no ano passado quando houve o jogo entre o Corinthians X Flamengo? Houve esta mesma comoção exacerbada pela vista na possibilidade de entrega do jogo pelo Palmeiras ao Fluminense? Também gostaria de saber o que o senhor escreveu sobre o jogo do Fla X Corinthians do ano passado.
    Tenho a opinião de que confundir falta de ética com a rivalidade entre torcedores, demonstrada pela comemoração de gols que prejudicam um rival, mesmo que estes gols sejam contra o seu próprio time, é ignorar que o maior ingrediente que compõe a paixão do futebol é justamente a rivalidade. Além disso, esquecer que ganhar um prêmio, título ou conseguir a classificação para um campeonato continental, é parte da motivação de um jogador para ganhar algum jogo. Caso não fosse assim os jogos de finais de campeonato não seriam tão eletrizantes quando um mero jogo para cumprir tabela. E ao contrário: saber que se ganharem um jogo, que não vale nada, auxiliarão um rival, deve ser uma tortura. Futebol é feito por seres humanos não por robôs.
    Volto a frisar, a “indignação seletiva” da imprensa é algo terrível. Eu gostaria de ter exemplos que comprovem que isto não é perpetuado por todos os jornalistas. Por isso pedi acima a sua manifestação por fatos antigos e o que o senhor escreveu sobre fatos mais recentes. Talvez isso mude a idéia ruim que tenho da imprensa de uma forma geral. Caso o senhor não tenha tempo de responder a minha carta, peço que no mínimo reflita sobre os fatos acima.
    Obrigado

    AK: A coluna não é sobre o campeonato deste ano. Como está claro na declaração do Celson Roth, o problema vem acontecendo nas últimas temporadas. Mas obviamente esse tipo de manobra sempre ocorreu no futebol. Um abraço.

  • Josildo

    André, não vejo a mesma indignação com as malas “brancas” que atuam como doping financeiro e que estão se tornando um recurso desonesto e que podem até mesmo atentar contra a integridade física dos craques adversários. Será que algumas dessas contusões sofridas pelos melhores jogadores do campeonato não podem ter um componente chamado “doping financeiro ou mala”? Afinal, se o craque do outro time proporcionar a vitória, o jogador que já conta com o dinheiro “extra” estará perdendo sua “mala”. Quando o Felipe do Vasco diz que não vê motivos para se esforçar contra o Corinthians, talvez indicando que não ofereceram uma mala para ele, não vejo ninguém reclamando que isso é um absurdo. Será que o Corinthians, Cruzeiro e o Fluminense estão sendo tratados com igualdade? O Vasco pode entregar mas o Palmeiras não? O Goiás pode escalar time reserva na última rodada mas o Palmeiras não?

  • Punto

    Caros
    Peguem a tabela e notem que engraçado: no afã de prejudicar o outro e não se preocupar consigo mesmo, Palmeiras e SPFC estão alijados da disputa pela quarta vaga da Libertadores, que parece mais clara neste momento. Caso tivesses ambos os times 6 pontos a mais estariam ao lado do Gremio para disputar nestas duas ultimas rodadas a almejada quarta vaga…Vejam que ironia. O Palmeiras preferiu abrir mão de dois jogos relativamente fáceis para se dedicar a um campeontao sem muita dedicação, como se viu. Que planejamento ridiculo é este? O SPFC entrou nas ultimas partidas com alguns jogadores já fixados na derrota do domingo passado. Outra coisa para pensarmos é esta falácia do jogo quarta e domingo. Este ano a tabela organizada pela CBF foi uma verdadeira vergonha com quase tres meses seguidos com jogos quarta e domingo. Pergunta: que time poupou os titulares neste periodo?

  • Punto

    Perfeito o comentário do Alexandre, como sempre. Tanto a Libertadores, como a Sul-americana e Copa do Brasil deveriam ser disputadas simultaneamente ao longo da temporada. Esta distribuição mais equitativa de jogos mitigaria esta historia de prioridades, time misto, etc…O que deve ser discutido não é a formula de disputa, mas o calendário, inclusive da Conmebol que é vergonhosamente burro, fazendo as disputas em semestres diferentes para atender interesses das outras confederações e equipes sul-americanas. Outro aspecto a ser discutido é o excessivo numero de datas para os campeonatos estaduais. Vejam o exemplo do Paulista com 20 equipes e agora com mais duas datas além das 23 dos últimos anos. Um verdadeiro absurdo, com jogos seguidos quarta e domingo, no inicio da temporada, de janeiro a maio. Porque as equipes não entram com time misto nos jogos de domingo ou quarta no Paulista?

  • gorpo

    Deixa eu te dizer uma coisa André. Um dos piores defeitos do brasileiro é quando quer imitar o europeu. Foi assim desde os esquemas táticos que nossos técnicos copiaram, e que acabou culminando com a perda da característica principal do nosso futebol, a arte.

    Agora deram de inventar esse tal de pontos corridos, oras, o futebol daqui nunca precisou disso, aqui não funciona, não pega, não vinga, como diria meu avô.

    Somos um páis continental com diversos times de grandes torcidas e considerados grandes, óbvio que uma hora chegaríamos nesse conflito de interesses na reta final do segundo turno . Ao contrário de Espanha, Itália, Inglaterra onde existem apenas 2 , 3 times rivais ferrenhos no máximo, e onde isso acontece com menos frequência do que aqui.

    Sou a favor do mata mata simplesmente porque, mesmo que hajam conflito de interesses para se classificar os times para o mata-mata, isso simplesmente não aconteceria de forma alguma nas quartas, semi e finais , no ponto onde realmente se define o campeonato, ao contrário de agora, quando no momento do “vamos ver” temos essa palhaçada.

    Simples assim.

  • kafepaulo

    Ainda não li os posts dos participantes…
    Eu não quero ser melhor do que ninguem, más como já tenho uma experiencia de ter vivido e conhecido outras formas de cultura, acho um absurdo de colocar a culpa na formula dos pontos corridos no brasileião, pois a disputa em outros paises se dá da mesma maneira, eh não geram essas polemicas daqui, pois a cultura e educação, do povo que escreve eh do povo de le, ou melhor, jornalistas e cidadãos, são pela ética e decência, muito longe da realidade brasileira, eh se acharem que também no exterior não tem gente assim, muito engano, pois essas pessoas procuram os jornais sensacionalistas/oportunistas, para saciarem as suas necessidades…diferente daqui, que por cada dia que passa, o nivel é mais baixo, por sinal coloca baixo nisso!!!!!!!
    Eu não sou contra a cultura do ganhar o dinheiro, más colocar o limite nisso é preciso, eh é uma coisa urgente a fazer…pois fazer tudo isso que está ai, eh jogar a ética e educação no lixo mesmo.
    Uma coisa urgente a fazer aqui, seria uma estruturação dos times grandes, que para ser grande, terão de ter uma autonomia, de ter muitos sócios que contribuam para ser e manter-se grandes, colocar um calendário onde se possam ser planejados as vendas antecipadas de ingressos(acho importante a contrução de mais estadios c/capacidade, como em SP), controle rigido sobre torcedores/compradores de ingressos, criminalizar atos de violencia nos estádios, controle totaL dos estádios por cameras, responsabilizar os clubes mandantes pela segurança interna nos jogos, policiamento militar ostensivo fora dos estádios eh policia militar para manter a ordem dentro do estádio(nada de policiais separando torcidas organizadas). Já seria um começo…
    No exterior, a comercialização dos ingressos pela internet é bastante, más também atraves dos carnês vendidos em bancos, lojas de conveniencia, lojas conveniadas, etc.
    com apresentação de documentos e certas exigencias, da entrega dos bilhetes após a verificação ou liberação através de algum sistema de controle da ação dos cambistas…precisamos chegar nisso, para que não fiquemos nas mãos dos torcedores oportunistas/baderneiros que ficam de plantão para essas ocasiões.
    Seria o começo de um desenvolvimento nesse esporte que é a paixão dos brasilis…eh também o começo do direito de torcer e vibrar pelo seu time, eh não a derrota do seu rival, com a prática nefasta da entrega nesses últimos tempos…
    EH QUE HAJA MAIS EDUCAÇÃO E PAZ NOS ESTÁDIOS!!!!!!!

  • kafepaulo

    Caros,

    Depois de ler todos os posts, peço licença para nomear alguns comentários…
    Francisco, sobre os organizados, também acho que é um dos cancer daqui do futebol brasileiro, pois eles tem privilegios demais da conta…
    Gustavo Xavier de Almeida, Eu não sei de corinthianos revoltados com a entrega do spfc ao flu, eh sim da midia em geral destacando a comemoração dos são paulinos junto a torcida do flu, dos gols deles, contra o spfc…eu acho ridiculo isso, más cada macaco no seu galho…eu também vi, são paulinos muito magoados com essas comemorações…no jogo palmeiras contra flu, o felipão tem todo o direito de entrar com o time que quiser, pois o baque ali foi grande demais da conta…
    Alexandre, claro está que em matéria de Ética, voce não aguentaria as gozações, pois se acha o mais malandro da sala, más no outro Mundo, qual não seja o seu, podes crer que levaria na esportividade, pois não é crime não pensar igual voce, eh por acaso, já pensou que o sarro que voce tira de alguem, voce levaria “de boa”? Tenho a certeza de que não…
    Christian, cara, voce é outro que é o bom da sala…fala sério, meu!!!!Sai dessa vida, que tem gente de mais caracter do que voce , com certeza!!!Arrogante!!!!!
    Marcel Souza, Parabéns!!!!!Concordo contigo plenamente.
    p.ex.acho aquela musiquinha do gaviões do 6-3-3 muito ridiculo, más por outro lado, tem também a encheção de saco da torcidinha com a mesma ladainha…haja papel para tanta bobagem, né não?
    Hugues, Dinheiro de cotas da tv pela classificação, é uma boa ideia para começar,
    inclusive para quebrar o cartel disso, pois a relevancia e a movimentação do dinheiro, é uma coisa colossal…então que se discuta isso com respeito e dignidade, eh que tenhamos uma nova regra nisso também…Porque será que nos outros paises, os jogos quase sempre tem horários compatíveis com horários comerciais, trens, onibus, metros, etc. Porque a globo não transmitiu o primeiro torneio mundial interclubes no BR? Será porque a FIFA fez as 20:00 horas? Por isso, tem de acabar com o cartel, pois ficamos refens para o lucro de poucos…

  • sandro

    Vamos combinar, ética não se discute. Por tudo no mundo, nunca aceitarei que meu clube de coração entregue jogo qualquer. Sonho que cada partida, mesmo que sem “valor” para o futebol profissional de hoje, seja disputada com vontade, com raça. Mas vamos combinar ainda que jogadores do vasco já disseram que não vão se empenhar contra o corinthians, que o corinthians foi notoriamente “mais ajudado” que qualquer outro time (vide blog do RMP), que o corinthians entregou vergonhosamente no ano passado ao flamengo, que o corinthians foi vergonhosamente agraciado com aquele brasileirão em que os jogos foram anulados (não lembro o ano), que todo mundo já deu a todo mundo, mas nunca vi tanta comoção quando o prejudicado é o corinthians. Vamos combinar então, que um erro não se paga com outro, mas no fundo falta coerência, irmã siamesa da ética.

  • Eduardo

    Li todos os comentários e ninguem se lembrou da falta de vontade com que o Internacional de Porto Alegre enfrentou o Goiás em 2007 para prejudicar o Corinthians

  • Rita

    Flávio, sobre “indignação seletiva” concordo plenamente.
    Ronaldo disse ano passado, antes do jogo contra o Flamengo que torcia para que o Flamengo conquistasse o título. Não vi jornalistas produzindo textos e comentários sobre a declaração. Quer dizer, o torcedor na arquibancada é mal-caráter se torcer contra o time, mas o jogador profissional pode jogar (ou fazer-de-conta) pelo seu time contra o time que diz torcer.

    Não falo especificamente do André, mas só li vários textos de jornalistas e não jornalistas sobre “entregas” após a suposta entrega do São Paulo. Vejo inclusive são-paulinos indignados e não lembro de indignação semelhante de torcedores de times envolvidos em entregas.

    Parece que a grande questão é quem tá sendo “prejudicado”.

    AK: Se você leu meu texto, leu que se trata dos últimas edições do campeonato, não só da atual. Se leu o texto, leu que a principal crítica é a quem entrega o jogo. Um abraço.

  • Rita

    Só acrescentando:
    Eu fico imaginando se o São Paulo tivesse entregado aquele jogo contra o Juventus…
    O tamanho da repercursão.

    Lembro que a torcida fez algo semelhante, mas o São Paulo venceu.
    O time de Parque São Jorge saiu ileso. Não foi “prejudicado”.

    Não me lembro de textos e mais textos, comentários, etc exaltando o time do São Paulo.
    Alguns poucos só exaltaram Grafite, mas ele não jogou sozinho.

    AK: O Grafite foi mais exaltado porque marcou naquele jogo. Mas a atuação do São Paulo foi bastante elogiada à época. Um abraço.

  • Rita

    Sim André, li seu texto, muito bem escrito por sinal.
    Sim, li que ele trata das últimas edições do campeonato.
    Aliás, leio-os sempre, independente.

    Isto posto, só gostaria que vc compreendesse que a crítica é sobre a repercursão que teve dessa “entregada” e nada, absolutamente nada semelhante, quando envolveu outras,
    e já aconteceram várias.
    Sendo uma delas, anunciada por um jogador profissional e ídolo, ressalte-se!

    Nada contra o Inter, por exemplo, mas um time que entra com time reserva sem tá disputando uma competição paralela, não entra para ganhar, daí vem o treinador falar de preocupação.
    Na minha opinião é hipocrisia, no entanto, isso é outra conversa.

    Deixo claro que não torci contra meu time, nem assisti ao jogo para não ter de ver torcedores do próprio time torcendo contra. Definitivamente, não quis assistir a isso.
    Na minha casa nem num estádio não me imagino torcendo contra o São Paulo,
    mas, não tenho na conta de mal-caráter aqueles que o fizeram.

    Além disso, minha crítica não é direcionada a vc exclusivamente,
    mas a todo esse furdunço em torno do jogo do São Paulo.

    Um abraço.

  • Paulo Pinheiro

    André,

    Queira ou não esta É uma brecha deixada pelo sistema de pontos corridos. Se o Corinthians ao menos tivesse a chance de disputar com o Fluminense uma final, pra medir forças em campo e decidir quem é afinal o melhor (segundo outros critérios além do “quem foi mais regular”). Na última rodada, enquanto o Fluminense joga pra sua torcida contra um Guarani desmoralizado e desmotivado, o Corinthians estará distante da sua, num Estado distante do seu…
    Acho que muito se enxovalhou as pessoas que não compartilham da opinião do uso da fórmula de pontos corridos.
    E agora, na minha opinião, você está “dourando a pílula” ao não admitir que essa fórmula tem SIM seus defeitos.
    E que escolher entre ela ou outra é mera questão de preferência.
    Eu prefiro as finais. Fico imaginando o Morumbi e depois o Engenhão lotados nessa festa sem igual que torna o Brasil um dos países mais admirados no mundo do futebol.
    Enquanto nós, os admirados, queremos copiar os nossos admiradores europeus.
    Macacos colonizados?

    AK: Nunca escrevi (e obviamente não penso assim) que a fórmula de pontos corridos é perfeita. Aliás, sempre escrevi que é questão de opinião, de preferência. Eu tenho a minha, e ela nada tem a ver com o que se faz na Europa. Um abraço.

  • Pessa

    Acredito que o problema seja um pouco diferente disso. É hipocrisia dizer que a falta de ética do futebol está apenas nas “entregadas” em finais de campeonatos.
    Falta ética no futebol como um todo. Falta ética quando um time grande puxa o tapete de outro para sediar um possível copa (não torço pelo São Paulo). Falta ética quando o treinador/dirigente de um time reclama publicamente da arbitragem em um jogo no qual seu time possivelmente prejudicado, mas ironiza as reclamações quando seu time foi possivelmente ajudado. Falta ética quando os dirigentes mantém estreitas relações com alguns empresários. Falta ética quando um dirigente contrai dividas que sabe não poder pagar. E falta ética em tantos outros momentos no futebol… Que infelizmente para continuarmos apaixonados pelo futebol temos que fechar os olhos para esse tipo de assunto…

    AK: “É hipocrisia dizer que a falta de ética do futebol está apenas nas “entregadas” em finais de campeonatos.”

    Quem disse isso? Um abraço.

  • george

    Eu não colocaria os clássicos na última rodada, acho que daria muita polêmica e poderia gerar uma série de situações complicadas. Colocaria sim na PENÚLTIMA rodada, que é aonde as coisas estão se definindo de vez e tem sobrado emoção nos últimos anos. Que tal se ontem tivesse rolado Corinthians e Palmeiras, com o Palmeiras tendo a chance de se recuperar do luto da eliminação em cima do Corinthians em plena disputa pelo título? E um Atlético e Cruzeiro, também com os dois times com interesses distintos e importantíssimos?
    Ia ser jóia.

  • Caio

    Perfeito.

  • Luiz

    Eu apoio os classicos na ultima rodada sim. E digo mais, se dois estiverem lutando contra o rebaixamento, os dois times seriam empurrados por suas torcidas a rebaixarem o adversario. Nao ia acontecer a palhaçada q houve no fds.

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