CAIXA-POSTAL



Depois de dois sábados, de volta aos assuntos da(s) semana(s):

Tiago escreve: Sou são-paulino, venho acompanhando o futebol do Hernanes na Lazio, e tenho sentido bastante falta dele nas convocações do Mano. Li em algum lugar (no seu blog, talvez?) que Mano considera que Hernanes deixa lenta a saída de bola… A(s) pergunta(s) é(são): com a bola que tem (e tem jogado) o Hernanes, pode a Seleção prescindir do futebol dele? Em última análise, não foi isso o que fez o Dunga, ao dispensar o talento em nome de uma filosofia de jogo? Ainda que o Mano considere que o Hernanes não se “encaixe no time”, será que não há espaço para ele no grupo? E quando a Seleção necessitar de uma maior consistência e toque de bola no meio-campo?

Resposta: Eu acho que o Hernanes merece ser convocado. Mas creio que a questão não é de filosofia de jogo e nem de encaixe, e sim de escolha. O MM entende que os jogadores que ele tem chamado para a posição são melhores. E a concorrência por vagas no meio de campo ficará maior em breve, quando Kaká e PHG estiverem recuperados.

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André escreve: André, voce não acha que o festival de gols na UCL contrasta com a pobreza de gols que assistimos na Copa do Mundo? Os jogadores são os mesmos nas duas copas, o formato dos torneios é o mesmo, mas parece que sao dois esportes completamente diferentes. Enquanto na Champions ganha que faz mais gol, na copa do mundo ganha que leva menos gols. A que voce atribui a diferenca? Qual dos dois vc prefere assistir?

Resposta: Bom… o formato não é o mesmo, né? Para mim o mais importante é que são raros os casos em que uma seleção atinge, numa Copa do Mundo, o nível de entrosamento de um clube. E quando o Mundial entra na segunda fase, a possibilidade de eliminação faz os times se preocuparem demais com a defesa. A UCL tem o sistema de ida e volta, baseado em diferença de gols, o que também contribui.

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Rafael escreve: Criticamos bastante o técnico da Seleção quando este deixa um Ronaldinho, ingora um Nilmar, esquece PHG e Neymar – jogadores acima da média que não possuem substitutos à altura. No caso específico do meio-campo, a ausência de “maestros” brasileiros é evidente, daí entendo o Mano em ter chamado Ronaldinho. Mas fiquei curioso com nossos “hermanos”, que já na Copa obrigavam Messi a atuar como meia de ligação por falta de um substituto à altura de Verón, já com idade avançada. Minha pergunta: Por que motivo eles não chamam Montillo, Conca e (chamaria os três) ou D’Alessandro? Nem no exterior há meias argentinos deste gabarito.

Resposta: D’Alessandro tem convocações. Mas Conca e Montillo não parecem ser considerados, na Argentina, jogadores de seleção. Talvez por não terem uma trajetória de destaque em clubes argentinos, sejam olhados com certa desconfiança. Isso tende a mudar se eles conseguirem sustentar o nível que têm mostrado nessa temporada.

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Serginho escreve: André, penso que já dá para escolher o melhor jogador e melhor técnico do Campeonato Brasileiro. Quais seriam seus escolhidos?

Resposta: O melhor técnico, aquele que fez o melhor trabalho com o que tinha em mãos, é o Joel Santana. Não vejo o Botafogo na posição em que está sem a condução dele. E ainda deu vários exemplos de um profissionalismo raro no futebol. O melhor jogador é mais difícil escolher. Mas acho que o Conca merece, independentemente do time que for campeão.

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Obrigado pelas mensagens. A conversa continua no próximo sábado.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Viu o desempenho do Vick dos Eagles, contra o Redskins? Com meu pouco tempo acompanhando NFL, nunca tinha visto aquilo. TDs correndo, passes gigantes pra TD, escapou de milhares de sacks…. impressionante. Viu?

  • Teobaldo

    Em ralação ao Conca e ao Montillo não vejo nenhum absurdo para a não convocação deles para a seleção nacional. Conca está no Brasil há 4 (?) anos, vindo do futebol chileno. Salvo engano, esta é a melhor temporada dele, com uma boa sequência de jogos em alto nível. Já Montillo, não existe nada que eu possa destacar. E o D’Alessandro, mesmo nos tempos do River, nunca foi uma unanimidade no próprio país, tendo oscilado muito entre a titularidade e o banco de reservas. Se considerarmos alguns jogadores da Seleção Argentina que atuaram na armação em tempos mais recentes, dentre os quais Verón, Ortega, Riquelme, Palácio, Messi, Lucho Gonzales, Maxi Rodrigues e Javier Pastore, os três que atuam atualmente no Brasil são, para meu gosto pessoal, inferiores. Um abraço à todos.

  • Fred Ferreira

    É lógico que o trabalho do Joel foi bom, mas esse negócio de dizer que o Botafogo não tem elenco, que não deveria estar onde está, é papo furado de quem não enxergou antes que o time do Bota era bom, e agora precisa justificar o belo campeonato que o time fez.

  • Anna

    André, uma pena não ter tido essa semana a citação de filme. É o algo a mais da Caixa Postal. Bom final de semana, Anna

  • A resposta de Mano Menezes sobre a não convocação de Hernanes, é no mínimo interessante. Ele diz que o atleta da Lazio deixa a saída de bola lenta. Será que considera o Douglas um jogador rápido? Creio que Mano não tenha critérios nas escolhas que faz em suas convocações.

    AK: Não vi o MM dizer isso sobre o Hernanes. Um abraço.

  • Alexandre

    Conca, D´Alessandro e Montillo não são jogadores de seleção mesmo. Se destacam no Brasileiro porque o nível por aqui vem caindo ano a ano desde o início desta década.

  • Tiago

    André, corri atrás e “descobri” onde li a respeito de MM e Hernanes. Foi no blog do Alberto Helena Jr., aqui vai o link:

    http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/2010/10/29/selecao-prevista/

    Abraço!

  • Marcelo David Macedo

    André, se esqueceu da tradicional citação da frase de um filme?

    AK: O “estoque” acabou e eu estava apressado por causa de um compromisso. A frase volta no sábado que vem. Um abraço.

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