CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

É FALTA. DE CRITÉRIO

O padrão de arbitragem tido como o melhor do mundo, hoje, é o inglês. Na Inglaterra, não há “faltinhas” e o jogo corre. Jogador-mergulhador, ou ator, não se cria por lá, onde os apitadores não decidem partidas como acontece com freqüência aqui no Brasil.

Não se deve confundir o padrão inglês com “arbitragem europeia”. Na Espanha, por exemplo, o nível é tecnicamente fraco. Na Itália e na Alemanha, é um pouco melhor. Não somos os únicos que sofrem.

Muitos colegas que respeito e admiro entendem que o pênalti marcado em Ronaldo, no sábado passado, exemplifica o que há de mais errado na arbitragem brasileira. Um pênalti eletrônico, confirmado (para muitos, desmentido) apenas depois do replay da televisão. Um pênalti que não respeita a natureza do futebol, esporte de contato. Há quem argumente, também, que os árbitros têm a obrigação de distinguir faltas conforme o local do campo. Dentro da área, por causa do impacto potencial no resultado, só se for falta com F maiúsculo. Dizem que na Inglaterra é assim.

Respeitosamente, discordo. Penso que para marcar um pênalti, o árbitro tem de estar convicto. Não basta parecer falta, tem de ser flagrante. Mas é evidente que o “tamanho” da falta importa menos do que a condição do árbitro de identificá-la. A distinção entre uma falta fora e dentro da área já existe na regra do jogo. É a marca do pênalti.

A vida dos juízes era mais fácil antigamente. Um par de olhos humanos era capaz de acompanhar um jogo mais lento. A televisão não dissecava os lances, erros não ficavam escancarados nas telas. Hoje o replay quase sempre crucifica o árbitro. No sábado, o inocentou.

Gil chegou atrasado, jamais disputou a bola que estava no peito de Ronaldo. Carga com o ombro nas costas, falta. Aqui ou na Inglaterra, desde que o árbitro veja. Classificar o lance como “pênalti de replay” é partir da premissa de que o juiz não o viu, ou não poderia ver. Alguém pode afirmar isso?

A arbitragem brasileira tem muitos problemas. Cada árbitro apita de um jeito. Há árbitros que apitam cada jogo de um jeito. Os critérios não são uniformes e os responsáveis vivem em silêncio. Se não conseguimos nem garantir que a regra seja aplicada da mesma forma ao longo de um campeonato, como pedir a um árbitro que “classifique” faltas? Vê-las já não é fácil. E por causa dos múltiplos juízos, árbitros, jornalistas e o público em geral podem ter conceitos diferentes do que é uma falta. Essa é a principal diferença em relação ao que se passa na Inglaterra.

É inegável que há regras não-escritas no futebol. Jogador folgado sabe que vai apanhar, por exemplo. Aplicar tais códigos ao trabalho da arbitragem é aceitar que o árbitro o deixe apanhar, porque ele merece.

Se é para ser assim, o futebol não precisa do apito.



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