CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

“SE VOCÊ CONSTRUIR, ELE VIRÁ”

A voz que o personagem de Kevin Costner ouvia em “Campo dos Sonhos” o estimulou a acreditar no impossível. Serve como inspiração para quem crê no valor do trabalho, na idealização de um objetivo e na busca dele sem economia de dedicação.

Rápida história: você deve saber que hoje (ou depois de amanhã, explicação adiante) é aniversário de Pelé, 70 anos. Reportagens e programas especiais foram produzidos por quase todos os jornais, revistas, sites, emissoras de rádio e televisão deste país. Na redação da ESPN Brasil, surgiu uma ideia diferente: em vez de um programa, setenta. Desde o início do mês, setenta pequenas histórias sobre a vida e a carreira do Rei do futebol estão no ar, com o nome de “70 Vezes Pelé”.

A assinatura da série de reportagens é dos jornalistas Roberto Salim, Helvídio Mattos e Marcelo Gomes. O produto final é impecável. Considere que minha opinião é suspeita, pois trabalho com eles. Mas acredite. Dezenas de entrevistados, entre familiares, amigos e ex-jogadores que tiveram o privilégio de habitar os mesmos gramados do Rei. Segredos revelados, histórias surpreendentes, lembranças emocionantes. A trilha sonora é “Fascinação” (na voz de Gilberto Alves), sucesso de 1958, quando o menino Pelé explodiu e permitiu ao futebol brasileiro sonhar os sonhos mais lindos.

Os três repórteres vivem por conta da homenagem há meses. Incontáveis idas a Santos para visitar a família real estabeleceram um ótimo relacionamento entre eles e pessoas muito próximas a Pelé. Não é exagero dizer que vários programetes se transformaram num álbum de recordações público do clã dos Nascimento. Foi a maneira que a produção encontrou para driblar a recusa de Pelé a falar sobre seus 70 anos, divulgada numa carta em que ele pediu privacidade para comemorar o aniversário apenas em família.

A sobrinha, Danielle, assumiu sem querer o papel de “produtora informal” da série. Fez o contato com parentes, enviou DVDs para convencê-los a receber a equipe de reportagem. As conversas evoluíram para uma proposta quase indecente: Danielle aceitaria ficar com uma câmera semiprofissional e gravar um depoimento de sua avó, Dona Celeste, a mãe de Pelé? Ela, afinal, seria a pessoa ideal para explicar por que, apesar de todos os documentos mostrarem 21/10/1940 como sua data de nascimento, Pelé sempre apagou velinhas no dia 23. Dona Celeste não gosta muito dessas coisas, mas Danielle topou.

Na segunda-feira passada, Salim e Gomes voltaram a Santos para entregar a câmera e tentar convencer Davi, cunhado de Pelé que jogou no Santos e no Corinthians na década de 60, a dar uma entrevista. Conversavam na sala da casa de Maria Lúcia, irmã do Rei. A porta da cozinha se abriu e eles ouviram alguém dizer “dá licença…”.

Se você construir…



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