COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

TERCEIRA COROA? NÃO DUVIDE

A distância para o primeiro lugar não é pequena, seis pontos. Parece ainda maior quando se lembra que só há vinte e sete em jogo. Mas o time voltou a ser muito competitivo após dois terremotos com potencial devastador: a perda de seu melhor jogador e um problema com o segundo melhor. E a tabela… ah, a tabela é um convite ao papel desempenhado pelo Flamengo no ano passado. Você duvida que o Santos pode atropelar na reta de chegada? Reconsidere.

Há cinquenta dias, quando PHG se machucou e se ausentou do Campeonato Brasileiro, era difícil imaginar o Santos no mapa da disputa do título. Nenhum time deste planeta perde um jogador como Ganso sem sofrer, certo? Pense de novo, pois os números caminham em outra direção. Com o melhor jogador do futebol brasileiro disponível, o Santos fez quinze jogos. Ganhou sete, empatou três e perdeu cinco. Aproveitamento de 53,3%. Sem Ganso, foram quatorze jogos até a última quarta-feira. Sete vitórias, três empates e quatro derrotas. Aproveitamento de 57, 1%.

Veja que as amostras são muito parecidas: apenas um jogo a mais com PHG, e uma derrota. O que significa dizer que se o Santos perder amanhã para o São Paulo, as campanhas com e sem Ganso serão exatamente iguais. Surpreendente, não? E não esqueça de que o período sem o meia teve a crise envolvendo Neymar, que terminou com a mudança no comando do time, mais um motivo para, em tese, riscar o Santos da lista de candidatos. Mas eis que o campeão paulista e da Copa do Brasil aí está, em quarto lugar, a seis pontos do líder do BR-10.

A explicação passa pelo silenciosamente competente trabalho do técnico interino Marcelo Martelotte. E pelo futebol de Neymar, que não é novidade para ninguém. O que talvez seja novidade é a capacidade do jovem craque de processar tudo o que aconteceu e voltar a jogar com o mesmo brilho, mas com uma postura, digamos, menos saliente. Martelotte é ponderado ao falar como técnico do Santos e ao armar um time que não pretende ser o que era, pois sabe que não pode ser. O Santos faz (e leva) menos gols, mas não é menos interessante de ver.

E tem a tabela mais convidativa entre os times que se permitem pensar em título. Apenas um clássico estadual (contra o São Paulo, que derrotou em todos os encontros na temporada), nenhum adversário do atual G-3 e seis times que estão, hoje, abaixo do décimo-quarto lugar. Entre eles as três piores campanhas do campeonato. Em teoria, os jogos mais perigosos do Santos são contra os dois clubes gaúchos: Inter (dia 30/10, no Beira-Rio) e Grêmio (14/11, na Vila).

A oportunidade de ser campeão brasileiro é nobre demais para ser descartada porque a vaga na Libertadores, afinal, está na mão. Para quem já tem dois títulos no ano, ela representa todas as coroas, a temporada perfeita. O campeonato que parecia ter apenas dois pretendentes, tem mais. O Santos é um deles, e com o caminho aberto.



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