CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PROFESSOR PARTICULAR

Após duas temporadas de calmaria pouco característica, o Corinthians caiu novamente na armadilha que os clubes de futebol armam para eles mesmos: precisa contratar um técnico (se isso acontecer depois que essa coluna foi escrita, e antes do jornal chegar às suas mãos, não faz diferença) para substituir o que caiu. E rápido.

Mas antes precisa decidir que tipo de técnico quer contratar. Alguém com a função específica de conduzir o time até o final do Campeonato Brasileiro, ou alguém para fazê-lo, também, em 2011. É mais ou menos a diferença entre o fast-food e o à la carte, quando a melhor opção (comer em casa) não existe.

Não existe porque os clubes simplesmente não pensam em formar treinadores. Quase sempre contratam os mesmos, numa dança das cadeiras em que o número de assentos não diminui e o de participantes, obviamente, não se renova. Contrariando tudo o que se conhece sobre processos de seleção, tomam decisões apressadas, mal informadas, pela necessidade de satisfazer impaciências internas e externas. E quando as coisas dão errado, apelam a subjetividades como “não deu liga” ou “o futebol é assim”. O futebol é “assim” porque as pessoas que o fazem querem que seja.

A bem da verdade, o Corinthians não errou ao contratar Mano Menezes em dezembro de 2007. Ao contrário, como provou a “longa” permanência do atual técnico da Seleção Brasileira no clube. MM era a melhor opção no mercado, tanto pela capacidade quanto pela bagagem na aventura da Série B. Aparentemente, Adílson Batista também era o melhor substituto disponível, na cultura da reposição rápida. O que ficou claro é que o clube errou ao demiti-lo. Em miúdos, Adílson caiu porque o calendário do campeonato é insano e o elenco do Corinthians não lhe deu opções. E agora quem precisa de opções é o próprio clube.

Fábio Carille, que comanda o time até o próximo técnico chegar, é um futuro treinador que foi buscar a experiência de Mano Menezes para adquirir conhecimento. Não um produto da intenção do Corinthians de formar profissionais. Se ele for bem sucedido, agora ou mais tarde, o clube terá mais motivos para comemorar do que para se orgulhar.

Técnicos feitos em casa (não apenas estagiários ou interinos de emergência) resolvem o problema do tráfico de informações de um clube para outro, não precisam se adaptar a um novo ambiente, podem assumir o cargo sem desconfiança própria ou alheia. Mas clubes não pensam nisso.

Assim como não pensam em um técnico que não tenha sido jogador de futebol, resultado da teoria de que é necessário ser “do meio” para vencer na profissão. O futebol e suas excentricidades….

Em que clube José Mourinho jogou mesmo?



  • Beto

    Ele jogou?

  • Thiago Mariz

    A única coisa que pensei ao final da coluna foi uma linguagem bem nerd: a última pergunta foi um Fatality.

  • eduardo pieroni

    Boa Andre, cara fiquei sabendo por meio de um amigo que um importante comentarista do radio confidenciou a ele que ADILSON BATISTA estava entortando o caldo”tava na cachaca brava mesmo” na conseguia nem dar treino este sim e o motivo da demissao.

    AK: Não é verdade. Um abraço.

  • Fora o Barcelona, com seu Guardiola, que outro clube no mundo forma técnicos?
    A prática é se tornar assistente de um e pegar experiência assim, como o próprio Mourinho fez no Barcelona, com o cidadão que me foge o nome mas é técnico do Bayern de Munique.

  • Edouard Dardenne

    Eu também ouvi dizer o mesmo que o Eduardo. Por que você afirma tão categoricamente que não é verdade? Um abraço.

    AK: Porque eu sei que esse problema não aconteceu. Um abraço.

  • Daniel

    Mourinho jogou no Rio Ave e no Belenenses (quando o pai dele era técnico), mas sua ironia mesmo assim está certíssima, há muitos casos de grandes treinadores que nunca calçaram chuteiras.

    abs!

  • Edouard Dardenne

    Desculpe, mas a minha pergunta foi mal formulada e, portanto, a sua resposta apenas diz o óbvio. Melhor perguntando:
    Você ouviu algo a respeito, verificou e constatou que era boato?
    Ou simplesmente entende que se tal fato tivesse ocorrido você teria ficado sabendo?
    Um abraço.

    AK: Fala-se sobre isso há algum tempo. Procurei saber, não era verdade. Um abraço.

  • Anna

    Deviam investir em escola de treinadores e incentivá-los a fazerem Educação Física, na faculdade. A faculdade dá uma visão completa até de fisiologia e anatomia, vide Mano, Joel, Ney Franco, o próprio Mourinho. Muricy é especial, um caso à parte, não sei se ele é formado em EF, mas teve a grande escola que foi o Telê e muita inteligência tática e técnica, dons dele, a meu ver, e muito trabalho, transpiração. Gostei da sua linha sobre “formar treinadores” ao invés de só ficar à disposição dos tops, dos que estão fora do País e dos novatos que precisam de chance para comandar times e ganhar experiência. Desejo boa sorte ao Corinthians e que a escolha seja feita o mais rápido possível. Bom final de semana, Anna

  • Hey André!

    Então, seguindo o que você pensa (e que eu concordo), a manutenção do Milton Cruz no SPaulo seria um alento em meio a essa dança das cadeiras?

    Abraço!

    Ak: Não, porque o Milton não pensa (pelo menos até hoje) em ser técnico. A função dele é outra. Um abraço.

  • eduardo pieroni

    Boa andre, li no painel da folha, que o ADILSON proibiu charutos,carteados e bebidas na concentracao, este tipo de coisa que faz bem aos atletas antes de uma partida de futebol sabe como e , e alguns jogadores se sentiram incomodados com a atitude, abrindo assim um complo contra o mesmo sabe de alguma coisa se e verdade este fato???? e a torcida que se dane!!!

  • rodrigo

    o problema do corintians eh a megalomania do clube e dos seus torcedores.

  • João Andrade Blumenau

    André: o problema não é só técnico. Que opção Adilson teve? Mano trouxe um monte de bondes(Souza, Tcheco, Iarlei, P.André, Escudero,Edu,Danilo,Bill, Defederico, Leandro Castan) que agora estão nos lugares dos machucados e suspensos. Mano não deixou reservas para as laterais. R. Carlos não é nem metade da metade que André Santos jogou. Ralf “não amarra” as chuteiras do Cristian, e ninguém substiuiu o Douglas. Mano naõ ganhou nada de importante, excetuando a copa do Brasil. Falhou, e feio na Libertadores. Nos “enrolou” no brasileiro de 2009. Deu no que deu.

  • paranaense

    Andre,

    Vc concorda q hj em dia o elenco fala até mais alto q o tecnico. EU vejo isso pq Cruzeiro com CUca(sempre contestado), Internacional com Celso Roth (tb sempre contestado), Santos com tecnico interino estao com seus times mto bem….comparando com a F-1….nao adianta ser bom piloto (tecnico) se nao tem um carro decente (elenco).

  • Também acho que falta mais preparo para treinadores. Os cursos de educação física formam jovens que poderiam se especializar em futebol e se tornar técnico com conhecimento mais generalizado.

    Hoje, eu penso que os técnicos “do meio” são mais valorizados, porque os jogadores são menos profissionais do que deveriam. Essa estória de que certas coisas acontecem no “mundo do futebol” é um eufemismo. Não existe mundo do futebol, o mundo é um só! Não se pode deixar de cobrar profissionalismo de uma profissão. Nada justifica isso.

    Abraços!

  • Marcel Souza

    A dança das cadeiras dos técnicos no Brasil é mesmo engraçada. Disseram que o Corinthians tirou o Adilson do São Paulo, que tinha sido mais “esperto” e em pouquíssimo tempo manda o cara embora, sem ner ter idéia de quem contratar. A culpa da fase do time era realmente dele? E agora vão trazer o Tite, o mesmo que foi dispensado há não sei quanto tempo atrás… Infelizmente a cultura imediatista do futebol não poupa os técnicos e os trabalhos a longo prazo.

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