CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SIGA O DINHEIRO

O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, perdeu algumas oportunidades no começo da semana.

A primeira, óbvia, de ficar em silêncio. A segunda, igualmente, de agradecer a Felipão. E a terceira, um pouco mais desafiadora, de usar a reclamação do técnico do Palmeiras em benefício do futebol carioca.

Felipão tem a largura de costado necessária para tocar, publicamente, em assuntos sensíveis. Como se incomoda com vícios históricos do nosso futebol (na Europa, estava livre deles), fala o que pensa sem se preocupar com a repercussão. O fato de seu time não estar bem e o clube arder em guerra civil provavelmente contribui para essa postura. Seja como for, ao criticar o Engenhão e perguntar, incrédulo, se “esse é o campo?” em que três times do Rio jogarão até a Copa de 2014, Felipão acertou.

É errado chamar de ingrato aquele que não percebe que lhe fizeram um favor. Fiquemos, então, com a insensibilidade do dirigente botafoguense. Ou talvez a cegueira. Felipão descobriu, em uma visita, os problemas que quem freqüenta o Engenhão semanalmente deveria conhecer. E tentar resolver. Mas Assumpção preferiu tomar o caminho do confronto, aparentemente investido do “dever de defender o respeito à instituição”. Mas defender de quê?

Não foi o Botafogo que construiu o Engenhão. Não foi o Botafogo que transformou o estádio no único lugar onde é possível jogar futebol profissional na cidade do Rio de Janeiro. Céus, não é nem o Botafogo que cuida da grama. Memorando para Assumpção: FELIPÃO NÃO CRITICOU O BOTAFOGO. Ele nem citou o Botafogo.

Mas o dirigente transferiu a conversa para imagens de um vestiário emporcalhado (mais sobre isso adiante), e uma promessa para o dia em que o técnico palmeirense voltar ao que ele, Assumpção, chamou de “quarto melhor estádio do mundo”. É sério, a declaração está gravada.

É impossível que Assumpção não conheça a origem e a gravidade do problema. A super-utilização do Engenhão é o gargalo do absurdo fechamento do Maracanã para reformas de quase 1 bilhão de reais. A medida genial desalojou o Fluminense, o Flamengo, e fez do Botafogo o dono da pensão. Não é surpresa que o gramado acuse o desgaste, ainda mais neste momento em que se joga pelo BR-10 também nos meios de semana.

A questão é: por que o Botafogo nada fez, nem faz, para evitar essa situação? A resposta talvez passe pelos R$ 8 milhões que o clube recebeu da CBF, como adiantamento do dinheiro da televisão, cerca de 20 dias antes da eleição no Clube dos 13.

Em tempo: se é verdade que o Palmeiras vandalizou o vestiário, estamos diante de uma enorme falta de respeito, de dignidade. Caso para punição. Se é verdade que o Botafogo vandalizou o vestiário para acusar o Palmeiras, estamos diante de algo muito pior.



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