COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

OLHANDO PARA A FRENTE

“Na Inglaterra, a casa de todo homem é seu castelo”.

A frase é de Robin Hood (na pele de Russell Crowe, na última – e melhor – refilmagem do clássico, bom entretenimento) e não tem nada a ver com futebol, mas é uma das verdades da trajetória do Cruzeiro neste BR-10.

O time mais quente do campeonato (invicto há 9 rodadas, com 7 vitórias) viveu como nômade desde o fechamento do Mineirão para as obras da Copa de 2014. Mandou jogos em 3 estádios diferentes, ouviu seus jogadores reclamarem da falta de um campo “para chamar de seu”, até perceber que é necessário se sentir como mandante para verdadeiramente sê-lo. Nas 9 rodadas de invencibilidade, o Cruzeiro enfileirou 5 vitórias como local, jogando no Parque do Sabiá (em Uberlândia) e na Arena do Jacaré (Sete Lagoas). Em Uberlândia cabe mais gente e o time ganhou os 3 jogos que fez. Mas é mais barato jogar em Sete Lagoas e o desempenho de 4 vitórias e 1 empate não sugere problemas de adaptação.

Os mineiros são sócios da remodelada área-vip da tabela do campeonato, agora mais exclusiva, com apenas 3 sofás, graças aos decoradores da Conmebol. Nas próximas 5 rodadas, o Cruzeiro terá 2 jogos fora (Santos e Goiás) e 3 em casa (Atlético-GO, Atlético-PR e Fluminense), para dar sequência a seu ataque ao topo da classificação.

Acima, estão os times que monopolizaram a ponta desde a segunda rodada (o Avaí era o líder na primeira): o Fluminense e o Corinthians. Os cariocas parecem ter atravessado a zona de turbulência que durou 3 jogos, coincidente com a crise entre o departamento médico e Fred. O Fluminense tem zagueiros que marcam gols, criatividade no meio de campo e dois laterais que merecem os elogios recebidos. Fora um técnico que, dos últimos 5 BRs, ganhou 3 e foi vice em 1. Se o Flu tem um problema, é justamente sua casa. Desalojado do Maracanã, tem de jogar num Engenhão que não empolga seu torcedor (6.197 presentes nos 5 x 1 contra o Atlético-MG) e oferece um gramado pior a cada semana. Não foi por falta de aviso. O futuro próximo do tricolor: Vitória, Grêmio Prudente e Cruzeiro, fora; Avaí e Santos, em casa.

O Corinthians, melhor mandante do Brasileirão, largou o péssimo hábito de não vencer como visitante. E o fez com atuações quase impecáveis contra dois adversários bem ranqueados, Fluminense e Santos. O que impressiona no time é a qualidade do meio de campo, que marca e joga com intensidade, a exemplo do que fazia com Mano Menezes em 2009. Além de adiantar Elias, Adílson Batista fez outra transformação: seu Corinthians é mais vulnerável, mas também mais rápido e mais ousado, como se viu quarta-feira na Vila Belmiro. As próximas 5 rodadas: Internacional (F), Botafogo (C), Ceará (C), Atlético-MG (F) e Atlético-GO (C).

Uma análise levando em conta as posições atuais dos adversários indica menor dificuldade para o Corinthians. Serão 2 oponentes do U-4 e nenhum do G-3. O Cruzeiro encontrará 2 times da zona do rebaixamento e 1 da zona da Libertadores. O Fluminense, 1 de cada.

Estamos chegando àquele momento em que é preciso ver vários jogos ao mesmo tempo, e que deixa os críticos dos pontos corridos meio encabulados.



  • Anna

    Muito boa a frase. Não vi esse filme, ainda Só vi Robin Hood, do Kevin Costner, e o do Errol Flinn. Vou pegar pra ver. A frase é bem aplicada ao Cruzeiro, com certeza, ainda mais depois do atropelamento para o Santos, fora de casa. E para o Corinthians também. Bom domingo, Anna

  • Jose

    Interessante a análise!

  • Jade

    Difícil alguém tirar o título do Corinthians. Talvez o Fluminense!

  • Coisa de louco esse jogo entre o Timão e o Inter. Parecia aquelas lutas de peso pesado em que os dois partem pra luta franca e qualquer bobeada pode virar nocaute. Foi o que aconteceu no Beira Rio. Nock down do Timão aos 45 do 2º tempo, porém o Inter se levantou meio grogue e acertou a ponta do queixo do ex-líder do BR-10. Jogasso! Pena que meu Timão levou a pior. Ms como diz Tostão: o time que perde jogando bem está mais perto da vitória!

  • Um time que disputa a liderança do campeonato, não pode ficar sem casa. Sem casa ele perde a referência, a torcida também. O Cruzeiro, agiu bem ao escolher logo a sua nova casa. Isso justifica a bela arrancada do time no campeonato.

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