CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance! – e como você deve saber, Neymar não foi convocado)

EFEITO DOMINÓ

Quando Mano Menezes era técnico do Grêmio, um dirigente o procurou, eufórico, depois de um treino. Tinha acabado de fechar a contratação de um jogador que viria do exterior. A animação do cartola era dupla: pelo acerto e pelo valor do salário que o clube pagaria ao novo contratado. Era muito menor do que o esperado, tendo em vista o nome do jogador e o patamar financeiro em que se encontrava.

Ao receber a notícia, Mano não compartilhou a felicidade do diretor. Ao contrário, vetou a contratação. Seria impossível controlar o contágio da insatisfação de um jogador que ganharia menos do que merecia, e menos do que muitos companheiros de currículo inferior. Os problemas se multiplicariam.

É difícil encontrar um técnico que dá mais importância à administração de personalidades, como forma de conduzir um grupo de pessoas muito diferentes, acima e abaixo dele. É difícil, também, encontrar alguém mais competente do que Mano (quem trabalhou com ele confirma) nessa habilidade obrigatória para comandantes.

“Ele se preocupa com tudo, com a repercussão das coisas e só toma decisões bem informadas”, diz um profissional que acompanhou o trabalho de MM nos últimos anos. “Quantas vezes você o viu expor um jogador publicamente? Ou falar de um problema de um jeito que esse problema aumentasse?”, pergunta outro.

O período de Mano no Corinthians traz mais exemplos. A maneira como gerenciou a chegada e a utilização de Ronaldo é um deles. Outro, sua posição quando André Santos e Cristian receberam as propostas do futebol turco. O Corinthians cogitou aumentar salários para que os dois ficassem, mas o técnico não quis conviver com tamanha disparidade no elenco.

Ao fazer a lista de mais uma convocação da Seleção Brasileira, que será divulgada hoje, MM está às voltas com as escolhas de sempre e um caso à parte: a convocação (ou não) de Neymar e o que ela significa. A camisa, o ambiente e os companheiros são outros, mas Mano também precisa lidar com os problemas de Neymar no Santos.

Não será difícil justificar qualquer decisão – é absolutamente óbvio que a pergunta será uma das primeiras na entrevista coletiva. Se convocar Neymar, Mano poderá dizer que esse era o momento adequado para uma conversa para deixar bem claro o que espera dele.

Se não convocar, a explicação pode tomar o caminho da preservação de um jogador envolvido num episódio lamentável, ou até da relação entre o   que se faz no clube e na Seleção Brasileira.

Como de hábito, Mano se informará para fazer sua opção, pensando nos mais variados aspectos. Ele não pode premiar Neymar pelo indiscutível ato de indisciplina, mas também não pode ser injusto com um jogador que, em tese, faz parte dos planos do presente e do futuro da Seleção.



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