ESTAVA NA CARA (mas eu não vi)



Como escrevi aqui e no jornal, acho que um clube se pune quando suspende um jogador por indisciplina.

A pena para insubordinação deve ser aplicada no bolso, sem dó, e o indisciplinado tem de permanecer à disposição de seu time e seu técnico.

Dorival Júnior, obviamente, pensa diferente (é evidente, também, que ele sabe muito mais do que eu sobre como resolver problemas num time de futebol).

E a partir do momento em que o técnico entende que a multa não é uma punição suficiente, o clube tem uma decisão a tomar.

Ou atende seu treinador, ou fica sem ele.

Pouco importa se Dorival ameaçou ou não cair fora se Neymar não fosse afastado. Como ele poderia continuar no comando do Santos se sua posição não fosse respeitada?

Uma vez atendida a determinação do técnico santista, não surpreende que ele não tenha relacionado Neymar para o jogo contra o Corinthians.

Explico (e estou me penitenciando até agora por não ter pensado nisso antes, porque eu tinha “certeza” de que Neymar voltaria no clássico): se o afastamento de Neymar durasse apenas o jogo contra o Guarani, qual seria o recado passado a ele?

“Me deixaram de fora de um jogo ‘sem importância’, mas na hora de o bicho pegar no clássico, me chamaram de volta”.

Lógico, não?

E qual seria a lição? “Eu sou o cara”.

O potencial educativo do episódio teria o efeito contrário.

Ao manter o jovem craque fora do time, o Santos está dizendo que seu comportamento não será tolerado, mesmo que isso signifique jogar um clássico contra o Corinthians sem ele.

Punição que não tem significado não é punição. É simulação.

No centro desse caso estão as condições para Dorival Júnior continuar a ser o técnico do Santos.

E Wagner Ribeiro, agente de Neymar, que declarou: “quero ver ele tirar o Neymar do jogo contra o Corinthians”, acaba de ver.

Se a diretoria do Santos der respaldo a seu técnico (há relatos de que o presidente Luis Álvaro se irritou com ele), e Neymar realmente não jogar, Dorival ganhará a parada.

ATUALIZAÇÃO, 23h05 Neymar vai jogar. O Santos demitiu Dorival Júnior por insubordinação. Ele teria combinado com o presidente Luis Álvaro que reintegraria Neymar para o clássico, mas mudou de ideia e não o relacionou.

Se isso é verdade (aguardemos pela palavra do técnico), Dorival errou.

Não creio que ele passará muito tempo disponível.



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