CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

EU SOU A LENDA

Em 21 de março de 2009, aqui no Lance!, minha coluna com o título “Neymarantes do Nascimento” terminou assim:

“Neste mundo em que jogadores de futebol se confundem (em alguns casos, propositalmente) com celebridades, e o mesmo ocorre entre a mídia do esporte e a da fofoca, um “futuro craque” de 17 anos precisa de um pacote: bola, estrutura familiar e bons exemplos.

Se Neymar não tem esse pacote agora, não o terá em um, cinco ou dez anos. Portanto, seu lugar é no campo. Não há por que esperar.

O Barcelona não esperou com Messi. O Internacional não esperou com Pato. E o mundo já era esse.

Que Neymar seja tudo o que ele quiser.”

Neymar tinha feito sua estreia como titular do Santos, e seu primeiro gol como profissional, naquela semana. O então técnico do time, Vagner Mancini, tinha dúvidas sobre a escalação do garoto no jogo seguinte, clássico contra o Corinthians. O texto (cujo título era um jogo de palavras, nada mais) argumentava que “proteger Neymar para não estragá-lo” era inútil, uma vez que só o campo nos mostraria o que realmente existia por trás da fumaça e das luzes.

Quase 20 meses depois, voltemos ao tal pacote mencionado na coluna. Neymar tem bola? Sério, alguém ainda está indeciso sobre a quantidade de talento dele? Alguém ainda permite que uma certa antipatia interfira na avaliação de seu futebol? Isso seria equivalente a um árbitro resolver que não  marcará faltas no rapaz, só porque ele provoca os adversários.

Estrutura familiar? Bem, temos visto Neymar pai presente e atuante nas diversas situações que envolvem o filho. Desde as reuniões sobre a oferta do Chelsea até o uso do Twitter. À distância, a impressão é que a influência de pai para filho é positiva.

Já os bons exemplos são mais difíceis de detectar. Dependem de companhia, de admiração, de afinidade. Tomara que eles estejam por perto, mas, em noites como a de ontem, não parece que estão.

É claro que o aprendizado do “futuro craque” está na fase inicial. Neymar ainda não passa de um projeto ambicioso, mas já se incomoda com tudo e até se diz cansado. Pensa e age como o novo milionário que é. Caso clássico de profecia auto-realizável.

Pense num garoto chamado de craque desde os 12 anos. Bem remunerado antes da adolescência. Badalado por toda parte. Pense que o começo da vida profissional se deu num time encantador, que logo conquistou títulos. Pense na proposta milionária da Europa, recusada. Pense na Seleção. E pense que tudo aconteceu num piscar de olhos. Será que é fácil processar? Quem viveu isso que o diga. Mas daí a desconhecer a autoridade de seu técnico e se comportar como um maluquinho em campo é um outro departamento.

A última frase da coluna de março do ano passado não era para ser tomada ao pé da letra. Neymar tomou. Que pena.



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