COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PÉROLAS REAIS

Se para você, consumidor de notícias sobre futebol, é incômodo digerir as insistentes e diferentes versões do “vamos respeitar o adversário, mas vamos buscar os 3 pontos”, imagine a agonia de quem é obrigado a ouvir, processar e reproduzir essas declarações. Acredite, não é fácil. E acredite, também, que elas nem sempre são as velhas “mesmas respostas para as mesmas perguntas”. Até em tempos de entrevistas socializadas e coberturas pasteurizadas, continua-se buscando algo interessante, dia sim, outro também.

A semana que chega ao fim foi rica em declarações que fogem ao marasmo. Para o lado bom e o ruim. Começamos com o ruim. Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, avançou o sinal ao misturar sinceridade com irresponsabilidade. “Os jogadores têm que se cuidar, sim. O Atlético não é brinquedo. E se eles tomarem um cacete na madrugada não vai fazer mal nenhum”, avisou. O futebol brasileiro carece de mais dirigentes com as intenções de Kalil. E menos frases incendiárias como essa, exemplos de quando o torcedor toma o lugar do cartola.

No Brasil, a violência não precisa de estímulo. Nem a idiotice dos que a praticam “em nome” de um distintivo. Kalil encheu o tanque dos desocupados que patrulham a noite de Belo Horizonte atrás de jogadores que precisam ser apresentados ao profissionalismo. Deu-lhes autorização para fazer, com truculência, o que o clube tem a obrigação de impor com autoridade. Em sua defesa, é importante ressaltar, não reclamou de interpretação equivocada. Assumiu o que disse e discursou contra o politicamente correto. Também não gosto de correção política, mas não se brinca com a pele dos outros.

Renato Gaúcho (não é a primeira vez) nos brindou com uma fresta para o que se passa dentro do vestiário. É nossa principal fonte de curiosidade, não é? Pois bem, invocando o passado de craque e o presente como técnico, contou que “Eu dizia: deixa que eu resolvo nas quatro linhas, e resolvia. É assim comigo como treinador. Se algum jogador se garantir e realmente resolver, nem precisa vir treinar”. A coragem de Renato fica maior ao lembrarmos que o time dele, o Grêmio, só agora começa a se levantar da dormência que o mantinha no U-4 até a semana passada. Mas ele deve saber que não há nenhum esboço de Renato Gaúcho no atual elenco gremista. De qualquer forma, agradecemos pela dica de que times de futebol não são batalhões do exército.

Por falar em agradecimentos, quem merece o maior é Joel Santana. As entrevistas do técnico do Botafogo têm sido um bálsamo, para a felicidade dos que lidam com ele diariamente. Antes do jogo contra o Santos, Joel se superou. “É melhor perder jogando como heróis do que vencer jogando como covardes”, disse, ao explicar a postura que o time teria no Pacaembu. O Botafogo sofreu, como sofrem todos os adversários do Santos. Jefferson fez pelo menos uma defesa espírita. Mas Joel mexeu para a frente, e foi premiado com o golaço (imagine se o autor fosse Neymar) de Abreu.

A frase do papai deveria ser lei.



  • Treinadores, dirigentes e jogadores, não mudam o discurso nas entrevistas, antes e no pós-jogo. Joel Santana é um dos poucos que parece ter algo diferente para falar em suas coletivas.
    Mas também chega a irritar algumas perguntas feitas por membros da imprensa, que sempre estão com o mesmo repertório.

  • BASILIO77

    Joel santana(o Zé Colmeia) não tem o reconhecimento que merece…ou está começando a ter.
    Isso é bom. Como também é bom ver o Botafogo forte. O futebol carioca tem sempre que estar na ponta.
    Gostaria de ver o J.Santana no meu time…”ganhando” a simpatia da massa, formaria um clima muito legal.
    Um cara simples que fala a linguagem do boleiro e com boa dose de estratégia.
    Abraço.

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