COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

CASA DOS SONHOS

Está na nota oficial do clube: o Corinthians acredita que os direitos sobre o nome de seu futuro estádio valem tanto quanto o próprio estádio. Ou seja, algo na vizinhança de R$ 335 milhões. A Odebrecht (que deve saber alguma coisa sobre construção) não acha um exagero, tanto que aceitou receber esses direitos em troca de assumir o custo da obra.

Esse é um dos aspectos mais interessantes de tudo que foi divulgado sobre a casa que o Corinthians pretende ver erguida em Itaquera. Esse, e a receita que o clube imagina será gerada pela arena: R$ 100 milhões por ano.

A coluna se informou a respeito de outro projeto de estádio, semelhante em tamanho ao do Corinthians, tocado em Porto Alegre: a nova arena do Grêmio. A ideia é ter alguma condição de comparação, ainda que tudo seja muito novo e imprevisível nessa área em nosso país.

Antes, porém, que uma coisa fique clara para quem ainda não entendeu o motivo (um deles, pelo menos) do envolvimento da Odebrecht no projeto: construtoras ganham dinheiro fazendo obras. Parece óbvio, eu sei. No caso de um estádio de futebol, o lucro de quem levanta a maquete é da ordem de 10%. Pense no valor anunciado e faça a conta.

Falando da nova casa gremista, o projeto foi tão benfeito que o estádio em si é um detalhe. A OAS vai entregar uma arena zero bala para o Grêmio, do jeito que o Grêmio quer, sem que o clube gaste um real. Ao contrário. Depois que o clube se mudar (evitando, diga-se, os incômodos de uma obra no Olímpico), ainda receberá cerca de R$ 230 milhões ao longo de 20 anos. É isso mesmo que você leu. Onde está o pulo da OAS? Em dois lugares. A empresa vai explorar os arredores do novo estádio (prédios, shoppings, hotéis…) e ficará, com o mesmo propósito, com o terreno onde o Olímpico está hoje, numa área top da cidade. O estádio é a cereja. O Grêmio só tinha de concordar em mudar de bairro.

O projeto da arena para 52 mil torcedores está orçado em cerca de R$ 450 milhões, dos quais 45% virão de um financiamento do BNDES, contraído pela construtora. Não é a linha de crédito especial para estádios da Copa de 2014 (mais generosa em juros e prazo de pagamento), assim como o financiamento da Odebrecht/Corinthians não será. Cadeiras (cerca de R$ 6 mil/ano) e camarotes (cerca de R$ 150 mil/ano) já estão sendo comercializados, assim como os direitos sobre o nome do estádio. Trabalha-se com R$ 7 milhões/ano, número que leva em conta a única experiência de um clube brasileiro na área, a do Atlético Paranaense.

Pensando nas diferenças de valores entre Porto Alegre e São Paulo, de tamanho e potencial entre as torcidas do Grêmio e do Corinthians, e principalmente no ineditismo de um estádio que o corintiano chame de seu, não parece uma loucura falar em R$ 100 milhões de receita anual. O Grêmio estima a dele em um terço desse montante. Mas a discrepância é muito maior (R$ 7 mi contra R$ 33,5 mi por ano – num contrato de 10 anos) nos chamados “naming rights”.

As experiências com os patrocinadores de camisa (gosto, ou mau gosto, à parte) do Corinthians chegaram a números surpreendentes. O estádio terá de surpreender mais.



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