CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

PALAVRA DE RONALDO

No Campeonato Paulista de 2009, nos acréscimos do segundo tempo de um clássico contra o Palmeiras em Presidente Prudente, Ronaldo marcou seu primeiro gol pelo Corinthians. Escanteio do lado direito, segunda trave, gol de cabeça, alambrado quebrado. Você lembra.

O time estava no vestiário quando o presidente do Corinthians, Andres Sanchez, entrou, com lágrimas nos olhos. Foi direto abraçar Ronaldo, responsável pelo empate quando a derrota já doía. Mais do que cumprimentar o atacante, Sanchez o agradeceu. E ouviu algo que, naquele dia, tinha pouca relação com o mundo real.

“Presidente, quando eu for embora daqui, o senhor vai ter títulos, vai ter construído o seu centro de treinamentos e o seu estádio”, prometeu Ronaldo.

Lembre-se, estamos falando de março de 2009. Era apenas o segundo jogo de Ronaldo pelo Corinthians. Eram enormes as dúvidas a respeito de seu retorno ao futebol. Era fácil rotular sua chegada ao clube como “apenas” uma jogada de marketing. Quem ouviu a promessa de Ronaldo ao presidente do Corinthians naquela tarde (talvez até mesmo o próprio Sanchez), provavelmente depositou a declaração na gaveta das coisas que são ditas num momento de euforia. Hoje, na semana em que o clube completa um século de existência, a frase parece profética.

Num 2010 que, mesmo que termine com um título, terminará sem “o” título, o anúncio de que o Corinthians realizará o sonho da casa própria é o principal troféu para o torcedor. E para quem presta atenção, o fim do aluguel no orçamento do clube não surpreende.

Foi o mesmo Ronaldo quem disse, em participação no “Bem Amigos” do SporTV, em julho de 2009, que o presidente Lula estava interessado no projeto do estádio corintiano. “Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar”, contou. Talvez a variedade de maquetes e pilantras interessados em lucrar com a construção da casa alvinegra tenham alimentado a desconfiança geral, mas a informação do envolvimento do presidente (encontre algo que Lula quis fazer e não conseguiu) deveria chamar a atenção.

Durante a Copa do Mundo, quando os boatos sobre o “Piritubão” apareceram como alternativa para a sede paulista do Mundial de 2014, quase ninguém acreditou quando Sanchez disse que “isso aí não tem nada a ver com o Corinthians”. Era verdade. E é só juntar os pontos para chegar a Itaquera.

Curioso. Vivemos reclamando que nossos estádios são latas de lixo gigantes. Quando aparece um projeto que promete não morder verba pública, decidimos imediatamente que é mentira. Verifiquemos, cada um na sua, o que é verdade e o que não é. Perguntemos, por exemplo, por que outros dois estádios da mesma construtora estão orçados em valores muito maiores.

A inclusão do estádio do Corinthians na Copa de 2014 é outra história. E não estava na promessa de Ronaldo.



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