COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

LIGAÇÃO EM ESPERA

Muricy Ramalho, simples e sincero, é o autor de uma frase exata: “Ronaldo é um jogador de todos nós”, disse o então técnico do São Paulo, sobre a estranha sensação de ter o Fenômeno como adversário, nas semifinais do Campeonato Paulista de 2009.

Tenho a mesma sensação em relação a Paulo Henrique Ganso. Não pelo que já fez, claro. Mas pelo que fará. Se Muricy disse o que disse sobre Ronaldo porque nos acostumamos a vê-lo jogando pelo “nosso time”, ou com camisas de clubes que não nos provocavam nenhum tipo de rivalidade, vejo PHG na mesma situação, apesar de ele praticamente ter jogado apenas pelo Santos.

A questão não é o escudo que Ganso defende, mas o que ele representa. Se a Seleção Brasileira pretende mesmo exibir uma nova forma de jogar nos próximos anos (Mano Menezes garante que pretende, e explica por que, no “Bola da Vez” que vai ao ar logo mais, às 21h30, na ESPN Brasil), PHG é o jogador central, crucial, nesse sistema. Um sistema que gosta mais da bola, que planeja derrotar os adversários pela supremacia técnica. O meia é o cérebro e o pé esquerdo que farão o time funcionar.

O futuro de Ganso é como seu futebol: previsivelmente brilhante. Por isso o passo mal dado na grande área do estádio Olímpico gelou a espinha de quem via Grêmio x Santos, na quarta-feira. Por isso Neymar quase não comemorou seu gol de pênalti, e correu para checar o amigo atendido fora do campo. Por isso a expressão corporal de Paulo Henrique no banco de reservas era um péssimo sinal. O medo de que a carreira dele entrasse em modo de espera por meses se confirmou no dia seguinte.

Evidente que o Santos perde muito. Só o Santos (e os santistas) sabe o que é ter um jogador como Ganso às quartas e domingos, e, de repente, não tê-lo mais. Objetivamente falando, menos mal que a temporada do clube já pode receber o carimbo do sucesso, já garantiu dois troféus e viagens pelo continente em 2011.

Mas a Seleção Brasileira também teve seu ligamento cruzado anterior rompido, com lesão do menisco lateral. A recuperação demorará seis meses. Mano Menezes não terá o principal nome, o símbolo do novo time, muito provavelmente o camisa 10 da Seleção na Copa de 2014, em 3 jogos. A “boa” notícia é que PHG não perderá nenhuma competição.

Ele sabe como será sua rotina nos próximos 180 dias. Fez a mesma cirurgia, no outro joelho, quando tinha 17 anos e muito mais dúvidas sobre o futuro do que tem agora. A medicina lhe garante a reconstrução do ligamento, a fisioterapia lhe proporciona uma melhora mais rápida, a preparação física lhe devolverá ao gramado em condições ideais. E o principal: seu talento continuará intacto. Não há nenhum motivo para não apostar que Ganso será, em fevereiro de 2011, exatamente o mesmo jogador genial que vimos até a última quarta-feira.

Mas para quem gosta de futebol jogado com nobreza, o hiato é como o adiamento do Natal. Como um ótimo filme, desses que nos prendem na poltrona, interrompido por queda de energia.



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