CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Marcelo escreve: Parabéns pelo seu blog, do qual sou um leitor assíduo. Pois bem, tenho uma dúvida/comentário e gostaria de saber sua opinião. No jogo entre Santos e Atlético MG, no último domingo, o árbitro marcou pênalti para o Santos após a bola bater na mão do zagueiro atleticano. Quase todos, jornalistas e amigos, disseram que não houve a infração, pois o zagueiro não teve a intenção de bater a mão na bola. Aí, em Cruzeiro e Corinthians, eis que em outro lance na área, o árbitro marcou pênalti em mais uma bola que foi de encontro à mão do zagueiro. E todos se prontificaram a dizer que dessa vez sim, o árbitro acertou e foi pênalti. Em minha opinião, os dois lances foram praticamente iguais. O adversário cruza a bola, o zagueiro na marcação tenta cortar e a bola toca em sua mão. E, para mim, também marcaria o pênalti nas duas. E logo mais explico o motivo. Mas o que me deixa em dúvida é o seguinte: a regra fala em intenção. Posso estar enganado, mas acho que na história do futebol, jogadas em que quiseram realmente meter a mão para cortar um lance devem corresponder a uns 5%. Para mim, intenção é como o Luizito Suarez fez na Copa do Mundo, em Uruguai e Gana. Aí ele tem que ser expulso. Ou tomar amarelo, se não for perigo iminente de gol. Pois então, se o árbitro marcou pênalti nesses lances no Brasileiro, não deveria também ter mostrado amarelo, pelo menos? Porque se ele marcou o pênalti, assumiu que o infrator teve a intenção. Nesses dois lances, para mim não houve intenção nenhuma. O que você pensa desses lances? Outra coisa: você não acha que essa regra deveria mudar e não ter mais margem para interpretação? Por exemplo, bateu na mão e ela não está grudada ao corpo, é falta. Não importa a intenção. Bateu, desviou a trajetória da bola, apita falta. Novamente reitero que acredito que poucos têm realmente a intenção de bater a mão. Eu acho que isso facilitaria muito as coisas nesse tipo de lance. E também acho mais justo. Desviou a bola, é falta. O que você pensa sobre isso?

Resposta: Começando pelo final: sim, eu acho que a regra deveria mudar e punir todo toque de mão, a não ser que o braço esteja colado ao corpo. Mas o que os árbitros observam (ou tentam observar) nesse tipo de lance é se o jogador se preocupou em evitar que a bola batesse em seu braço. O cara que se joga na frente do adversário, com os braços abertos, teoricamente não está fazendo nada para evitar o toque. Ao contrário, está fazendo de tudo para desviar a bola e se beneficiar do “toque involuntário”. Nessa ótica, eu não marcaria pênalti contra o Atlético Mineiro, e marcaria contra o Cruzeiro. A meu ver não são lances iguais. O jogador do Cruzeiro está com o braço esticado.

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Paulo escreve: Gostaria de compartilhar essa pérola elaborada em nossa Câmara dos  Deputados (o Projeto de Lei 7637/10 estabelece que 90% dos jogadores da seleção  brasileira, de qualquer modalidade desportiva, devem ser escolhidos  entre os que estejam atuando no país por pelo menos seis meses antes da  convocação) . Até acredito que o autor da proposta tenha boas intenções  (espero, pelo menos), mas será que não temos nada mais importante para  nos preocupar?

Resposta: Bizarro. Nossa preocupação deveria ser criar condições para que nossos melhores atletas, de qualquer modalidade, não precisem deixar o Brasil. Dessa maneira, o “objetivo final” desse projeto de lei seria atingido. E obviamente, ele não seria necessário. Perda de tempo.

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Carlinhos escreve: André, já pensou se o jogador do Santos que rompeu os ligamentos do joelho fosse o Neymar, uma semana depois de recusar a proposta do Chelsea?

Resposta: Já. Mas não concordo que esse seja um argumento a favor da transferência. Compreendo que o risco de uma lesão grave faça parte do raciocínio de aceitar ou não uma proposta como a que Neymar recebeu. Mas o que aconteceu com Ganso pode acontecer com qualquer jogador, em qualquer lugar, em qualquer época. Outra coisa: se Neymar tivesse ficado no Santos apenas “por amor”, para ganhar menos do que ele merece, poderia realmente se arrepender (se sofresse uma lesão, toc-toc-toc) de não ter ido embora e recheado a conta bancária. Mas sabemos que não é o caso. Assim como não é o do PHG.

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Silvio escreve: O que achou do sorteio dos grupos da Liga dos Campeões? Você vai dar seus palpites, como no ano passado?

Resposta: Sim. Estamos preparando um post sobre as chaves, com os devidos palpites dos classificados. Será publicado na próxima semana.

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Como de costume, muito obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(emails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Meu trabalho requer uma certa… flexibilidade moral.”

Nick Naylor em “Obrigado por Fumar”.

(sugestão do blogonauta Christian Suelzle. Obrigado!)



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